Somos Anjos e Mestres!
Todos nós sabemos alguma coisa que alguém, em algum lugar, precisa aprender e, por vezes, nós mesmos recordarmos.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

"Amor É Fogo Que Arde"!!!


Amor é fogo que arde sem se ver...
 É ferida que dói, e não se sente...
É um contentamento descontente...
 É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer... 
É um andar solitário entre a gente...
É nunca contentar-se de contente... 
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade... 
É servir a quem vence, o vencedor...
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor... 
 Nos corações humanos a amizade...
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luis de Camões


domingo, 20 de setembro de 2015

"Filtro Triplo"!!!

Na Grécia Antiga, Sócrates detinha uma alta reputação e era muito estimado pelo seu elevado conhecimento. Um dia, um conhecido do grande filósofo aproximou-se dele e disse:
- Sócrates, sabe o que eu acabei de ouvir acerca daquele teu amigo?
- Espera um minuto - respondeu Sócrates - Antes que me digas alguma coisa, gostaria de te fazer um teste. Chama-se o "Teste do Filtro Triplo".
- Filtro Triplo?
- Sim - continuou Sócrates - Antes que me fales do meu amigo talvez fosse uma boa idéia parar um momento e filtrar aquilo que vais dizer. Por isso é que eu lhe chamei o Filtro Triplo.
E continuou:
- O primeiro filtro é VERDADE. Tens a certeza absoluta de que aquilo que me vais dizer é perfeitamente verdadeiro?
- Não - disse o homem - o que acontece é que eu ouvi dizer que...
- Então - diz Sócrates - não sabes se é verdade.
- Passemos ao segundo filtro, que é BONDADE... O que me vais dizer sobre o meu amigo é BOM?
- Não, muito pelo contrário...
- Então - continuou Sócrates - Queres dizer-me algo mau sobre ele e ainda por cima nem sabes se é ou não verdadeiro. Mas, bem, pode ser que ainda passes o terceiro filtro.
- O último filtro é UTILIDADE...
- O que me vais dizer sobre o meu amigo será útil para mim?
- Não, acho que não...
- Bem - concluiu Sócrates - se o que me dirás não é nem bom, nem útil e muito menos verdadeiro, para quê dizer-me?
Usemos o Triplo Filtro na nossa vida diária, cada vez que formos falar sobre alguém.

Sócrates

sábado, 19 de setembro de 2015

"Trem Da Vida"!!!

Há algum tempo atrás, li um livro que comparava a vida a uma viagem de trem.
Uma leitura extremamente interessante, quando bem interpretada.
Isso mesmo, a vida não passa de uma viagem de trem, cheia de embarques e desembarques, alguns acidentes, surpresas agradáveis em alguns embarques e grandes tristezas em outros.
Quando nascemos, entramos nesse trem e nos deparamos com algumas pessoas que julgamos, estarão sempre nessa viagem conosco : nossos pais. Infelizmente, isso não é verdade; em alguma estação eles descerão e nos deixarão órfãos de seu carinho, amizade e companhia insubstituível... mas isso não impede que, durante a viagem, pessoas interessantes e que virão a ser super especiais para nós, embarquem.
Chegam nossos irmãos, amigos e amores maravilhosos.
Muitas pessoas tomam esse trem apenas a passeio. Outros encontrarão nessa viagem somente tristezas. Ainda outros circularão pelo trem, prontos a ajudar a quem precisa. Muitos descem e deixam saudades eternas, outros tantos passam por ele de uma forma que, quando desocupam seu acento, ninguém nem sequer percebe.
Curioso é constatar que alguns passageiros que nos são tão caros, acomodam-se em vagões diferentes dos nossos; portanto, somos obrigados a fazer esse trajeto separados deles, o que não impede, é claro, que durante o trajeto, atravessemos com grande dificuldade nosso vagão e cheguemos até eles... só que, infelizmente, jamais poderemos sentar ao seu lado, pois já terá alguém ocupando aquele lugar.
Não importa, é assim a viagem, cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, despedidas... porém, jamais, retornos. Façamos essa viagem, então, da melhor maneira possível, tentando nos relacionar bem com todos os passageiros, procurando, em cada um deles, o que tiverem de melhor, lembrando, sempre, que, em algum momento do trajeto, eles poderão fraquejar e, provavelmente, precisaremos entender porque nós também fraquejaremos muitas vezes e, com certeza, haverá alguém que nos entenderá.
O grande mistério, afinal, é que jamais saberemos em qual parada desceremos, muito menos nossos companheiros, nem mesmo aquele que está sentado ao nosso lado.
Eu fico pensando se quando descer desse trem sentirei saudades ... acredito que sim. Me separar de alguns amigos que fiz nele será, no mínimo dolorido.
Deixar meus filhos continuarem a viagem sozinhos, com certeza será muito triste, mas me agarro na esperança que, em algum momento, estarei na estação principal e terei a grande emoção de vê-los chegar com uma bagagem que não tinham quando embarcaram... e o que vai me deixar feliz, será pensar que eu colaborei para que ela tenha crescido e se tornado valiosa.
Amigos, façamos com que a nossa estada, nesse trem, seja tranqüila, que tenha valido a pena e que, quando chegar a hora de desembarcarmos, o nosso lugar vazio traga saudades e boas recordações para aqueles que prosseguirem a viagem.

Silvana Duboc


sexta-feira, 18 de setembro de 2015

"Eu Sei Tudo De Você"!!!

