Somos Anjos e Mestres!
Todos nós sabemos alguma coisa que alguém, em algum lugar, precisa aprender e, por vezes, nós mesmos recordarmos.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

"Os Não Ditos"...


 As palavras às vezes cortam como uma faca e de maneira irrefletida ferimos os outros, mesmo se os amamos, sem que haja retorno.
Conscientes disso é que em muitos dos casos, nos calamos, quando tudo o que pensamos e sentimos nos queima por dentro.
Essas coisas são os não ditos das relações e da vida.
As palavras que não dizemos, mas não enterramos também, estão sempre entre nosso coração e nossa garganta e nos ferem interiormente. São opções que fazemos, seja para não machucar outras pessoas, seja, simplesmente, pela falta de coragem de sermos nós, inteiros e límpidos.
A comunicação é a base de todo relacionamento saudável. Pessoas que se amam, que seja na amizade, no amor ou nas relações familiares, devem estar prontas para serem quem são, para perdoar e receber perdão.
Não nos calaríamos tanto se soubéssemos que o outro nos ouviria com a alma, nos entenderia e continuaria a nos amar, apesar de tudo. Mas as pessoas, por mais maduras que pareçam, nem sempre estão prontas para ouvir as verdades, se essas forem doloridas. Assim são criadas as relações superficiais, onde pensamos tanto e falamos de menos, onde sentimos e sufocamos.
Nos falta um pouco de humildade para aceitar nossa imperfeição, aceitar que o outro possa não gostar de algo em nós e ter o direito de dizê-lo. Nos falta a ousadia de sermos nós, sem essa máscara que nos torna bonitos por fora e doentes por dentro.
A comunicação na boa hora, com as palavras escolhidas e certas, consertaria muitos relacionamentos, sararia muitas almas, tornaria as pessoas mais verdadeiras e mais bonitas.

"Sabemos que as pessoas nos amam quando nos conhecem profundamente, intimamente e continuam nos amando. Quando com elas temos a liberdade e coragem de dizer: isso eu sinto, isso eu sou".




Letícia Thompson

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

"Paradoxo do Nosso Tempo"!





"Nós falamos demais, amamos raramente odiamos freqüentemente. Nós bebemos demais, gastamos sem critérios. Dirigimos rápido demais, ficamos acordados até muito mais tarde, acordamos muito cansados, lemos muito pouco, assistimos TV demais, perdemos tempo demais em relações virtuais, e raramente estamos com Deus”.
Multiplicamos nossos bens, mas reduzimos nossos valores. Aprendemos a sobreviver, mas não a viver; adicionamos anos à nossa vida e não vida aos nossos anos. Fomos e voltamos à Lua, mas temos dificuldade em cruzar a rua e encontrar um novo vizinho. Conquistamos o espaço, mas não o nosso próprio.
Fizemos muitas coisas maiores, mas pouquíssimas melhores. Limpamos o ar, mas poluímos a alma; dominamos o átomo, mas não nosso preconceito, escrevemos mais, mas aprendemos menos; planejamos mais, mas realizamos menos. Aprendemos a nos apressar e não, a esperar. Construímos mais computadores para armazenar mais informação produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos cada vez menos.
Estamos na era do 'fast-food' e da digestão lenta; do homem grande de caráter pequeno, lucros acentuados e relações vazias. Essa é a era de dois empregos, Essa é a era das viagens rápidas, fraldas e moral descartáveis, das rapidinhas, dos cérebros ocos e das pílulas 'mágicas'. Um momento de muita coisa na vitrine e muito pouco na dispensa.
Lembre-se de passar tempo com as pessoas que ama, pois elas não estarão aqui para sempre!


Lucimar Simon

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

"As sem-razões do Amor"!!!




Eu te amo porque te amo...
 Não precisas ser amante...
E nem sempre sabes sê-lo.
 Eu te amo porque te amo...
 Amor é estado de graça...
 E com amor não se paga.

Amor é dado de graça...
É semeado no vento...
Na cachoeira...
 No eclipse.
 Amor foge a dicionários...
 E a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo...
 Bastante ou demais a mim.
 Porque amor não se troca...
 Não se conjuga nem se ama.
 Porque amor é amor a nada...
 Feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte...
E da morte vencedor...
 Por mais que o matem (e matam)...
 A cada instante de amor.

 Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

" O Medo de se Expor"...


A maioria dos seres humanos, em algum momento, vive o dilema entre ser autêntico, expor de modo claro e aberto seus sentimentos, ou incorporar uma persona, alguém que age de modo a ser aceito e respeitado pelo restante do mundo.
Esta é uma condição considerada natural, pois fomos treinados desde muito cedo a mascarar a verdade acerca de quem somos de fato, para garantir o amor dos demais.
Mas, ao longo da vida, quando muitos desafios se apresentam, continuar vivendo o falso eu pode se tornar um enorme fardo...
Até que chega um ponto em que o real dentro de nós grita para ser reconhecido.
Esse grito pode tomar a forma de uma crise de pânico, uma forte depressão ou até mesmo um surto de loucura, quando todas as nossas defesas e as couraças, que armamos para ocultar a realidade de nosso ser, atingem uma dimensão insuportável.
Trazer de volta nosso ser autêntico, aquele que foi amorosamente criado pelo divino, é um trabalho árduo, que deve ser empreendido aos poucos, com paciência e dedicação. Muitas vezes a mente nos levará a querer desistir e a acreditar que esta é uma tarefa impossível. Mas, se tivermos a coragem de seguir em frente, apesar do medo, a existência amorosamente nos trará a ajuda e o apoio de que necessitarmos. Ela sempre responde ao chamado daqueles que buscam, acima de tudo, a verdade. O grande segredo é confiar e entregar-se sem resistência a este objetivo.
Esta é a atitude que faz a diferença entre os que alcançaram a paz e a felicidade permanentes e os que ainda se encontram perdidos na escuridão de uma vida inconsciente.
"O Medo de se Expor"...
Quem não fica? Expor-se cria um grande medo. É natural, porque expor-se significa expor todo o lixo que você carrega em sua mente, o lixo que tem sido amontoado por séculos, por muitas vidas. Expor a si mesma significa expor todas as suas fraquezas, limitações, falhas. Expor-se significa, por fim, expor sua vulnerabilidade.
Por trás de todo esse lixo e barulho da mente existe uma dimensão de completo vazio. Sem Deus a pessoa é oca, é um simples vazio e nada. Ela quer esconder essa nudez, esse vazio, essa fealdade. Então, ela cobre isso com belas flores e decora essa cobertura. Ela pelo menos finge que é alguma coisa, que é alguém. E isso não é algo pessoal para você. Isso é universal. Esse é o caso de todo mundo.
Ninguém consegue ser como um livro aberto. O medo toma conta: "O que as pessoas pensarão de mim?" Desde a sua infância lhe foi ensinado usar máscaras, belas máscaras. Não há necessidade de se ter uma bela face, só uma bela máscara é o bastante, e a máscara é barata. É árduo transformar a sua face, mas pintá-la é muito simples.
Agora, de repente, expor a sua face verdadeira lhe dá um arrepio no mais profundo centro do seu ser. Uma tremedeira surge: as pessoas gostarão disso? as pessoas irão aceitá-la, as pessoas continuarão a amá-la e respeitá-la? quem sabe? Porque eles amavam a sua máscara, eles respeitavam o seu caráter, eles glorificavam o seu vestuário. Agora o medo aparece. "Se eu, de repente, ficar nu, eles irão continuar a me amar, a me respeitar, a me valorizar, ou todos eles irão fugir para longe de mim? Eles podem retornar para seus caminhos e eu posso ficar só".
As pessoas, então, seguem representando. Devido ao medo, há o fingimento, devido ao medo, todas as falsidades. Para ser autêntica, a pessoa precisa não ter medo.
Se você conseguir expor-se religiosamente, não na privacidade, não com seu psicanalista, mas simplesmente em todos os seus relacionamentos... Isso é autopsicanálise. Isso é vinte quatro horas de psicanálise, todos os dias.
Isso é psicanálise em todo tipo de situação: com a esposa, com o amigo, com os parentes, com o inimigo, com o estranho, com o chefe, com o seu funcionário. Por vinte e quatro horas você está se relacionando.
Se você continuar se expondo... No começo vai ser realmente muito assustador, mas logo você começará a ganhar força porque uma vez que a verdade é exposta, ela se torna mais forte e a não verdade morre. E com a verdade tornando-se mais forte, você se tornará mais enraizado e centrado. Você começa a se tornar um indivíduo. A personalidade desaparece e o indivíduo aparece. A personalidade é falsa e a individualidade é substancial. A personalidade é simplesmente uma fachada e a individualidade é a sua verdade. A personalidade lhe é imposta de fora, é uma persona, uma máscara. A individualidade é a sua realidade, ela é como Deus o fez. A personalidade é uma sofisticação social, um polimento social. A individualidade é crua, selvagem, forte e com tremendo poder.
Somente no começo, haverá medo. Por isso a necessidade de um Mestre, para que no começo ele possa segurar suas mãos, para que no começo ele possa lhe dar suporte, para que ele possa levar-lhe a dar alguns passos com ele. O Mestre não é um psicanalista. Ele é muito mais. O psicanalista é um profissional e o Mestre não é um profissional. Não é sua profissão ajudar as pessoas, é a sua vocação, é o seu amor, é a sua compaixão. E por causa dessa compaixão ele a conduz apenas o tanto que você precisa dele. No momento em que ele sente que você pode ir por si mesma, ele começa a soltar as suas mãos. Embora você quisesse continuar agarrada, ele não pode permitir isso.
Uma vez que você esteja pronto, corajoso e desafiador; uma vez que você tenha experimentado a liberdade da verdade, a liberdade de expor a sua realidade, você poderá seguir por si mesmo. Você conseguirá ser uma luz para si mesmo.
Mas o medo é natural porque desde o início da infância, lhe foram ensinadas falsidades, e você se tornou tão identificado com o falso que abandoná-lo quase parece cometer suicídio. E o medo surge porque uma grande crise de identidade aparece. O medo é natural. Não o condene e não sinta que ele é algo errado. Ele é apenas parte de toda essa educação social. Nós temos que aceitá-lo e ir além dele. Sem condená-lo, nós temos que ir além dele.
Exponha pouco a pouco, não há qualquer necessidade de você dar saltos que você não possa administrar. Vá passo a passo, gradualmente... Você nunca alcançará uma outra identidade. A sua velha identidade terá ido embora e, pela primeira vez, você começará a sentir-se como uma onda no oceano de Deus. Isso não será uma identidade porque você não estará ali. Você terá desaparecido. Deus terá se apoderado de você.
Se você colocar em risco o falso, a verdade poderá ser sua. E ela vale isso, porque você coloca em risco apenas o falso e ganha a verdade. Você nada arrisca e ganha tudo. O inconsciente é uma criação da civilização. Quanto mais civilizado você for, mais inconsciente você será.
Se você for absolutamente civilizado, você será um robô, você será absolutamente inconsciente. Isso é o que está acontecendo. Se você colocar em risco o falso, a verdade poderá ser sua. E ela vale isso, porque você coloca em risco apenas o falso e ganha a verdade. Você nada arrisca e ganha tudo.
O inconsciente é uma criação da civilização. Quanto mais civilizado você for, mais inconsciente você será. Se você for absolutamente civilizado, você será um robô, você será absolutamente inconsciente. Isso é o que está acontecendo.
Esta calamidade está acontecendo em todo o mundo. Isso tem que parar. E a única maneira de parar isso é ajudando as pessoas a colocar para fora os seus inconscientes nas meditações".