Eu sei tudo de você. Assim resume-se a nova febre que acomete casais desconfiados, craques nas novas tecnologias.
Eu sei tudo de você: olho seu whatsapp, baixo seus e-mails, fuxico seu instagram, bisbilhoto seu facebook. E se der, gravo suas conversas e filmo os seus momentos. Aliás, não controlo só você, mas também seus parceiros, seus filhos, seus pais e seus amigos mais próximos.
Eu sei tudo de você e só sabendo tudo de você é que eu posso confiar e declarar meu amor. Chamo isto de transparência, posso aceitar descompassos, mas quero uma relação transparente, na qual tudo que você souber de você mesmo, eu também sei.
Eu sei tudo de você. Oh, quimera pós-moderna, ilusão dos inseguros.
Nada disto pessoinhas antenadas, nada de pensar que sua bisbilhotice vai lhes trazer maior conhecimento a respeito de quem quer que seja. Bons tempos aqueles nos quais as pessoas se envergonhavam de abrir uma gaveta alheia e quando bolsa de mulher e paletó de homem eram intocáveis. Agora, com a desculpa rala de ver uma foto ou de que seu celular estava tocando, os sherloquinhos conectados se permitem a incursões invasivas e indecentes.
Pensam que se a tecnologia está aí então é para ser usada, quando a ética reza o contrário: a existência da possibilidade não autoriza o seu uso.
Ademais, há um erro básico em imaginar que se conhece uma pessoa por colher informações supostamente secretas. Nenhum ser humano é traduzível em palavras, o mais essencial de nós mesmos não tem palavras, nem nunca terá.  Nem mesmo a própria pessoa sabe de si, é o que todos os dias verifico nos analisandos.
A psicanálise melhora esse conhecimento, mas não tem intenção de extenuá-lo. Aliás, se uma parte do tratamento visa o se conhecer melhor, outra, talvez a mais importante, visa dar condições à pessoa decidir sobre o que não conhece e que nunca conhecerá de si e dos outros.
Espera uma revisão, em nossos tempos, o conceito de traição e de fidelidade.
Não nos basta mais nos aferrarmos à velha divisão simplista e maniqueísta, do branco e do preto, do fiel e do infiel. O amor, especialmente na pós-modernidade, não se expressa em nenhuma moral de costumes. Amar é bem mais complexo do que o claro ou escuro. São as nuances que melhor rimam com os romances.
Alguém poderia perguntar por que nestes tempos pós-modernos, continuamos a presenciar crises de ciúmes apaixonadas. Embora pareça contraditório, não é. Exatamente porque vivemos uma época múltipla e flexível é que os ciúmes se acerbam como uma tentativa - falsa, sem dúvida - de acalmar a angústia da escolha.
Voltando, pesquisa recente afirma que 40% dos casos de traição na Itália foram provocados pelo whatsapp. Conclusão: jogar o celular pela janela? É claro que não. Só beneficiaria os fabricantes dos ditos cujos. Melhor jogar pela janela aquela pequeneza humana que não sabe diferenciar o que é da cena, com o que é da obscenidade. Explico: as pessoas acham que além da cena está escondida uma verdade maior, A Verdade maiúscula.
Ledo engano, um dos sentidos da palavra “obsceno” é exatamente “além da cena”. Assim, ir além da cena, do que está ali, visível, querer escarafunchar além, para ter mais segurança – como dizem – não trás nenhuma nova verdade...
É simplesmente obsceno.

Jorge Forbes

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

"O Lado Obscuro De Cada Um De Nós"!!!

Passou no seu casamento por aquilo que é quase um facto universal - os indivíduos são diferentes uns dos outros. Basicamente, constituem um para o outro um enigma indecifrável. Nunca existe acordo total.
Se cometeu algum erro, esse erro consistiu em ter-se esforçado demasiadamente por compreender totalmente a sua mulher e por não ter contado com o facto de, no fundo, as pessoas não quererem saber que segredos estão adormecidos na sua alma.
Quando nos esforçamos demasiado por penetrar noutra pessoa, descobrimos que a impelimos para uma posição defensiva e que ela cria resistências porque, nos nossos esforços para penetrar e compreender, ela sente-se forçada a examinar aquelas coisas em si mesma que não desejava examinar.
Toda a gente tem o seu lado obscuro que - desde que tudo corra bem - é preferível não conhecer.
Mas isto não é erro seu. É uma verdade humana universal que é indubitavelmente verdadeira, mesmo que haja imensas pessoas que lhe garantam desejar saber tudo delas próprias. É muito provável que a sua mulher tivesse muitos pensamentos e sentimentos que a tornassem desconfortável e que ela desejava ocultar de si mesma. Isto é simplesmente humano.
É também por este motivo que tantas pessoas idosas se refugiam na própria solidão, onde não serão incomodadas. E é sempre sobre coisas de que elas não desejariam estar muito cientes.
O senhor não é, obviamente, responsável pela existência destes conteúdos psíquicos. Se, apesar disto, ainda for atormentado por sentimentos de culpa, reflicta então sobre os pecados que não cometeu e que gostaria de ter cometido. Isto poderá eventualmente curá-lo dos seus sentimentos de culpa relativamente à sua mulher.

Carl Jung

terça-feira, 15 de setembro de 2015

"Saudades"!!!


Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros, quando escuto uma voz, quando me lembro do passado, eu sinto saudades...
Sinto saudades de amigos que nunca mais vi, de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...
Sinto saudades da minha infância, do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro, do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...
Sinto saudades do presente, que não aproveitei de todo, lembrando do passado e apostando no futuro...
Sinto saudades do futuro, que se idealizado, provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...
Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria e nem apareceu; de quem apareceu correndo, sem me conhecer direito, de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!
Daqueles que não tiveram como me dizer adeus; de gente que passou na calçada contrária da minha vida e que só enxerguei de vislumbre!
Sinto saudades de coisas que tive e de outras que não tive mas quis muito ter!
Sinto saudades de coisas que nem sei se existiram.
Sinto saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes, de casos, de experiências...
Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!
Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!
Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar.
Sinto saudades das coisas que vivi e das que deixei passar, sem curtir na totalidade.
Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que... não sei onde... para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...
Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades, em japonês, em russo, em italiano, em inglês...
Mas que minha saudade, por eu ter nascido no Brasil, só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.
Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria, espontaneamente quando estamos desesperados... para contar dinheiro... fazer amor... declarar sentimentos fortes...seja lá em que lugar do mundo estejamos.
Eu acredito que um simples "I miss you" ou seja lá como possamos traduzir saudade em outra língua, nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.
Talvez não exprima corretamente a imensa falta que sentimos de coisas ou pessoas queridas.
E é por isso que eu tenho mais saudades... Porque encontrei uma palavra para usar todas as vezes em que sinto este aperto no peito, meio nostálgico, meio gostoso, mas que funciona melhor do que um sinal vital quando se quer falar de vida
e de sentimentos.
Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis!
De que amamos muito o que tivemos e lamentamos as coisas boas que perdemos ao longo da nossa existência...

Clarice Lispector

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

"Múltiplas Inteligências"!!!

Uma frente avançada das ciências, hoje, é constituída pelo estudo do cérebro e de suas múltiplas inteligências. Alcançaram-se resultados relevantes, também para a religião e a espiritualidade. Enfatizam-se três tipos de inteligência.
A primeira é a inteligência intelectual, o famoso QI (Quociente de Inteligência), ao qual se deu tanta importância em todo o século XX. É a inteligência analítica pela qual elaboramos conceitos e fazemos ciência. Com ela organizamos o mundo e solucionamos problemas objetivos.
A segunda é a inteligência emocional, popularizada especialmente pelo psicólogo e neurocientista de Harvard David Goleman, com seu conhecido livro A Inteligência emocional (QE = Quociente Emocional). Empiricamente mostrou o que era convicção de toda uma tradição de pensadores, desde Platão, passando por Santo Agostinho e culminando em Freud: a estrutura de base do ser humano não é razão (logos) mas é emoção (pathos). Somos, primariamente, seres de paixão, empatia e compaixão, e só em seguida, de razão. Quando combinamos QI com QE conseguimos nos mobilizar a nós e a outros.
A terceira é a inteligência espiritual. A prova empírica de sua existência deriva de pesquisas muito recentes, dos últimos 10 anos, feitas por neurólogos, neuropsicólogos, neurolingüistas e técnicos em magnetoencefalografia (que estudam os campos magnéticos e elétricos do cérebro). Segundo esses cientistas, existe em nós, cientificamente verificável, um outro tipo de inteligência, pela qual não só captamos fatos, idéias e emoções, mas percebemos os contextos maiores de nossa vida, totalidades significativas, e nos faz sentir inseridos no Todo.
Ela nos torna sensíveis a valores, a questões ligadas a Deus e à transcendência. É chamada de inteligência espiritual (QEs = Quociente espiritual), porque é próprio da espiritualidade captar totalidades e se orientar por visões transcendentais.
Sua base empírica reside na biologia dos neurônios. Verificou-se cientificamente que a experiência unificadora se origina de oscilações neurais a 40 herz, especialmente localizada nos lobos temporais. Desencadeia-se, então, uma experiência de exaltação e de intensa alegria como se estivéssemos diante de uma Presença viva.
Ou inversamente, sempre que se abordam temas religiosos, Deus ou valores que concernem o sentido profundo das coisas, não superficialmente mas num envolvimento sincero, produz-se igual excitação de 40 herz.
Por essa razão, neurobiólogos como Persinger, Ramachandran e a física quântica Danah Zohar batizaram essa região dos lobos temporais de ''o ponto Deus''.
Se assim é, podemos dizer em termos do processo evolucionário: o universo evoluiu, em bilhões de anos, até produzir no cérebro o instrumento que capacita o ser humano perceber a Presença de Deus, que sempre esteve lá embora não perceptível conscientemente. A existência desse ''ponto Deus'' representa uma vantagem evolutiva de nossa espécie humana. Ela constitui uma referência de sentido para a nossa vida.
A espiritualidade pertence ao humano e não é monopólio das religiões.
Antes, as religiões são uma das expressões desse ''ponto Deus''.

Leonardo Boff

sábado, 12 de setembro de 2015

"Correr Riscos"!!!

Rir é correr risco de parecer tolo.
Chorar é correr o risco de parecer sentimental.
Estender a mão é correr o risco de se envolver.
Expor seus sentimentos é correr o risco de mostrar seu verdadeiro eu.
Defender seus sonhos e idéias diante da multidão é correr o risco de perder as pessoas.
Amar é correr o risco de não ser correspondido.
Viver é correr o risco de morrer.
Confiar é correr o risco de se decepcionar.
Tentar é correr o risco de fracassar.
Mas os riscos devem ser corridos, porque o maior perigo é não arriscar nada.
Há pessoas que não correm nenhum risco, não fazem nada, não têm nada e não são nada.
Elas podem até evitar sofrimentos e desilusões, mas elas não conseguem nada, não sentem nada, não mudam, não crescem, não amam, não vivem.
Acorrentadas por suas atitudes, elas viram escravas, privam-se de sua liberdade.
Somente a pessoa que corre riscos é livre!

Sêneca

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

"A Razão Da Tua Vida"!!!

Ninguém é dono da sua felicidade, por isso não entregues a tua alegria,  a tua paz, a tua vida, nas mãos de ninguém, absolutamente de ninguém. 
Somos livres, não pertencemos a ninguém e não podemos querer ser donos dos desejos, da vontade ou dos sonhos de quem quer que seja.
A razão da tua vida és tu mesmo... A tua paz interior é a tua meta de vida.
Quando sentires um vazio na alma, quando acreditares que ainda está faltando algo, mesmo tendo tudo, remete o teu pensamento para os teus  desejos mais íntimos e busca a divindade que existe em ti.
Para de colocar a tua felicidade, cada dia, mais distante de ti.
A razão da tua vida és tu mesmo... A tua paz interior é a tua meta de vida.
Não coloques objetivos longe demais de tuas mãos, abraça os que estão ao teu alcance, hoje.
Se andas desesperado por problemas financeiros, amorosos  ou de relacionamentos familiares, busca no teu interior a resposta para te acalmares, tu és o reflexo do que pensas diariamente.
Para de pensar mal de ti mesmo  e seja teu melhor amigo sempre.
Sorrir significa aprovar, aceitar, felicitar.
Então, abre um sorriso para aprovar o mundo que te quer oferecer o melhor.
Com um sorriso no rosto, as pessoas terão as melhores impressões de ti  e tu estarás afirmando para ti mesmo, que estás “pronto“ para seres feliz.
Trabalha, trabalha muito a teu favor.
Para de esperar a felicidade sem esforços.
Para de exigir das pessoas, aquilo que nem tu conquistaste, ainda.
Critica menos, trabalha mais.
E não te esqueças, nunca, de agradecer.
Agradece tudo que está na tua vida neste momento, inclusive a dor.
A nossa compreensão do universo, ainda é muito pequena para julgar o que quer que seja na nossa vida.

Aristóteles


quinta-feira, 10 de setembro de 2015

"Ser Aquele Que Nascemos Para Ser"!!!

O privilégio de toda uma vida é ser aquele que nascemos para ser.
Precisamos estar dispostos a nos livrar da vida que planejamos, para podermos viver a vida que nos espera. A pele velha tem que cair para que uma nova possa nascer.
Quando nos deixamos guiar pela felicidade, nos posicionamos num tipo de caminho que sempre esteve ali, à nossa espera, e vivemos exatamente a vida que deveríamos estar vivendo.
E qual é a natureza do deserto? É uma terra onde todos vivem uma vida falsa, fazem as mesmas coisas que os outros fazem, do modo como lhes foi ensinado, sem que ninguém tenha coragem de viver sua própria vida.
O objetivo dos artistas é quebrar janelas nos muros da cultura local para a eternidade.
As oportunidades para procurar forças mais profundas em nós mesmos vêm quando a vida parece mais desafiadora.
Siga a sua bem-aventurança, lá onde há um profundo sentido do seu ser, lá onde seu corpo e sua alma querem ir.
Encontre a paixão da sua vida e siga-a, siga o caminho que não é caminho.
Quando tiver essa sensação, fique aí e não deixe ninguém arrancá-lo desse lugar. E portas se abrirão onde antes não havia portas e você sequer imaginava que pudesse haver.

Joseph Campell

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

"Entre os Mundos...Real e Virtual"!!!