 E. Cavalcante 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

"Como é por dentro das Pessoas"...




É fácil trocar as palavras...
Difícil é interpretar os silêncios!
É fácil caminhar lado a lado,
Difícil é saber como se encontrar!
É fácil beijar o rosto...
Difícil é chegar ao coração!
É fácil apertar as mãos...
Difícil é reter o calor!
É fácil sentir o amor...
Difícil é conter sua torrente!

Como é por dentro outra pessoa?
Quem é que o saberá sonhar?
A alma de outrem é outro universo...
Com que não há comunicação possível...
Com que não há verdadeiro entendimento.

Nada sabemos da alma...
Senão da nossa...
As dos outros são olhares...
São gestos, são palavras...
Com a suposição...
De qualquer semelhança no fundo."

Fernando Pessoa

domingo, 17 de fevereiro de 2013

"A Diferença entre Paixão e Amor"!

Você sabe nomear seus sentimentos?
Reconhece...Quando seu coração está batendo apaixonadamente ou amorosamente? Acredita que existe diferença?
Pois saiba que até existe, mas saber reconhecer o que sente deve servir mais para que você aja de modo coerente do que para classificar, julgar ou quantificar uma relação. Claro que é compreensível querer saber se o que está chacoalhando seus dias e até tirando o seu sono é mesmo amor ou somente uma paixão. Talvez uma "paixonite aguda" que logo vai passar?
É verdade: quando a gente consegue ter essa noção, fica muito mais fácil fazer escolhas e não se arrepender depois.
O fato é que, para descobrir a resposta, em geral é preciso dar tempo ao tempo e observar, manter-se conectado. Porém, para algumas pessoas, parece que obter certezas sobre o que estão sentindo é o que vai garantir o sucesso ou o fracasso do encontro. Ledo engano. Equívoco primário. Certezas não existem, para começo de conversa. E depois, a questão se trata mais de fases possíveis, a começar pela paixão e evoluir para o amor, do que de diferenças propriamente.
Quando não é saudável, a paixão é capaz de transtornar, desviar a rota, fazer perder o rumo de casa. Como semente ruim em terra boa, ou semente boa em terra ruim. Ou ainda, semente ruim em terra não preparada. Pode tornar o apaixonado passível de atos passionais. Impensados, insanos, perigosos. Nestes casos, o melhor é procurar ajuda, tratamento, cura. Porque a paixão pode virar doença.
Mas quando é saudável, paixão é deslumbramento. É projeção sobre o outro do melhor que conseguimos enxergar no mundo e nas pessoas. Paixão, mesmo avassaladora, quando sã é sinônimo de potência - força para fazer nascer o amor. Isto é, paixão é vida. Desarma. Dá coragem para a entrega, para a aposta, para uma das tentativas mais desafiantes as quais somos submetidos durante a vida.
E assim, amadurece. Ganha forma e força. Rompe os obstáculos, cresce e floresce. Torna-se amor. Mas o que atormenta muitas pessoas é a dúvida: e daí? Nunca mais paixão? Nunca mais fogo que arde, consome e faz pulsar? Nunca mais o frio na barriga, o aceleramento cardíaco, o suor que é, ao mesmo tempo, inoportuno e essencial?
Eu diria que nunca mais do mesmo jeito. Mas muitas vezes de jeitos novos. E isso não é demagogia! A grande magia do amor é sua capacidade de se mover, de dançar, de provocar ritmos e convidar ao desconhecido de si mesmo. Amar inclui um sem fim de sensações. Diria até que, ao contrário do que os inocentes ou desavisados supõem, inclui dor, raiva, medo, vontade de ir embora, irritação e saco cheio da rotina. Mas depois de tudo, se for mesmo amor, a incrível e inexplicável capacidade de renascer, refazer-se!
Amar é se ver no outro. É ver o outro em si. É descobrir que o outro nem sempre é príncipe ou princesa. Muitas vezes, torna-se sapo, perereca e até lobos e bruxas. Amar é a mais incrível experiência humana. Portanto, uma experiência lindamente cheia de furos, imperfeições e remendos.
Quem espera um amor perfeito, feito teorias cor-de-rosa sobre almas gêmeas e felicidade eterna; quem espera o "para sempre" assim, feito conto de fadas que "dá para sempre certo" depois de lutar contra dragões e serpentes, não conseguirá vivenciar o grande encontro. Mas quem acredita que o amor exclui a paixão, o riso bobo e gratuito, a poesia brega e a música que não sai da cabeça, o bilhete inesperado, a flor roubada, os beijos demorados e as lágrimas que suplicam pelo outro, também não conseguirá vivenciar o grande encontro.
Paixão pode nascer e nunca se tornar amor. Amor pode nascer sem ter tido tempo de experimentar a paixão. Mas o que importa mesmo é ter coragem de apostar, recomeçar, arriscar, persistir e, a despeito de todas as provações, resistir e manter-se dedicando. Amor de verdade, com o vai-e-vem da paixão, é refazer as escolhas e relembrar-se do que é bom. É olhar nos olhos do outro e ainda se encontrar aqui e aí!

Rosana Braga

sábado, 16 de fevereiro de 2013

"Redes Sociais e a Depressão"!





Quem de nós, por uma razão ou outra, não aderiu à moda das redes sociais?
A moda atingiu em cheio os adolescentes, que adoram manter contato com seus amigos em sites como Facebook e Twitter.

Por mais divertido que seja, o uso em excesso desses sites  pode ser prejudicial e tem sido associado à depressão, dizem pesquisadores.