Nosso mundo pós-moderno é fragmentado. Uma de suas expressões mais evidentes é o videoclipe. Enxurrada de flashes, vibrações acústicas, sons distorcidos.
Rompe-se a linearidade, enquanto a simultaneidade embaralha passado, presente e futuro. Tudo é simuladamente aqui e agora.
O Iluminismo, ancorado na literatura, cede lugar à digitalização frenética.
Mundo que carece de sentido. Forma que dispensa conteúdo. A performance do artista ultrapassa a arte que ele produz. Seu nome vale mais que seu desempenho. A valoração dá lugar à exaltação.
Einstein, que desnudou o mistério do Universo com suas equações, foi sucedido por Steve Jobs, que nos ofereceu maravilhas tecnológicas embaladas de refinamento estético, movidas à velocidade que desafia o cérebro humano.
Agora a alienação já não resulta de ideologias que distorcem a realidade para nos incutir a mentira como verdade. Basta que sejamos deslocados do real para o virtual. Somos seres que trafegam simultaneamente em dois mundos: o da realidade de nossas necessidades e o da virtualidade de nossos sonhos e desejos.
Trancados em nossos egos, avessos à sociabilidade, navegamos nas redes sociais que dispensam texto e contexto. Bastam vocábulos desconexos, abreviações, o balbuciar de sinais gráficos que nos conectam com a plateia global que, acomodada no teatro do mundo, desconectada do real, mantém os olhos fixos no palco vazio.
As grandes narrativas são deletadas por esse tempo desprovido de memória e utopia. O passado passou, o futuro é uma quimera... Só resta o presente que se sucede prisioneiro da circularidade infinita.
Ninguém ingressa em uma casa sem antes avisar ou ser convidado, marcar hora, identificar-se com o porteiro e justificar a espera e atenção.
No entanto, centenas de pessoas invadem, pelas redes sociais, o nosso espaço privado, ferem a nossa sensibilidade com ofensas e desaforos, desafiam os nossos valores, jogam-nos na vala comum das emoções cifradas. Tudo se assemelha a um jogo de pingue-pongue com rede, porém sem mesa.
Viciados em digitalização, aprisionados pela tecnologia que assegura retorno imediato ao capital, perdemos horas e horas da vida atirados ao ringue onomatopaico. Não navegamos, naufragamos. Deixamo-nos aprisionar pelas redes que nos favorecem a evasão de privacidade.
Ora, ninguém precisa mais se preocupar em invadir a nossa privacidade...
Nós mesmos nos expomos em rede global, arrancamos máscaras e roupas, escancaramos nossa indigência cultural e nossa miséria espiritual.
Como artefato tecnológico, somos também apenas uma forma. Um objeto jogado aleatoriamente no turbulento mar da dessignificação.
Escravos da virtualidade, acorrentados nas redes, não somos mais capazes de desligar o celular e de nos desligar dele. É ele que nos permite olhar o mundo pela janelinha eletrônica dessa prisão em que nos trancamos, cuja chave jogamos nas águas que cercam a ilha na qual nos isolamos, desprovidos de alteridade e sentido.

Frei Betto

terça-feira, 8 de setembro de 2015

"Alma Erótica"!!!

Querendo ou não, iremos todos envelhecer.
As pernas irão pesar, a coluna doer, o colesterol aumentar.
A imagem no espelho irá se alterar gradativamente e perderemos estatura, lábios e cabelos.
A boa notícia é que a alma pode permanecer com o humor dos dez, o viço dos vinte e o erotismo dos trinta anos.
Erótica é a alma que se diverte, que se perdoa, que ri de si mesma e faz as pazes com sua história...
Que usa a espontaneidade pra ser sensual, que se despe de preconceitos, intolerâncias, desafetos.
Erótica é a alma que aceita a passagem do tempo com leveza e conserva o bom humor apesar dos vincos em torno dos olhos e o código de barras acima dos lábios...
Erótica é a alma que não esconde seus defeitos, que não se culpa pela passagem do tempo...
Erótica é a alma que aceita suas dores, atravessa seu deserto e ama sem pudores...

Autor Desconhecido

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

"Lugar De Muitos Saberes"!!!

O que dá vida às escolas é o trabalho que nelas se desenvolve e as relações que ali acontecem em decorrência disso. Nesse sentido, as salas de aula são lugares privilegiados, mas é preciso pensar na vida que transcorre fora delas e que está estreitamente relacionada ao que ocorre no seu interior.
O papel de secretários, porteiros, jardineiros, serventes, faxineiros, merendeiras e da equipe de manutenção articula-se ao dos gestores, professores e alunos, constituindo parte indispensável e insubstituível do organismo escolar e conferindo àqueles que o executam características de educadores.
A especificidade da instituição revela-se nas atividades de todos os que nela trabalham e se relacionam.
Pode-se dizer, de certo modo, que o ambiente escolar é constituído de múltiplas educações. Na comunidade que se forma no interior da instituição e nas relações entre os sujeitos que dela participam, se entrecruzam e se influenciam diferentes saberes e vivências. Por isso, é preciso observar se a ética está presente nessa complexa rede de relacionamentos.
Muitas vezes, princípios considerados no vínculo entre "iguais" - aluno-aluno, professor-professor, gestor-gestor - são deixados de lado no contato com os outros membros da comunidade.
Do ponto de vista da ética, a relação é sempre entre iguais: são todos seres humanos, pessoas. Diferentes em seu jeito de ser, na forma como veem o mundo, nas funções que desempenham. Iguais em seus direitos, na sua dignidade...
Iguais na diferença - é isso que reclama o princípio ético da justiça.
Gosto de recorrer ao belo poema do dramaturgo alemão Bertolt Brecht Perguntas de um Trabalhador que Lê, que denuncia de forma contundente como tantas vezes não se consegue perceber a função dos diversos sujeitos na construção da história das sociedades.
No primeiro verso, Brecht questiona: "Quem construiu a Tebas das sete portas?"
E, a seguir, diz: "Nos livros está o nome dos reis". Então volta a indagar: "Terão os reis carregado as pedras?" Provocação importante para pensarmos na construção da vida escolar. Ao perguntarmos: "Quem concebe a Educação escolar?", deveríamos responder, criticamente: "Todos os que nesse ambiente desenvolvem parte de sua vida e ali se relacionam, ensinando, aprendendo, criando, partilhando conhecimentos, fazeres, valores e crenças. Todas as pessoas - únicas na sua identidade, iguais na sua humanidade".
O contrário da igualdade não é a diferença. É a desigualdade, algo que se cria no momento em que se rompe com os princípios éticos.
Há um grande desafio para os gestores na concretização da igualdade nas relações, no respeito à diversidade. Só assim se pode falar na criação de um espaço democrático. É uma provocação conviver com pessoas diferentes, de outro partido, de outra igreja, que gostam de um estilo de música diferente do nosso ou torcem para outro time. A democracia não exclui o conflito - ele faz parte dela -, mas busca criar condições para uma convivência em que exista o bem comum.
A Educação acontece em cada canto da escola, em cada momento, cada tarefa cumprida, cada descoberta, cada partilha, cada gesto de construção da vida que todos nós - diferentes e iguais - devemos buscar juntos.

Terezinha Azerêdo Rios


terça-feira, 1 de setembro de 2015

"Sartre E O Existencialismo"!!!


O que significa Existencialismo? O que Sartre, filósofo francês, quis dizer sobre a frase: “O homem está condenado à liberdade”? Muitas pessoas têm problemas ao interpretar essa frase e se perguntam: “Como pode estar condenado à liberdade quando ela própria nos põe em uma condição de liberdade?”. Contraditório, não?
Primeiramente, é bom salientar que Sartre além de ser escritor era um sujeito engajado nos movimentos sociais de sua época. Qualquer coisa de anormal que acontecia na França, as pessoas perguntavam a Sartre: “O que você pensa disso? Será que existe uma solução para tal problema?”.
Quando Sartre escreve: “O homem é um ser pelo qual o nada vem ao mundo”, o que quer dizer? Ele traz a seguinte interpretação: quando o ser humano nasce, nasce como um “nada” e aquilo que passa a ser é desenvolvido a partir de sua existência; a consciência de si mesma é produzida ao longo da existência.
Sobre: “Como pode estar condenado à liberdade quando ela própria nos põe em uma condição de liberdade?”. Qual é o significado? Simples! Sartre vai falar que o sujeito só tem essa condenação: a de existir. O resto é fictício.
Quando alguém diz: “Ah, não posso fazer tal coisa que eu gostaria de ter feito”. Você não pode ou você não quer? Na verdade, foi você quem procurou seu caminho!
Nietzsche escreve uma frase que tem tudo a ver com o Existencialismo:
"O andarilho e a sua sombra". Por que "a sua sombra"? Porque se você é existente, o que acontece? Vai junto a sua sombra. Projetando a sua posição em um dado referencial em que se encontra.
As decisões que tomamos são inseparáveis de nós mesmos por uma razão simples: quando alguém age de má fé diante das decisões, passa a ser um covarde.
Porque diz respeito àquela pessoa que sabe que escolheu o errado, mas não quer se responsabilizar pelas as suas decisões. Estará condenado, dentro da liberdade, pelas más escolhas que fez. Isso para o Sartre.
Então é bom ter cuidado quando vamos deliberar as nossas decisões.
Temos de ter a deliberação certa, mas aceitar as que falhamos.
Não existe uma Essência como uma forma de liberdade, uma vez que a própria liberdade está dentro do existir limitado.

Archidy de Noronha


terça-feira, 25 de agosto de 2015

"O Animal Satisfeito Dorme"!!!

O sempre surpreendente Guimarães Rosa dizia: “O animal satisfeito dorme”.
Por trás dessa aparente obviedade está um dos mais profundos alertas contra o risco de cairmos na monotonia existencial, na redundância afetiva e na indigência intelectual. O que o escritor tão bem percebeu é que a condição humana perde substância e energia vital toda vez que se sente plenamente confortável com a maneira como as coisas já estão, rendendo-se à sedução do repouso e imobilizando-se na acomodação.
A advertência é preciosa: não esquecer que a satisfação conclui, encerra, termina; a satisfação não deixa margem para a continuidade, para o prosseguimento, para a persistência, para o desdobramento. A satisfação acalma, limita, amortece.
Por isso, quando alguém diz “Fiquei muito satisfeito com você” ou “Estou muito satisfeita com seu trabalho”, é assustador. O que se quer dizer com isso?
Que nada mais de mim se deseja? Que o ponto atual é meu limite e, portanto, minha possibilidade? Que de mim nada mais além se pode esperar? Que está bom como está? Assim seria apavorante; passaria a ideia de que desse jeito já basta.
Ora, o agradável é alguém dizer “seu trabalho (ou carinho, ou comida, ou aula, ou texto, ou música, etc) é bom, fiquei muito insatisfeito e, portanto, quero mais, quero continuar, quero conhecer outras coisas”.
Um bom filme não é exatamente aquele que, quando termina, nos deixa insatisfeitos, parados, olhando, quietos, para a tela, enquanto passam os letreiros, desejando que não cesse? Um bom livro não é aquele que, quando encerramos a leitura, permanece um pouco apoiado no colo e nos deixa absortos e distantes, pensando que não poderia terminar? Uma boa festa, um bom jogo, um bom passeio, uma boa cerimônia não é aquela que queremos que se prolongue?
com a vida de cada um e de cada uma também tem de ser assim; afinal de contas, não nascemos prontos e acabados. Ainda bem, pois estar satisfeito consigo mesmo é considerar-se terminado e constrangido ao possível da condição do momento.
Quando crianças (só as crianças?), muitas vezes, diante da tensão provocada por algum desafio que exigia esforço (estudar, treinar, emagrecer, etc), ficávamos preocupados e irritados, sonhando e pensando: Por que a gente já não nasce pronto, sabendo todas as coisas? Bela e ingênua perspectiva. É fundamental não nascermos sabendo nem prontos; o ser que nasce sabendo não terá novidades, só reiterações. Somos seres de insatisfação e precisamos ter nisso alguma dose de ambição; todavia, ambição é diferente de ganância, dado que o ambicioso quer mais e melhor, enquanto que o ganancioso quer só para si próprio.
Nascer sabendo é uma limitação porque obriga a apenas repetir e, nunca, a criar, inovar, refazer, modificar. Quanto mais se nasce pronto, mais se é refém do que já se sabe e, portanto, do passado; aprender sempre é o que mais impede que nos tornemos prisioneiros de situações que, por serem inéditas, não saberíamos enfrentar.
Diante dessa realidade, é absurdo acreditar na ideia de que uma pessoa, quanto mais vive, mais velha fica; para que alguém quanto mais vivesse, mais velho ficasse, teria de ter nascido pronto e ir se gastando…
Isso não ocorre com gente, mas com fogão, sapato, geladeira. Gente não nasce pronta e vai se gastando; gente nasce não-pronta e vai se fazendo. Eu, no ano 2013, sou a minha mais nova edição (revista e, às vezes, um pouco ampliada); o mais velho de mim (se é o tempo a medida) está no meu passado, não no presente.
Demora um pouco para entender tudo isso; aliás, como falou o mesmo Guimarães, “não convém fazer escândalo de começo; só aos poucos é que o escuro é claro”…

Mario Sérgio Cortella

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

"A Fronteira Entre A Juventude E A Velhice"!!!