Um novo relatório da Academia Americana de Pediatria descreve um novo fenômeno conhecido como “depressão do Facebook “, no qual crianças e adolescentes que gastam uma enorme quantidade de tempo em sites de redes sociais acabam desenvolvendo sintomas de depressão.
“O fenômeno não é comum e a maioria das crianças se beneficiam com o site, pois são capazes de manter laços com os amigos e sentir uma conexão com sua comunidade”, explica Scott Campbell, professor de estudos de comunicação na Universidade de Michigan, Estados Unidos.
Porém, o uso pesado excessivo do Facebook, bem como outros riscos do mundo online como o “cyberbullying”, pode ter consequências graves. Por isso, é fundamental para os pais ficar envolvido na vida virtual de seus filhos.
“Como as crianças têm cada vez mais canais de comunicação com seus colegas online, é extremamente importante que os pais também mantenham a comunicação com seus filhos da mesma forma aberta. Assim, podem ter uma noção do que está acontecendo na vida de seus filhos, tanto online quanto offline “.
 O relacionamento com amigos se torna difícil nos anos de adolescência. Enquanto o Facebook permite que os jovens preservem e cultivem suas amizades, ele pode também alimentar a inveja, de acordo com Michael Brody, psiquiatra da infância e adolescência em Silver Springs, Maryland, Estados Unidos.
“As crianças se tornam muito competitivas no ambiente virtual e querem ser o centro das atenções”.
O Facebook permite que os adolescentes acompanhem o sucesso de seus amigos, bem como o número de amizades aqueles amigos têm. “Isso configura uma coisa competitiva. As crianças podem se sentir menos do que eles são porque seus amigos parecem estar se divertindo mais do que elas”, diz Brody. “A ideia de inveja e ciúme é muito difundida e ampliada através desse meio”.
No entanto, é menos claro se o próprio Facebook leva à depressão ou se alguns adolescentes que já estão deprimidos são propensos a gastar demasiado tempo on-line.
“Como qualquer outra coisa na vida, muito tempo no Facebook – ou na Internet em geral, aliás – pode ser uma coisa negativa”.
“Em geral, depressão e solidão são associadas a esses usuários frequentes da Internet, que permitem que a quantidade de tempo passados online interfiram em seus relacionamentos off-line”.
Uma maneira de potencialmente impedir as crianças de entrar neste tipo de depressão é ter a certeza de que elas se envolvam em uma variedade de atividades..
“As crianças que têm uma vida equilibrada, fazem lição de casa e atividades extra-curriculares, participam de clubes, serviços comunitários ou praticam esportes têm uma chance muito menor de desenvolver depressão”.
“Eu ficaria preocupado como pai se a única coisa que meu filho gostasse de fazer fosse ficar sentado na frente do computador usando o Facebook”..

LiveScience

" A Vitória da Vida"...

Pobre de ti, se pensas ser vencido...
Tua derrota é caso decidido!
Queres vencer, mas como em ti não crês...
Tua descrença esmaga-te de vez.
Se imaginas perder...
Perdido estás!
Quem não confia em si marcha para trás.
A força que te impele para a frente...
 É a decisão firmada em tua mente.

Muita empresa esboroa-se em fracasso, ainda antes do primeiro passo.
Muito covarde tem capitulado, antes de haver a luta começado.
Pensa em grande, e teus feitos crescerão... Pensa em pequeno, e irás depressa ao chão.
O querer é o poder arquipotente...
É a decisão firmada em tua mente.

Fraco é aquele que fraco se imagina... Olha ao alto o que ao alto se destina.
A confiança em si mesmo é a trajetória que leva aos altos cimos da Vitória.
Nem sempre o que mais corre a meta alcança... Nem mais longe o mais forte o disco lança...
Mas o que, certo em si, vai firme e em frente... Com a decisão firmada em sua mente

Roberto Abreu  


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

"Preconceitos Resistem ao Tempo".


O vislumbrar de perspectivas otimistas para a condição humana - uma vida cheia de alegrias, gratificações, essencialmente derivada de relações humanas ricas e desinteressadas - costuma levar a maioria das pessoas para a busca apressada deste objetivo sem que levem a sério os obstáculos e dificuldades a serem ultrapassados.
É como interpreto hoje os fatos acontecidos nos anos 60: de repente as pessoas pensaram - especialmente os jovens - que bastava mudar o tipo de roupa, modificar o corte dos cabelos, usar sandálias para que se fizesse a revolução psicológica e de costumes que já podia ser prenunciada.
Acredito que aqueles que não se aperceberem da existência de uma longa caminhada, de um profundo mergulho em si mesmo, cairão de novo no abismo da desesperança, das drogas e do consumismo conservador (e não foi isso que se deu nos anos 70?).
Quando as experiências libertárias não dão certo, isto significa que somos capazes de gerar idéias com muita rapidez e facilidade, mas que em geral não temos estrutura interior para viver segundo elas.
Forçamo-nos a isto, nos desequilibramos, caímos, nos machucamos e concluímos que as idéias estavam erradas; na verdade, acho que a conclusão deveria ser outra: ainda não estamos prontos e maduros para viver de outro modo, para nos soltarmos das amarras que nos limitam mas também que nos protegem, nos dão sensação de aconchego e segurança.
Não se pode tentar atalho para se chegar mais depressa ao que se pretende; há que percorrer toda a trajetória, sofrida e cheia de desesperos para se atingir uma estabilidade íntima. Senão, mais uma vez chegaremos apenas ao falso brilhante, à imitação.
Assim, se nos fixarmos numa das questões mais essenciais da liberdade que é o do respeito pelo modo de ser e de pensar do outro, vemos que esta coisa extremamente simples e óbvia nunca chegou a existir como fato. E isto não apenas como postura das classes dominantes, conservadoras e que tentam preservar seus privilégios.
Todos os grupos minoritários agem da mesma forma: se consideram donos da verdade, superiores; têm um desprezo visceral pelos que pensam de modo diferente e tratam de impor suas idéias tanto através das palavras como mesmo pela força.
Grupos religiosos diferentes já fizeram longas e sangrentas guerras para fazerem prevalecer suas opiniões e verdades. Ideologias políticas também se exerceram desta forma. E, isto é o mais incrível, os jovens libertários dos anos 60 ostentavam enorme desprezo pelos caretas; quem não fosse iniciado nas luzes advindas do uso da maconha - e depois do LSD - era tão desprezado e desinteressante que nem mesmo valia a pena trocar algumas palavras.
Os ateus acham imbecis os que acreditam em Deus; os crentes têm pena dos ateus,  e a pena é outra forma de manifestação de desprezo; é sentimento de cima para baixo, de rico para pobre.
Os homossexuais sãos os entendidos e os heterossexuais são, para eles, meio primários; os heterossexuais acham a homossexualidade abominável, uma perversão.
O limite desta prepotência permanente e assim grotesca constitui a essência dos preconceitos e do fanático nacionalismo.
Assim, os negros são uma raça inferior, os judeus perigosos e avarentos, os argentinos grosseiros e mal-educados...
Aí a gente vai conversar individualmente com as pessoas e todos se consideram criaturas de mente aberta, cheias de bom senso e compreensão, capazes de se ater a novos conceitos, sempre dispostos a rever suas posições.
Até parece uma brincadeira e seria engraçado se não fosse extremamente grave, pois no meio deste discurso liberal sempre aparecem frases como: isto eu não admito, não sou racista mas os turcos... não posso nem pensar em meu filho parar de estudar, etc.
Parece-me fundamental aprofundar mais estas observações, ainda que a repetição de conceitos seja meio exaustiva e chata.

Flávio Gikovate

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

"Não posso viver sem você"!