Creio que se pode traçar uma fronteira muito precisa entre a juventude e a velhice.
A juventude acaba quando termina o egoísmo, a velhice começa com a vida para os outros. Ou seja: os jovens têm muito prazer e muita dor com as suas vidas, porque eles a vivem só para eles. Por isso todos os desejos e quedas são importantes, todas as alegrias e dores são vividas plenamente, e alguns, quando não vêem os seus desejos cumpridos, desperdiçam toda uma vida. Isso é a juventude.
Mas para a maior parte das pessoas vem o tempo em que tudo se modifica, em que vivem mais para os outros, não por virtude, mas porque é assim. A maior parte constitui família. Pensa-se menos em nós próprios e nos nossos desejos quando se tem filhos. Outros perdem o egoísmo num escritório, na política, na arte ou na ciência. A juventude quer brincar, os adultos trabalhar.
Não há quem se case para ter filhos, mas quando chegam, modificamo-nos, e acabamos por perceber que tudo aconteceu por eles.
Da mesma forma, a juventude gosta de falar na morte, mas nunca pensa nela; com os velhos acontece o contrário.
Os jovens acreditam ser eternos e centram todos os desejos e pensamentos sobre si próprios... Os velhos já perceberam que o fim vai chegar e que tudo o que se tem e se faz para si próprio acaba por cair num buraco e de nada valeu.
Para isso necessita de uma outra eternidade e de acreditar que não trabalhou apenas para os vermes. Por isso existe a mulher e os filhos, o negócio ou o escritório e a pátria, para que se tenha a noção de que o esforço diário e as calamidades têm um sentido.
Assim, uma pessoa é mais feliz quando vive para mais alguém, e não para si só. Mas os velhos não devem fazer disso um heroísmo, que não é. Do mais irrequieto jovem resulta o melhor dos velhos, o que não é verdade para aqueles que já na escola agiam como velhos...

Hermann Hesse



segunda-feira, 10 de agosto de 2015

"Basta De Dizer... Eu Também"!!!

Você chega à festa, encontra os amigos, você está com a maior vontade de contar algo de bom que lhe aconteceu, você espera por sua vez de entrar na roda, tal qual como quando criança a ansiedade subia antes de ser a sua vez de pular a corda estendida, aí você suspira e vai! Conta a sua novidade. Olha em volta, esperando a primeira reação, e ela vem com disfarce de simpatia, quando alguém lhe responde: - “Eu também!”. Mas como assim “eu também”? – “Você não é eu!
Isso que contei é a minha novidade, não a sua”, são os pensamentos imediatos que lhe invadem a cabeça e a turvam de desagrado. Mas você não pode nem reclamar, pois a pessoa do “eu também”, quis ser só simpática, aos olhos dos outros e dela mesma. Tudo então piora.
Tem muito gente que vive no “eu também”. Protegem-se na sua suposta simpatia, até explicam que em grego, de onde surgiu essa palavra, “sim” quer dizer “junto”, e “pathos” quer dizer “paixão”, logo “simpatia” é compartir a paixão. Veja que legal, o “eu também” fica nobremente justificado, quando, no fato mesmo, além da origem da palavra, é só um presente de grego.
E quando alguém sofre um assalto? Aí então, a carga do drama ouriça a turma do “eu também”. Um diz: -“Roubaram o meu carro ontem”. Os outros respondem: eu também, eu também, eu também. E para não ficar no tudo igual, no empate, cada um vai acrescentando um pouquinho de sal, como naquele velho jogo de memorizar o que cada pessoa foi comprar na feira: roubaram meu carro e minha carteira; roubaram meu carro, minha carteira e meu laptop; meu carro, minha carteira, meu laptop e meu relógio; e por aí a desgraceira prossegue, até aquele que conta que foi sequestrado por seis meses em cela sufocante.  Silêncio, finalmente ninguém retruca com “eu também”. Todos ficam constritos e respeitosos no “puxa!”.
Será que é necessário tamanho desgaste para que se possa ser ouvido em sua singularidade? Já está mais do que na hora de darmos um basta à hipocrisia amável do “eu também”.
Não há o que temer na diferença radical de cada pessoa, ao contrário. Uma coisa boa de um psicanalista é que ao menos ali, falando com ele, temos certeza de que não vamos encontrar alguém que nos responda com o cala boca do “eu também”. Engano é pensar que o contrário do “eu também” seja a frieza. Não é não.
É exatamente porque o outro não sou eu, que eu posso amá-lo. Afinal, tem algo pior que você se declarar dizendo: - “Eu te amo”, e ouvir como resposta o triste: -“Eu também”? Ah, não, no mínimo se espera ouvir: -“Eu te amo, também”, o que não é a mesma coisa.

Jorge Forbes

domingo, 9 de agosto de 2015

"O Mundo Da Mentira"!!!

Há realidades difíceis de suportar. Há situações tão dolorosas e tão irreais, embora cruelmente reais, que certas pessoas preferem negá-las, como se com isso pudessem apagar sua existência.
E para fugir desses punhais que rasgam a alma com tanta violência é que muitos preferem se refugiar num mundo invisível, sob uma redoma de proteção que as impedem de ver de perto e enfrentar o que tanto faz mal.
Essas pessoas, ao querer libertar-se de um peso, tornam-se escravas da própria dor. Sem justificativas, justificam-se na recusa da cura, que é o encarar a realidade e vê-la de maneira nova e diferente.
Essas pessoas, julgadas doentes, loucas e insanas são apenas uma pequena porcentagem de um mundo onde negar a realidade é a coisa mais banal que existe. Viver no mundo da mentira não é apenas ter um comportamento exclusivo dos que julgamos loucos.
Vive na mentira quem não aceita o fim de qualquer situação: amores que se desgastaram, filhos que cresceram, uma doença que chegou sem avisar, alguém que foi embora, escolhas que não aprovamos e todas essas pequeninas coisas do dia-a-dia que, pequenas, fazem parte da nossa vida.
Chorar e ficar calado num canto não muda nada do que vivemos, a não ser nos deixar à parte da vida que continua a correr do lado de fora. Fazer-se de cego e surdo não modifica a realidade do que não podemos controlar, nem o que os outros pensam e sentem.
Poderemos evitar os espelhos por algum tempo, mas não os evitaremos a vida toda.
Melhor que ignorar a realidade que nos machuca é pegar o que sobra dela e construir um novo mundo ou uma nova maneira de viver.
Se a chuva nos pega de surpresa, que então nos molhe completamente, que o sol nos seque, que o frio não nos impeça de sair de casa, que o calor não nos impeça de dormir, que a dor doa e parta e que a vida seja inteira, completa e real!

Letícia Thompson

terça-feira, 30 de junho de 2015

"A Sociedade E As Crianças"!!!

Você já percebeu, caro leitor, que atualmente as crianças são consideradas responsabilidade única e exclusiva dos pais e das escolas?
Eu já perdi a conta de quantas vezes ouvi a frase "preciso que a escola funcione em tempo integral e também nos períodos de férias, porque não tenho com quem deixar meus filhos". Você certamente também já ouviu ou pode, inclusive, ter dito isso, não é verdade?
As escolas reclamam -com razão- que crianças vão para a escola doentes, levando consigo a lista de medicamentos que devem tomar. Em parte por causa disso, boa parte das escolas tem enfermaria em seu espaço. E qual o motivo dos pais para agir assim? Eles não têm com quem deixar a criança que, vamos convir, nesse estado ficaria bem melhor em casa ou, pelo menos, com algum familiar próximo. Dessa maneira, ela poderia se recuperar com mais rapidez, além de evitar o risco de transmitir a doença para muitas outras crianças no espaço escolar que frequenta.
E quando uma criança se comporta de modo inadequado no espaço público?
Todos os pensamentos, e olhares também, julgam e reprovam a mãe, que é considerada incompetente em sua tarefa educativa.
Sim, precisamos reconhecer que cuidar dos filhos não tem sido priorizado por muitos pais, que escolhem outras coisas que consideram mais importantes para colocar no topo de sua lista de prioridades. E também precisamos admitir que os pais têm gostado muito de ter a posse quase total sobre os filhos. Eles até permitem, quando precisam, que o filho fique com avós ou outros familiares, desde que eles sigam rigorosamente as suas orientações.
Não é assim que tem funcionado?
O problema é que esse pensamento permitiu que a comunidade simplesmente ignorasse os deveres que tem para com as suas crianças. Afinal, elas são o nosso futuro, serão elas que construirão o mundo em curto prazo. Todos nós somos, portanto, responsáveis por elas.
Quantas empresas, que têm em seu quadro um grande número de pais, são solidários quando os filhos deles ficam doentes? E quando digo solidários, me refiro a alguma atuação prática, evidentemente. Como permitir que o funcionário trabalhe em casa por alguns dias quando isso é possível, ou não descontar eventuais faltas ao trabalho resultantes desse motivo.
Quantas empresas têm um espaço para filhos de funcionários ficarem, quando eles precisam? A empregada faltou ou a escola não funcionou nesse dia, com quem deixar os filhos? Seria ótimo se a criança pudesse ir com sua mãe ou seu pai para o trabalho, e lá ter um espaço preparado para ela ficar. Acredita, caro leitor, que há empresas que sequer permitem a entrada de funcionários acompanhados de seus filhos? E falo de
crianças que ficariam comportadas e de funcionários que trabalham em local que não oferece risco para crianças.
As empresas ainda não se deram conta de que, se agirem assim, assumem sua parcela de responsabilidade social com as novas gerações e com o futuro. Além de tudo, ao apoiar os funcionários que têm filhos, elas melhoram a qualidade de vida deles.
E as empresas precisam de seus funcionários bem.
Já temos experiência suficiente para perceber que deixar os pais como únicos responsáveis pelas crianças não dá certo. Até quando a sociedade vai ignorar os mais novos e sua responsabilidade para com eles?

Roseli Sayão

sexta-feira, 19 de junho de 2015

"O Mestre E O Riacho"!!!


Um dia um velho sábio estava sentado à cerca de um riacho admirando-o.
Aproximou-se um discípulo e perguntou:
”É apenas um riacho, por que perde sua tarde sentado aqui?”.
E o sábio disse:”O que consegue ver?”.
E o discípulo responde: “Água, pedras e deve ter peixes”.
Imagine se o riacho representa-se sua família.
O discípulo se pós a observar, por horas, até que ficou nervoso e disse:
“Como posso ver alguma relação entre o riacho e a minha família?”
Tem um coração cheio de raiva e egoísmo não sendo assim leal a si e aos seus pais, irmãos, sobrinhos e sobrinhas. Isso acontece quando deixamos, que a mente egocêntrica, desconecte seu coração do seu Ser.
Quero que agora mire o riacho com o coração!
O que vê?
Vejo a água fluindo harmoniosamente e calmamente...
Isso representa o fluxo de sua família em um só sentido.
Vejo duas pedras grandes... Isso representa seus pais.
Ali mais a esquerda vejo pedras brancas... Isso representa seus irmãos e irmãs.
A direita vejo pedras azuis... São seus sobrinhos e sobrinhas.
Ao centro vejo umas cinzas... Esses podem ser seus filhos ou filhas.
O discípulo em um momento de desespero diz:”-mas estão todos se afogando.
E o mestre disse:
”Se você não tivesse passado uma parte de sua vida pensando somente em você, teria percebido que seus pais estavam no rio e com o passar do tempo sua família também.”
O que faço meu mestre?
Entre na água recolha as pedras, e as coloque juntas. Assim vai perceber o quanto elas estão frias, machucadas, lastimadas e assim acabaram por perder sua pureza.

Autor Desconhecido

sexta-feira, 12 de junho de 2015

"Já Vi... Já Sei"!!!

Ele, ou ela, conta entusiasmado uma descoberta.
O interlocutor, antes mesmo que a história seja concluída, já está dedilhando, em alguma engenhoca eletrônica, referências a partir do que é dito.
O contador vai se angustiando, tentando interessar mais quem escuta, ou ao menos deveria escutar, que aquela maquininha eletrônica. Seus esforços são em vão, nada escapa aos dentes afiados dos googles da vida. Antes mesmos que o infeliz orador – que não está mais angustiado, mas, agora, decepcionado – termine sua oração, o outro o interrompe com um superior sorriso de vencedor de uma batalha inglória, dizendo: -“Já vi, Já sei”.
- “Olha esse Picasso”. -“Sim, já vi, sei que é um Picasso. Aliás, que mania chata do Picasso fazer quadros tão semelhantes, que basta a gente bater o olho e já sabemos que é um Picasso. E o Botero, então, com aquela mania de só fazer gordinhos, tudo muito igual...”.
A reação é semelhante ao criticar a mania do Woody Allen gostar de Nova Iorque, de Jorge Amado escrever tanto sobre a Bahia, de Vinícius poetar o amor...
Sem comentários para Bach ou Mozart, coitados. É tudo já vi, já sei.
Para essas pessoas o novo é o nunca visto – daí a busca frenética por excursões exóticas do outro lado do mundo, por paisagens nunca vistas – se não der para ir de avião, barco, carro, bicicleta, cavalo ou a pé – vai de alguma droga mesmo, pois o que vale é a “viagem”.
Ora, ora, o novo não é o ver o nunca dantes visto no estranho, mas ver, no sempre visto, o que nunca foi visto antes. É o que faz uma obra ser clássica.
Por mais que você veja a Acrópole, o David de Michelangelo, ou a Monalisa, sempre, a cada novo encontro, a surpresa se renova, a ponto de você ser perguntar por que não tinha visto o que agora vê.
Nossa época, com seus gadgets eletrônicos, confunde informação com saber.
Se não acordarmos da inércia mental a que ela nos convida, nesse carnaval de links: -“Ei, você aí, me dá um google aí, me dá um google aí...”, se não acordarmos, vamos ficar muito parecidos com os cachorros de estimação ao lado dos donos, no café da manhã. Eles abrem a boca, ávidos pelo próximo naco, que engolem com sofreguidão, pois o que interessa não é comer, mas a certeza que vai ter sempre o próximo naco, o próximo link, mesmo que dê indigestão.
Nós também podemos ficar assim se perdermos a capacidade humana de ver o novo, não no exótico, mas no íntimo, no próximo, no conhecido. E, para isso, é fundamental manter viva a curiosidade que nos leva a retirar e perceber o singular, o detalhe, a diferença, mesmo frente a um mar de aparentes igualdades.
Se perdermos essa capacidade, só nos faltará, como os nossos fiéis amigos, balançar o rabo.