"Não posso viver sem você. Você é toda a minha vida."
Sonhamos todos ouvir coisas assim. Sonhamos todos com um amor imenso e incondicional.
Ter alguém que nos olhe com olhos cheios de amor e nos diga coisas que nosso coração anseia, coisas que nos façam sentir únicos e especiais.
Mas por detrás de tudo o que é dito há sempre uma realidade implícita. Alguém que diz ao outro frases como essas não só dá ao outro o poder sobre sua felicidade ou infelicidade, como joga nos seus ombros uma enorme responsabilidade.
Dizer a alguém: "não posso viver sem você" equivale a dizer: "se você não mais me quiser, não quero mais viver, vou me deixar morrer." Mas e se o amor dessa outra pessoa diminui, se ele acaba, se ele encontra em outros braços o que ele precisa para ser feliz? Se levar a sério o que ouviu, vai se sentir na obrigação de ficar junto de quem não pode viver sem ela. Porém, viver junto sem amor é um fardo que pode ser muito pesado a carregar. Significa renunciar à própria vida para satisfazer ao outro.
E como dar felicidade se não temos a mesma para oferecer?
Não podemos dar e nem exigir da outra pessoa um amor incondicional, porque não somos eternos e a outra pessoa também não. Podemos fazer com que fiquem conosco, mas não podemos exigir que nos amem.
O amor deve ser um sentimento livre e liberto.
As pessoas devem ficar juntas porque se escolhem mutuamente e não porque o outro exerce pressão sobre ele de forma ou de outra.
Ninguem pode e nem deve ser a vida de ninguém, que sejam namorados, pais, filhos, porque quando essa se vai de um, o outro precisa e deve continuar vivendo, o outro precisa se reconstruir. Se uma pessoa faz da outra a sua vida e ela a perde... Ela perde tudo!
Não somos todos Romeus e Julietas da vida. Embora aos nossos olhos pareça bonito um amor assim, ele não é realista e nem deve ser para nós.
Quando o outro parte, que seja da vida, que seja para novas direções, devemos nós procurar continuar nossa vida e nos preparar para acolher outro amor que a vida nos reserva. Precisamos nos preparar para a eventualidade de uma nova felicidade.
Ser independente de quem amamos não significa amar menos, mas amar o bastante para respeitar que este possa respirar sem nós e nós sem ele. E render graças a Deus se essa pessoa decide compartilhar nossa vida, voluntária e feliz.
"Ninguém morre sem ninguém...
 Mas todos sobrevivem, embora cheios de marcas do vivido"!



Letícia Thompson

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

"Educar é mostrar a Vida"!




Educar é mostrar a vida a quem ainda não a viu.
O educador diz: “Veja!” - e, ao falar, aponta.
O aluno olha na direção apontada e vê o que nunca viu. Seu mundo se expande...
Ele fica mais rico interiormente... E, ficando mais rico interiormente, ele pode sentir mais alegria e dar mais alegria, que é a razão pela qual vivemos.
Já li muitos livros sobre psicologia da educação, sociologia da educação, filosofia da educação, mas, por mais que me esforce, não consigo me lembrar de qualquer referência à educação do olhar ou à importância do olhar na educação, em qualquer deles.
A primeira tarefa da educação é ensinar a ver...É através dos olhos que as crianças tomam contato com a beleza e o fascínio do mundo...Os olhos têm de ser educados para que nossa alegria aumente.
A educação se divide em duas partes: educação das habilidades e educação das sensibilidades...Sem a educação das sensibilidades, todas as habilidades são tolas e sem sentido.
Os conhecimentos nos dão meios para viver. A sabedoria nos dá razões para viver.
Quero ensinar as crianças. Elas ainda têm olhos encantados.
Seus olhos são dotados daquela qualidade que, para os gregos, era o início do pensamento, a capacidade de assombrar diante do banal.
Para as crianças, tudo é espantoso: um ovo, uma minhoca, uma concha de caramujo, o vôo dos urubus, os pulos dos gafanhotos, uma pipa no céu, um pião na terra. Coisas que os eruditos não vêem. Na escola eu aprendi complicadas classificações botânicas, taxonomias, nomes latinos... Mas esqueci.
Mas nenhum professor jamais chamou a minha atenção para a beleza de uma árvore, ou para o curioso das simetrias das folhas.
Parece que, naquele tempo, as escolas estavam mais preocupadas em fazer com que os alunos decorassem palavras que com a realidade para a qual elas apontam.
As palavras só têm sentido se nos ajudam a ver o mundo melhor. Aprendemos palavras para melhorar os olhos. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem...
Quando  a gente abre os olhos,abrem-se as janelas do corpo, e o mundo aparece refletido dentro da gente.São as crianças que, sem falar, nos ensinam as razões para viver.
Elas não têm saberes a transmitir. No entanto, elas sabem o essencial da vida.
Quem não muda sua maneira adulta de ver e sentir e não se torna como criança jamais será sábio.

“As crianças não têm idéias religiosas, mas têm experiências místicas.
Experiência mística não é ver seres de um outro mundo. É ver este mundo iluminado pela beleza.”


Rubem Alves

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

"A Elegância do Comportamento"!

Existe uma coisa difícil de ser ensinada e que, talvez por isso, esteja cada vez mais rara...
A elegância do comportamento!
É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
É a elegância que nos acompanha da primeira hora da manhã até a hora de dormir e que se manifesta nas situações mais prosaicas, quando não há festa alguma nem fotógrafos por perto. É uma elegância desobrigada.
É possível detectá-la nas pessoas que elogiam mais do que criticam.
Nas pessoas que escutam mais do que falam.
E quando falam, passam longe da fofoca, das maldades ampliadas no boca a boca.
É possível detectá-las nas pessoas que não usam um tom superior de voz.
Nas pessoas que evitam assuntos constrangedores porque não sentem prazer em humilhar os outros.
É possível detectá-la em pessoas pontuais.
Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se está ou não está.
É elegante não ficar espaçoso demais.
É elegante não mudar seu estilo apenas para se adaptar ao de outro.
É muito elegante não falar de dinheiro em bate-papos informais.
É elegante retribuir carinho e solidariedade.
Sobrenome, jóias, e nariz empinado não substituem a elegância do gesto.
Não há livro que ensine alguém a ter uma visão generosa do mundo, a estar nele de uma forma não arrogante.
Pode-se tentar capturar esta delicadeza natural através da observação, mas tentar imitá-la é improdutivo.
A saída é desenvolver em si mesmo a arte de conviver, que independe de status social: é só pedir licencinha para o nosso lado brucutu, que acha que com amigo não tem que ter estas frescuras.
Se os amigos não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que não irão desfrutá-la.
Educação pode enferrujar por falta de uso. E, detalhe: não é frescura.

Martha Medeiros 

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

"A Ecologia Política"!

Desde os anos 80, um sentimento de impotência se espalhou pelo planeta, e mais particularmente nos países tendo passado por experiências  democráticas.
O voto não parece mais ter sentido : uma vez eleitos, todos  os dirigentes, apesar de suas promessas, logo voltam para a " única política possível, a que é ditada pelas exigências da globalização ". Ora, para a  maioria, esta política só traz um cortejo de infelicidades : insegurança,  pobreza, exclusão…
Este sentimento de " esvaziamento do político " tem uma dupla dimensão:
• Quanto aos conteúdos do que se chama " a política ", i.e., " o que se faz ", as estratégias e os objetivos parecem reduzir-se a uma infra política, à  simples optimização da competitividade que, por sua vez, traduz-se pelo  abandono de toda pretensão social.
• Quanto às formas e aos domínios do que se chama "a política " - i.e.,"como e com quem se age ", o que constitui a própria definição da cidade (polis) dos homens e das mulheres - eles parecem reduzir-se a uma coleção de indivíduos em competição mal contrabalanceada por regulamentos abstratos caídos do céu (de Bruxelas, da OMC) e, em geral, desfavoráveis.
A sociedade não é no entanto um mercado.O desejo, as necessidades de sociedades assumem a forma de reações identitárias. : integrismos no Terceiro Mundo, populismos autoritários e xenófobos no Norte.  A ecologia não é percebida como uma recusa da política por velhos hippies, uma atração íntima por flores e passarinhos ? Primeiro, vamos retificar esta imagem e redefinir o que é ecologia enquanto política. Em seguida, examinaremos como responde  à crise da política e de seus conteúdos, à crise da política e de suas formas.
O que é a ecologia política?
A expressão " ecolô " já indica por si própria a visão redutora e muitas vezes caricatural que tem da ecologia uma grande parte da opinião pública.  Do deboche, a opinião pública evolui para a perplexidade quando à ecologia se acrescenta a palavra política. Não há dúvida que a ecologia política, pelo menos aos olhos da opinião pública, ainda não adquiriu o estatuto de " noção clara e distinta ".
O que é então ecologia? E ecologia política?
O que é ecologia?
Segundo o dicionário Le Petit Robert, a palavra aparece na segunda metade do século XIX. Termo utilizado pela biologia, em sua origem, a ecologia é uma disciplina científica. É a ciência que estuda a relação triangular entre indivíduos de uma espécie, a atividade organizada desta espécie e o meio-ambiente, que é ao mesmo tempo condição e produto  da atividade, portanto condição de vida daquela espécie. O ecologista que se interessa por castores se dedicará a analisar a relação deles ao meio em que vivem: a floresta e os rios, mas também as barragens  que constróem, ou seja, a natureza transformada por sua atividade.
O ecologista se interessará ainda pela capacidade do sistema a assegurar as necessidades da  população de castores e sobre o modo como esta população se multiplica, se organiza,etc
Aplicada aos homens, a ecologia torna-se o estudo da relação da humanidade com o meio-ambiente, i.e., a maneira como se transformam mutuamente e como o meio-ambiente permite que a humanidade viva. Da mesma forma que o meio-ambiente dos castores não se limita a florestas e a rios, o meio-ambiente dos homens não é apenas natureza selvagem, incluindo também a natureza transformada por êles. A ecologia humana é portanto a interação complexa entre meio-ambiente (o meio em que vive a humanidade) e o funcionamento econômico,social e, acrescentemos, político das comunidades humanas.
Esta é uma diferença significativa entre a ecologia da espécie humana e a ecologia das outras espécies animais. Com efeito, os homens são animais não apenas sociais, mas também políticos. No entanto, na origem da especificidade da ecologia humana, há uma outra característica que remonta a seus primeiros passos na face da terra. Atualmente, sabe-se que a capacidade de produzir instrumentos não é mais uma exclusividade dos humanos, uma vez que chimpanzés são capazes de improvisarem certos instrumentos, ainda que rudimentares. Os homens, ao contrário, não pararam de melhorar seus instrumentos e, consequentemente, sua capacidade de ação e de transformação do meio-ambiente, pela " domesticação " de plantas e animais desde a revolução do neolítico.
Durante milhares de anos, tudo girou em torno da luta contra a fome e as intempéries. Viver o mais possível em harmonia com a ordem do mundo constituiu um ato de sabedoria daqueles homens do passado remoto. Mais perto dos tempos atuais, há quatro séculos, iniciou-se uma verdadeirareversão. Se, até então, o problema era de submeter-se à ordem da natureza, daí para frente a natureza é que deveria se ajustar aos desejos dos homens. Os incessantes progressos da ciência e de suas aplicações técnicas reforçaram cada vez mais o sentimento de que os homens eram " mestres e donos da natureza ". Durante a segunda metade do século XX, depois da expansão que se seguiu a 2ª Guerra Mundial, este movimento de emancipação chegou a seus limites. Os " milagres " da técnica e da tecnologia começaram a dar mostras de falhas ; acidentes " imprevisíveis " multiplicaram-se e seus efeitos alcançaram escala planetária (marés negras,Tchernobyl).  A importância que vem adquirindo estas novas inquietações levou a que alguns obervadores tentassem discernir os mecanismos econômicos e políticos geradores dosdesequilíbrios ecológicos. É sobre esta base conceitual e histórica que constituiu-se a ecologia política. Em seguida, aprofundou-se a análise crítica do funcionamento geral das sociedades industriais avançadas que, por sua vez, permitiu uma reflexão paralela sobre os meios a serem adotados para caminhar-se em direção de um outro modo de desenvolvimento.
Da ciência à política
A passagem da ciência à ecologia política introduz questões sobre o sentido doque fazemos, levando a uma série de outras perguntas : em que medida nossa organização social, a maneira como produzimos e consumimos, modificam o meio-ambiente? E, mais precisamente, como pensar a combinação, a interpenetração, a disposição destes diversos fatores nas ações sobre o meio-ambiente? Serão favoráveis os efeitos destas modificações sobre os indivíduos? Desfavoráveis? A ecologia científica diz-nos quais são os efeitos de nossos comportamentos e práticas ; esclarece-nos sobre o que está em jôgo. Aos homens, no entanto, cabe-lhes escolher o modo de desenvolvimento que desejam, em função de valores que evoluem no curso de debates públicos.
Levando a sério os desequilíbrios provocados pela atividade humana, a ecologia política vai interrogar-se sobre a modernidade e desenvolver uma análise crítica do funcionamento das sociedades industriais. Esta análise questiona um certo número de valores e de conceitos-chave sobre os quais se apóiam nossa cultura ocidental.
A natureza. Já evocamos o sentimento de poderio e de domínio sobre a natureza que desenvolveu-se progressivamente a partir do século XVIII.
Uma exaltação narcísica que tendeu a construir, sob o modo de oposição,até mesmo de antagonismo, a relação entre homem e natureza. Com isto alcançavam-se dois objetivos : a natureza servindo para valorizar os homens que, ao mesmo tempo, pareciam se ter destacado dela. Particularmente, a comparação entre os homens e outras espécies animais permitiam tornar manifesta a diferença, tornando implícita sua metamorfose. A depreciação da natureza banalizava as práticas mais degradantes a que era submetida, assim como os animais e mesmo os povos indígenas, que os europeus descobriam e julgavam " não-civilizados ". A ecologia política considera que foram amplamente ultrapassados os limites do aceitável e que chegou a hora de um questionamento geral de práticas e representações, já que não são independentes. Os homens fazem parte íntima da natureza, respiram-na e dela tiram sua alimentação, ainda que jovens atuais imaginem mais espontâneamente produtos derivados do leite em supermercados do que no campo. É claro que não se trata de cair no extremo oposto, o de uma sacralização da natureza. A ecologia política questiona a oposição natureza / cultura, mas relativizando-a. Parece-nos bem mais fecundo interessar-se mais pela complexidade do mundo vivo do que pela oposição homem / natureza. Os homens e seu meio-ambiente não param de
transformar-se mutuamente, sendo assim importante convencer-se que ambos estão envolvidos numa evolução interdependente (co-evolução). O progresso... Depois de Hiroxima, de Tchernobyl e dos buracos na camada de ozônio, ou mais recentemente, da crise da vaca louca, devemos avaliar as consequências de um progresso que já não aparece nem como linear nem sem limites : o progresso técnico não é necessariamente sinônimo de emancipação humana e de melhorias do meio-ambiente. Para a ecologia política, não se trata no entanto de rejeitar a noção de progresso nem de mergulhar num catastrofismo antitécnico. Trata-se de dar o lugar certo ao progresso técnico, uma vez não há razão para considerá-lo "naturalmente" dotado de virtudes. Para os ecologistas, o desenvolvimento das capacidades humanas não constitui um valor em si. A tecnologia introduziu-se em nosso mundo quotidiano trazendo consigo novas vulnerabilidades, novas dependências. A técnica nunca conseguirá suprimir todos os riscos, provocando mesmo novos riscos. Depois de ter tentado domesticar a natureza, temos agora de aprender a domesticar o próprio progresso. O que supõe ter sempre em mente as duas faces do progresso: por um lado, solução para crises e, por outro, fator de cirses ecológicas. O progresso técnico diz-nos o que se pode fazer (OGM, por exemplo), mas não nos diz o que é bom ou mal. Não é porque, amanhã, a ciência e a técnica nos permitirão sem dúvida escolher o sexo, a cor e o cabelo de nossos filhos e de gerações futuras que a opção destas manipulações se impõem a nós. Para a ecologia política, a questão dos valores é independente das mudanças técnicas e prévia a sua implementação... A responsabilidade... O poder das atuais tecnologias é de tal ordem que multiplicaram-se as consequências para o meio natural, para as outras espécies vivas, vegetais ou animais. Ainda que não ocorram acidentes ecológicos, o simples funcionamento de muitos sítios industriais produz efeitos nocivos para o meio ambiente. Basta pensar na criação de suínos na Bretanha ou nos diversos efluentes lançados em rios na França. A decisão de andar de carro ou de trem, o nível de calefação de nossas casas influem no clima. Degradamos o meio que nos faz viver.
Há coisas milagrosas em nosso planeta, mas há também o horror. A beleza do mundo é um desses milagres ; se a sacrificamos, o que sobrará ? Este meio nos torna a vida possível, pode ser fonte de alegria, ou em outros termos, de alegria de estar no mundo. Este meio somos nós também que o produzimos, que o legaremos a nossos filhos e aos filhos de nossos filhos. Ele é o berço, o domínio e a casa que preparemos para sua acolhida. Desejar filhos, trazê-los ao mundo e não se preocupar com o mundo devastado que nós lhes legamos, que pena!
A solidariedade. O princípio da propriedade e o consequente poder econômico não deveriam dar a seus detentores o direito de influir discricionariamente sobre a vida dos outros. Mas é assim que as coisas se passam à vista d'olhos. Por vezes, ainda que de maneira indireta, embora mas não menos determinante, este poder se estende até um direito de vida ou de morte. Leva alguns ao fundo do desespero porque sentem-se completamente incapazes de encontrar um lugar na sociedade, de ganharem seu sustento, de viverem decentemente, seja porque desde muito jovens viram-se marginalizados, seja porque sofrem as consequências de demissõesaos 40 anos, quando reconversões tornam-se impossíveis e as obrigações familiares, esmagadoras porque impossíveis de serem cumpridas.
Com o Direito e seu funcionamento implacável, seu caráter algo sacralizado, não há o risco de uma perda de sentido mais profundo? A riqueza dos indivíduos constitui-se sempre sobre a base da cooperação social. Um indivíduo isolado, sem laços com seus congêneres, não conseguiria sequer sobreviver. Se um indivíduo enriquece, ele deve seu enriquecimento a toda a cadeia de seus semelhantes que construíram o mundo onde ele nasceu e a seus contemporâneos que participaram direta ou indiretamente a seu enriquecimento.
Isso não deveria levar a um direito de retorno que se traduziria num dever de solidariedade mínimo? Uma sociedade, que tende a abolir o princípio do dom implicando o contra-dom, não estará correndo o risco de se desfazer, de se decompor? A simples solidariedade, mas também a dívida direta, nos impõe de não permanecermos indiferentes a infelicidade de um continente inteiro. A África está exangue e não somo salheios a esta situação.. A responsabilidade é apenas aparente se não for acompanhada de autonomia, que implica reconquista, por indivíduos e coletividades, do contrôle de suas atividades de produção, de sua vida quotidiana e de decisões públicas.
Trata-se de traduzir em atos um certo número de fórmulas : "meter a mão na massa", "participar", "ver as consequências de seus próprios atos". As implicações destes atos ocorrem em níveis diversos - da empresa, da cidadania em plano local, regional e nacional.
Recolocar o conteúdo no centro da política Os enunciados precedentes mostram uma evidência : a ecologia é portadora de muitíssimos novos conteúdos, ou melhor, constitui um intenso apêlo para que haja interêsse por conteúdos. A ecologia fixa objetivos, redefine meios e estratégias.
Coisas que pareciam ter desaparecido da " política " reduzida à competição pelo poder entre homens e partidos intercambiáveis.
A esperança revolucionária sumiu do horizonte, o comunismo faliu e o projeto socialista decepcionou. Portadora de grandes ambições durante todo o século, a política debilitou-se muito nos dias de hoje. Não há mal em que a política torne-se mais modesta, mas sua atual impotência e seu enfraquecimento face à economia são extremamente perniciosos. Uma sociedade sem projeto político, entregue às forças do mercado, sugada na espiral do " produzir cada vez mais " só pode levar a um crescimento das desigualdades sociais e das cirses ecológicas. É portanto urgente de dar novamente sentido e conteúdo à política.
Um novo modelo de desenvolvimento : o desenvolvimento sustentável Segundo a definição adotada pela ONU, desenvolvimento sustentável é o que permite satisfazer as necessidades das gerações atuais, começando pelos mais carentes, sem comprometer as possibilidades de que geraçõs futuras também possam satisfazer suas necessidades.
O que implica a idéia de desenvolvimento sustentável ? A idéia encerra duas dimensões. Atualmente, supõe que este modo de desenvolvimento responda às necessidades de todos. E, a longo prazo, supõe que este modelo possa durar. O desenvolvimento sustentável inclui também a idéia de redistribuição (ou de justiça social), uma vez que propõe uma ordem para a satisfação das necessidades: começar pelos mais carentes.
Mas, como fazer? Como reorientar nosso desenvolvimento para que se torne sustentável ? Primeiro imperativo: economizar o fator Terra, dando prioridade a tecnologias que economizam energia e, mais amplamente, que respeitem o meio-ambiente. Segundo imperativo : implementar novas regulamentações, acrescentandoà proteção social a proteção do meio-ambiente. Para tanto, os meios existem. Estendem-se de medidas regulamentares (leis e normas), a meios econômicos (eco-impostos, autorizações negociadas) passando por acordos de autolimitação e códigos de boa conduta. Cada um desses instrumentos obedece a uma lógica diferente. Alguns permitem que se reparem degradações; outros, que se indenizem danos causados por terceiros ; outros, ainda, que se previnam efeitos nocivos pela dissuasão. Sem dúvida, a via do imposto dissuasivo é a mais promissora. Duplamente promissora porque, ao lado de seu efeito protetor do meio-ambiente, também oferece à coletividade recursos novos podendo ser alocados a outras políticas. Por exemplo, baixar o custo do trabalho no quadro de políticas de crescimento do emprego. Com isso, chegamos ao efeito redistributivo do modelo de desenvolvimento sustentável. Os mais carentes não tem meios de poluir e, frequentemente, são também os mais atingidos por poluições. Serão portanto os maiores beneficiários de uma reeorientação geral para o desenvolvimento sustentável. A curto prazo, podem ser penalizadas as classes auferindo renda pouco significativa. Para estas classes, restrições ao uso livre e gratuito do meio-ambiente poderão turvar a miragem de uma generalização do modelo da sociedade de consumo, do qual não percebem o caráter insustentável e perigoso para sua própria saúde. Às novas políticas ecológicas é portanto necessário acoplar reformas sociais, senão aquelas políticas não parecerão legítimas.
A longo prazo, e do ponto de vista do interesse geral, são evidentes as vantagens do desenvolvimento sustentável. Infelizmente, no entanto, é muito raro que se imponha o interesse da humanidade, a fórmula "depois de mim, o dilúvio" sendo muito mais adotada. Como fazer para que forças sociais e políticas se interessem pelo desenvolvimento sustentável? Certamente através de um intenso debate ideológico e cultural, visando modificar a percepção da escala dos riscos e das vantagens do desenvolvimento sustentável, fazer progredir os valores e normas da ecologia. Para além da política e de seus conteúdos, é a instância política, seu campo e seus métodos, que deve ser reconstruída.
Repensar a instancia política entre o global e o local. Os governos parecem incapazes de resolver tanto problemas quotidianos como os que têm dimensão planetária ; seja impedir demissões em alguma empresa, que aliás apresenta excelentes resultados econômicos, seja lutar contra o aquecimento da temperatura no mundo. Num momento em que não há mais limites para o poder econômico e financeiro, o poder político continua dependendo amplamente do princípio da soberania dos estados. A relação de forças encontra-se portanto não só desigual mas invertida.
Para que a instância política readquira credibilidade e, portanto, meios de ação, é indispensável alcançar um novo equilíbrio..."Pensar globalmente, agir localmente"
A mundialização e as fortes tensões que abalam os Estados-nação, quando não levam a sua implosão, reforçam a pertinência desta palavra-de-ordem surgida entre os ecologistas dos anos 70.
Pensar globalmente. Porque a ecologia política se apropria máximas que podem ser asdo humanismo em geral: "Sou homem e nada que é humano me é estranho" ; "Somos todos responsáveis de tudo e diante de todos, particularmente, de eu mesmo".
Pensar globalmente corresponde a elevar-se ao nível de uma visão planetária, que o saber ecológico tornou possível. Visão do estado do planeta, de sua degradação contínua, do jôgo complexo de causas e consequências e, parte essencial deste jôgo, a atividade Humana sob suas diversas formas. Este é um aspecto essencial, o " contrôle da natureza "constituindo um fantasma que parece prudente de não evocar em demasia.
Mas, ao contrário, da atividade humana somos responsáveis e podemos, em todo caso devemos, esperar manter o controle.
Agir localmente. A vontade de encarregar-se do meio-abiente imediato, de agir por si, à escala de cada um. Contra o centralismo, contra a tecnocracia, é a revindicação de um direito : o de obter uma aproximação entre poder político e cidadãos, de regionalização, até de municipalização do poder político ou, melhor dito, de uma reapropriação da política sem delegação nem subordinação. A possibilidade de pensar a escala planetária suscita nossa responsabilidade local e deveres consequentes. O agir localmente permite que melhor se meça o que está em jogo e as consequências de seus próprios atos. Permite também que se avalie como, na ausência de ação, o horizonte é de infantilismo, de recriminação estéril e repetitiva que perpetua o status quo. Poucos são os que percebem a que ponto as consequências de seus próprios atos, ínfimos a seus olhos, tornam-se enormes e mudam de escala quando são ampliadas pelo número de atores sociais envolvidos. E ainda que o soubessem, será que isto adiantaria muito?
Quem levaria em conta estas aspirações? "Nosso modo de vida não é negociável", foi como o ex-presidente Bush reagiu às negociações da Eco-92, no Rio de Janeiro.Agir globalmente, pensar localmente Como responder a este cinismo e egoísmo senão através de leis globais, que empeçam os homens de serem nocivos em escala planetária? E, sendo necessário agir globalmente, é preciso convencer em lugares precisos, através de acordos locais, que se aceitem leis globais.
Agir  globalmente, pensar localmente, esta deve ser a devisade uma ecologia política pragmática e realista. Agir globalmente... Trata-se de fixar regras de uma ordem superior àsescalas tradicionais (em particular, o Estado-nação) e munir-se de meios para que sejam aplicadas. Trata-se de eliminar efeitos perversos derivados de certas interações, de impedir condutas que parecem localmente vantajosas mas que, por sua acumulação, podem ter consequências desastrosas para o conjunto.
Resumindo, trata-se de estabelecer regulamentações para o jôgo cego dos egoismos e das concurrências mercantis, das relações de forças do poder geopolítico, para privilegiar práticas úteis mutuamente. Pensar localmente.
Este aspecto, parece-nos, é essencial. Não faltam teóricos, e principalmente na França, para pensar globalmente. Quanto a agir globalmente, i.e., elaborar tratados internacionais, com aditivos de leis nacionais e decretos de regulamentação, há legisladores, ministros e seus gabinetes, que sabem muito bem como o fazer. Os problemas só começam a aparecer quando se chega ao nível da implementação local. As regulamentações só têm efeito quando cidadãos crêem em sua utilidade, estão convencidos de que têm sentido. Quando obrigações parecem justificadas. Em sociedades democráticas, esta justificação supõe a adesão ao princípio do interesse geral que, por sua vez, implica que local ou individualmente perceba-se suas vantagens.
Sem a adesão dos atores não se faz nada durável. É assim que entendemos a fórmula "pensar localmente". Para a ecologia política, é preciso agir para que se amplie a tomada de consciência de efeitos distantes da vida de cada um, de modo a tornar justificáveis restrições impostas por leis. Trata-se de, pouco a pouco, amadurecer em comunidades locais a consciência de um destino comum do gênero humano, de necessidades comuns, de vantagens recíprocas. Trata-se ainda de agir politicamente para codificar regras ao nível internacional, que maiorias locais estejam dispostas a aceitar.

Conclusão
Faz pouco tempo que somos 6 bilhões de seres humanos. De semelhantes, ainda   diz-se. Há no entanto uma enorme disparidade. Para constatar isso basta que nos limitemos aos personagens valorizados pela mídia dentre a massa de anônimos. Pelo lado do horror, impera a abundância : homens do GIA, milícias sérbias na Bósnia e no Kossovo, os virtuoses das machadinhas no Ruanda. Outros homens chamam-se E. Levinas, P. Ricoeur, H. Jonas.
Convidam-nos a manter relações humanas bem diferentes. É preciso um singular esforço de imaginação para considerá-los, uns e outros, como semelhantes. É grande a tentação de ver os primeiros como pré-hominídeos.
Mas sabemos que os homens não são isso ou aquilo. São seres em constante transformação, construindo-se a si mesmos. As relações sociais das quais participamos, da infância até a velhice, desempenham um papel essencial nesse processo. Está em nossas mãos, consequentemente, o evoluir para uma humanidade bárbara ou civilizada. É isso que está em jôgo para a ecologia política. Quanto a nós, estamos convencidos que a ecologia política está destinada a ter uma influência durável sobre a humanidade de amanhã.

Alain Lipietz

domingo, 10 de fevereiro de 2013

"Narcisos Contemporâneos"!




Na mitologia grega, Narciso era um jovem bonito e vaidoso.
Um dia, Narciso curvou-se para beber água em uma fonte, e vendo sua própria face refletida na água, enamorou-se dela.
A lenda nos conta que ele foi definhando, dia após dia, sem se alimentar, sem descansar, encantado pelo reflexo de sua própria imagem na superfície da água, até morrer.
Foi Sigmund Freud que acrescentou o termo “narcisismo”ao vocabulário da psicologia para designar amor à própria imagem.
O termo contemplava também a etapa do desenvolvimento na qual a criança faz do próprio eu o objeto principal de seu amor.
Segundo o manual americano de diagnóstico de distúrbios mentais, narcisistas são indivíduos arrogantes e convencidos, que têm fantasias magníficas sobre si mesmos.
Eles superestimam seu sucesso, precisam ser constantemente admirados e sempre esperam tratamento preferencial.
Os narcisistas estão convencidos de que merecem mais do que recebem. Preocupam-se em ter boa aparência e manter-se jovens.
Não são sensíveis às necessidades e aos problemas dos outros.
Com pouca tolerância para crítica, freqüentemente reagem com fúria a ofensas reais ou imaginárias.
Em suma, os narcisistas focalizam a si mesmos, fascinados com sua personalidade e seu corpo.
“Com um individualismo atroz que carece de valores morais e sociais e se desinteressa por qualquer questão transcendental”.
Percebe-se que o distúrbio em questão é bastante sério, e comum de se encontrar nos dias de hoje.
Vivemos dias em que cultuamos o narcisismo, seja na esfera individual, coletiva e das grandes mídias.
Muitos valores do mundo contemporâneo não passam de conseqüências de um narcisismo disfarçado de “bem-estar”, de “saúde”, de “prazer”.
Desta forma faz-se urgente uma revisão em todos os valores que temos, em todas as coisas a que damos importância e em que aplicamos nossas energias.
Nas adolescentes anoréxicas; no exibicionismo de corpos esculturais na televisão; nas cirurgias plásticas excessivas; nos expectadores que compram quaisquer novas idéias impostas pelas mídias, percebemos o narcisismo reinante.
Talvez seja necessário relembrar as conseqüências do comportamento de Narciso.
Iludidos pela imagem do corpo, pela superficialidade dos valores do Mundo, não só o corpo, mas sobretudo a alma acaba definhando, perdendo-se num mar de ilusões passageiras.


Mário Pereyra

sábado, 9 de fevereiro de 2013

"Afinidade"!

Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto, no exato ponto em que foi interrompido.
Afinidade é não haver tempo mediando a vida.
É uma vitória do adivinhado sobre o real.
Do subjetivo sobre o objetivo.
Do permanente sobre o passageiro.
Do básico sobre o superficial.
Ter afinidade é muito raro.
Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas.
O que você tem dificuldade de expressar a um não afim, sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavra.
É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.
Afinidade é sentir com. Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por, nem sentir pelo.
Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.
Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.
É olhar e perceber. É mais calar do que falar.
Ou quando é falar, jamais explicar, apenas afirmar.
Afinidade é jamais sentir por.
Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar.
Compreende sem ocupar o lugar do outro.
Aceita para poder questionar.
Quem não tem afinidade, questiona por não aceitar.
Só entra em relação rica e saudável com o outro,quem aceita para poder questionar.
Não sei se sou claro: quem aceita para poder questionar,não nega ao outro a possibilidade de ser o que é, como é, da maneira que é.
E, aceitando-o, aí sim, pode questionar, até duramente, se for o caso.
Isso é afinidade!


Arthur da Távola

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

"Para Meus Amigos"...



Para meus amigos que estão...SOLTEIROS
O amor é como uma borboleta. Por mais que tente pegá-la, ela fugirá.
Mas quando menos esperar, ela está ali do seu lado.
O amor pode te fazer feliz, mas às vezes também pode te ferir.
Mas o amor será especial apenas quando você tiver o objetivo de se dar somente a um alguém que seja realmente valioso. Por isso, aproveite o tempo livre para escolher .
Para meus amigos...NÃO SOLTEIROS
Amor não é se envolver com a "pessoa perfeita", aquela dos nossos sonhos.
Não existem príncipes nem princesas.
Encare a outra pessoa de forma sincera e real, exaltando suas qualidades, mas sabendo também de seus defeitos.
O amor só é lindo, quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser.
Para meus amigos que gostam de...PAQUERAR
Nunca diga "te amo" se não te interessa.
Nunca fale sobre sentimentos se estes não existem.
Nunca toque numa vida, se não pretende romper um coração.
Nunca olhe nos olhos de alguém, se não quiser vê-lo derramar em lágrimas por causa de ti.
A COISA MAIS CRUEL QUE ALGUÉM PODE FAZER É PERMITIR QUE ALGUÉM SE APAIXONE POR VOCÊ, QUANDO VOCÊ NÃO PRETENDE FAZER O MESMO.
Para meus amigos...CASADOS.
O amor não te faz dizer "a culpa é", mas te faz dizer "me perdoe".
Compreender o outro, tentar sentir a diferença, se colocar no seu lugar.
Diz o ditado que um casal feliz é aquele feito de dois bons perdoadores.
A verdadeira medida de compatibilidade não são os anos que passaram juntos;
mas sim o quanto nesses anos vocês foram bons um para o outro.
Para meus amigos que têm um CORAÇÃO PARTIDO
Um coração assim dura o tempo que você deseje que ele dure, e ele lastimará o tempo que você permitir.
Um coração partido sente saudades, imagina como seria bom, mas não permita que ele chore para sempre.
Permita-se rir e conhecer outros corações.
Aprenda a viver, aprenda a amar as pessoas com solidariedade, aprenda a fazer coisas boas, aprenda a ajudar os outros, aprenda a viver sua própria vida.
A DOR DE UM CORAÇÃO PARTIDO É INEVITÁVEL, MAS O SOFRIMENTO É OPCIONAL!
E LEMBRE-SE: É MELHOR VER ALGUÉM QUE VOCÊ AMA FELIZ COM OUTRA PESSOA, DO QUE VÊ-LA INFELIZ AO SEU LADO.
Para meus amigos que são...INOCENTES.
Ela(e) se apaixonou por ti, e você não teve culpa, é verdade.
Mas pense que poderia ter acontecido com você. Seja sincero, mas não seja duro; não alimente esperanças, mas não seja crítico; você não precisa ser namorado(a), mas pode descobrir que ela(e) é uma ótima pessoa e pode vir a se tornar uma(um) grande amiga(o).
Para meus amigos que tem MEDO DE TERMINAR.
As vezes é duro terminar com alguém, e isso dói em você.
Mas dói muito mais quando alguém rompe contigo, não é verdade?
Mas o amor também dói muito quando ele não sabe o que você sente.
Não engane tal pessoa, não seja grosso(a) e rude esperando que ela(e) adivinhe o que você quer.
Não a (o) force terminar contigo, pois a melhor forma de ser respeitado é respeitando.
Pra terminar ...
Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata....
Um dia descobrimos que beijar uma pessoa para esquecer outra, é bobagem.Você não só não esquece a outra pessoa como pensa muito mais nela...
Um dia descobrimos que se apaixonar é inevitável...
Um dia percebemos que as melhores provas de amor são as mais simples...
Um dia percebemos que o comum não nos atrai...
Um dia saberemos que ser classificado como o "bonzinho" não é bom . .
Um dia perceberemos que a pessoa que nunca te liga é a que mais pensa em você...
Um dia percebemos que somos muito importante para alguém, mas não damos valor a isso...
Um dia percebemos como aquele amigo faz falta, mas ai já é tarde demais...
Enfim...
Um dia descobrimos que apesar de viver quase um século esse tempo todo não é suficiente para realizarmos todos os nossos sonhos, para dizer tudo o que tem que ser dito...
O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutamos para realizarmos todas as nossas loucuras...
"Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação".


Martha Medeiros

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

"Quero tudo Novo de Novo"...


Quero tudo novo de novo...
Quero não sentir medo...
Quero me entregar mais, me jogar mais... Amar mais.
Viajar até cansar. Quero sair pelo mundo.... Quero fins de semana de praia...
Aproveitar os amigos e abraçá-los mais.
Quero ver mais filmes e comer mais pipoca, ler mais... Sair mais.
Quero um trabalho novo...
Quero não me atrasar tanto, nem me preocupar tanto...
Quero morar sozinha, quero ter momentos de paz... Quero dançar mais.
Comer mais brigadeiro de panela, acordar mais cedo e economizar mais.
Sorrir mais, chorar menos e ajudar mais... Pensar mais e pensar menos.
Andar mais de bicicleta... Ir mais vezes ao parque.
Quero ser feliz, quero sossego, quero outra tatuagem... Quero me olhar mais.
Cortar mais os cabelos. Tomar mais sol e mais banho de chuva.
Preciso me concentrar mais, delirar mais...
Não quero esperar mais.
Quero fazer mais... Suar mais, cantar mais e mais.
Quero conhecer mais pessoas...
Quero olhar para frente e só o necessário para trás.
Quero olhar nos olhos do que fez sofrer e sorrir e abraçar, sem mágoa...
Quero pedir menos desculpas, sentir menos culpa...
Quero mais chão, pouco vão e mais bolinhas de sabão...
Quero aceitar menos, indagar mais, ousar mais. Experimentar mais...
Quero menos “mas”. Quero não sentir tanta saudade. Quero mais e tudo o mais...
“E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha".


 Fernando Pessoa

"A Gente se Acostuma"!


Eu sei que a gente se acostuma...
Mas não devia!!!
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e não ver vista que não sejam as janelas ao redor.
E porque não tem vista logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora, logo se acostuma e não abrir de todo as cortinas
E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, se esquece do sol, se esquece do ar, esquece da amplidão.
A gente se acostuma a acordar sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder tempo. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E não aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: “hoje não posso ir”. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisa tanto ser visto. 
A gente se acostuma a pagar por tudo o que se deseja e necessita. E a lutar para ganhar com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra. 
A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes. A abrir as revistas e ler artigos. A ligar a televisão e assistir comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. 
A gente se acostuma à poluição, às salas fechadas de ar condicionado e ao cheiro de cigarros. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam à luz natural. Às bactérias de água potável. À contaminação da água do mar. À morte lenta dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galo de madrugada, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta por perto. 
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta lá.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua o resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem muito sono atrasado.
A gente se acostuma a não falar na aspereza para preservar a pele. Se acostuma para evitar sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Marina Colassanti

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

"Vítimas de Nós Mesmos"!



Quantas pessoas do nosso convívio conseguem nos tirar do sério? Quantas pessoas que conhecemos, conseguem nos fazer perder a paciência?
Frequentemente usamos dessas expressões para justificar nossa descompostura ou desequilíbrio, ao culpar fulano ou beltrano.
Agora nos resta perguntar por que alguém consegue fazer-nos perder a paciência, ou por que alguém é capaz de provocar uma mudança em nossa atitude.
E esses nossos descontroles cotidianos acontecem em qualquer ambiente. Algumas vezes na família, outras tantas no trabalho. Ou, ainda, nas corriqueiras relações sociais.
E sempre estamos a justificar que a culpa é de alguém. Sempre estamos prontos a explicar que se não fosse essa ou aquela pessoa agir desta ou daquela forma, nada disso aconteceria.
Colocamos a culpa do descontrole em alguém, em algo e, ao nos tornarmos vítimas da situação, nada nos resta a fazer, pois afinal, o problema está nos outros e não em nós.
Mas, será que somos apenas reféns das situações, e realmente nada podemos fazer a não ser reagir a elas?
Lembremo-nos da última contenda, da última discussão na qual nos envolvemos. Nada poderíamos ter feito para evitá-la? Nada estava ao nosso alcance para que a situação fosse minimizada?
Recordemo-nos do nosso último desentendimento familiar. Será que a maneira como agimos e nos comportamos realmente era a única possível?
Ao fazermos essa breve análise, claro fica que poderíamos ter tido outras atitudes.
Poderíamos nos calar em algum momento, ao invés de soltar a palavra ácida e corrosiva. Poderíamos buscar o entendimento ao invés da provocação. Poderíamos suavizar o tom de voz ao invés dos arroubos no falar.
Porém, se optamos por agir de outras maneiras, não foi culpa de ninguém, nem de situação nenhuma. Foi apenas uma opção pessoal.
Poderíamos ter pensado antes de falar, refletido antes de agir, mas preferimos a reação à ação. Enquanto a reação é irrefletida e calca-se nos instintos, a ação é atitude pensada e amadurecida na reflexão.
Desta forma, ao dizer que perdemos a paciência, ao constatar que saímos do sério, somos responsáveis por essas atitudes. E, apenas vítimas de nós mesmos.
Jamais poderemos justificar que alguém nos faz perder a paciência. Ao contrário, somos nós que não temos a paciência suficiente para a situação que se apresenta.
Ou ainda, de maneira nenhuma poderemos acreditar que algo ou alguém nos faz sair do sério, nos faz perder a compostura.
A atitude tomada é sempre uma opção de cada um que, perante tal ou qual situação, não consegue ou não quer comportar-se de maneira mais digna ou melhor.
Assim, não mais nos permitamos ser vítima de nossas próprias atitudes ou reações.
Reflitamos antes do agir, pensemos mais detidamente antes de falar e, acima de tudo, compreendamos que todas as nossas relações sociais, por mais difíceis que nos pareçam, são lições abençoadas no aprendizado do amor ao próximo.


                                                                       
Momento Espírita

sábado, 2 de fevereiro de 2013

"Sou como Você"!!!



Sou como você me vê...posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,depende de quando e como você me vê passar...
Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato...
Tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras, sou irritável e firo facilmente.
Também sou muito calma e perdôo logo.
Não esqueço nunca. Mas há poucas coisas de que eu me lembre...
Tenho felicidade o bastante para ser doce,dificuldades para ser forte,tristeza para ser humana e esperança suficiente para ser feliz.
Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre.
Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração.
Não me façam ser quem não sou.
Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente.
Não sei amar pela metade.
Não sei viver de mentira.
Não sei voar de pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre...
Sou uma filha da natureza:quero pegar, sentir, tocar, ser.
E tudo isso já faz parte de um todo, de um mistério.
Sou uma só... Sou um ser...a única verdade é que vivo.
Sinceramente, eu vivo!!!!

                                           
Clarice Lispector