Jorge Forbes


segunda-feira, 9 de março de 2015

"Nossa Liberdade É Parcial"!!!


Nossa liberdade é parcial, todos sabem... 
Não me refiro ao país, e sim à nossa liberdade individual, minha e sua.
Sempre que toco nesse assunto me vem à cabeça aquela frase que citei outras vezes: 'O máximo de liberdade que podemos almejar é escolher a prisão em que queremos viver.' É isso aí. E quais são essas prisões?
Pode ser um casamento, ou, ao contrário, um compromisso com a solidão.
Pode ser um emprego ou uma cidade que não conseguimos abandonar.
Pode ser a maternidade.
Pode ser a política.
Pode ser o apego ao poder.
Enfim, todas as nossas escolhas, incluindo as felizes, implicam algum confinamento, em alguma imobilidade, e não há nada de errado com isso, simplesmente assim é a vida, feita de opções que nos definem e nos enraizam.
Mas às vezes exageramos. Costumamos nos acorrentar também a algumas certezas e pensamentos como forma de dizer ao mundo quem somos. É como se redigíssemos uma constituição própria, para através dela apresentar à sociedade nossos alicerces: sou contra o voto obrigatório, sou a favor da descriminação das drogas, sou contra a pena de morte, sou a favor do controle de natalidade, sou contra a proibição do aborto, sou a favor das pesquisas com célula-tronco. Esse é apenas um exemplo de identidade que forjamos ao longo da vida. Você deve ter a sua, eu tenho a minha.
Dá uma segurança danada saber exatamente o que queremos e o que não queremos, no que cremos e no que desacreditamos. Mas onde é que está escrito, de fato, que temos que pensar sempre a mesma coisa, reagir sempre da mesma forma?
Ao trocar de opinião ou de hábitos, infringimos nossas próprias regras e passamos adiante uma imagem incômoda: a de que não somos seres confiáveis. As pessoas à nossa volta já haviam aprendido tudo sobre nós, sabiam lidar como nossos humores e nossos revezes, estava tudo dentro do programa e, de repente, ao mudarmos de idéia ou fazermos algo que nunca havíamos feito, subvertemos a ordem natural das coisas.
Quando visito algumas escolas, encontro estudantes um pouco assustados com as escolhas que farão e que lhe parecem definitivas. Tento aliviá-los: pensem, repensem, mudem quantas vezes vocês quiserem, é permitido voltar atrás. Digo isso porque eu mesma já reprimi muito meus movimentos, minhas alternâncias, numa época em que eu achava que uma pessoa séria tinha que morrer com suas escolhas. Ainda há quem considere leviana a pessoa que se questiona e se contradiz, mas já bastam as prisões necessárias...
Para que cultivar as desnecessárias?
Optei pelas medidas provisórias. Por isso, todos os anos eu faço uns picotes na minha constituição imaginária e jogo os pedacinhos de papel pela janela: é assim que comemoro o Dia da Independência... Da minha.


Martha Medeiros

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

"Credo Samurai"!!!


Eu não tenho pais...  Faço do céu e da terra meus pais.
Eu não tenho casa...  Faço do mundo minha casa.
Eu não tenho poder divino...  Faço da honestidade meu poder divino.
Eu não tenho pretensões...  Faço da minha disciplina minha pretensão.
Eu não tenho poderes mágicos... Faço da personalidade meus poderes mágicos.
Eu não tenho vida ou morte...  Faço das duas uma, tenho vida e morte.
Eu não tenho visão...  Faço da luz do trovão a minha visão.
Eu não tenho audição...  Faço da sensibilidade meus ouvidos.
Eu não tenho língua... Faço da prontidão minha língua.
Eu não tenho leis...  Faço da auto-defesa minha lei.
Eu não tenho estratégia...  Faço do direito de matar e do direito de salvar vidas minha estratégia.
Eu não tenho projetos...  Faço do apego às oportunidades meus projetos.
Eu não tenho princípios...  Faço da adaptação a todas as circunstâncias meu princípio.
Eu não tenho táticas...  Faço da escassez e da abundância minha tática.
Eu não tenho talentos...  Faço da minha imaginação meus talentos.
Eu não tenho amigos...  Faço da minha mente minha única amiga.
Eu não tenho inimigos. .. Faço do descuido meu inimigo.
Eu não tenho armadura... Faço da benevolência minha armadura.
Eu não tenho castelo...  Faço do caráter meu castelo.
Eu não tenho espada...  Faço da perseverança minha espada.

(Código Samurai)

Autor Desconhecido


domingo, 15 de fevereiro de 2015

"Preciso De Você"!!!


 Cada pessoa precisa de alguém que o ajude a chamar o seu êxtimo, de meu íntimo
A jornalista me pergunta impressionada a razão de novas pesquisas constatarem que, contrariamente ao que muitos esperavam, o povo da internet cada vez mais associa seus passeios na rede com a necessidade de estar junto. Esse fato relativiza as críticas morais que bradam ameaçadores avisos anunciando que o mundo estaria perdido, pois a www - World Wide Web – seria uma teia perigosíssima que estaria aprisionando nossa pobre juventude, em um isolacionismo narcisista e emburrecedor.
Essa notícia chega ao mesmo tempo em que o Papa se precipita em condenar um aplicativo para smart-phones, através do qual o fiel antenado se confessaria on line, sem a necessidade de se ajoelhar na madeira dura de um confessionário escurecido por muitos pecados ali penitenciados. Ao menos dessa vez, ufa!, o Papa mostrou que “tá ligado”, pois a web não substitui a presença física.
Na mesma vertente, podemos falar da repetitiva pergunta se é possível fazer análise por skype, ou serviço semelhante, sem ter que se preocupar com o terrível trânsito das grandes cidades, bem como se garantir em ter seu analista à mão, ou melhor, na tela, entre um mergulho e outro, em uma ilha paradisíaca, do outro lado do mundo.
Não dá. Há um quê na presença física que é insubstituível. E se dizemos “um quê” é exatamente pelo fato de não podermos precisar o que é isso da presença física que não sabemos traduzir em nenhum idioma e por nenhum meio, razão pela qual não a podemos substituir, pois, como celebrou Michel Foucault: “a palavra é a morte da coisa”; se falamos de algo, substituímos o algo pela palavra e não precisamos mais dele.
Em um mundo que quebrou os paradigmas cartesianos de espaço e tempo, jogando-nos no furacão do ilimitado sem fronteiras, não há nada a estranhar na necessidade da presença física do outro, do corpo do outro, do seu enigma, do cheiro, cor, som, movimento, textura, olhar, que não sabemos traduzir em bytes. Esse enigma do outro é o remédio para a angústia tão atual, por nos termos visto transformar em habitantes de lugar nenhum.
Seis mil moças e moços geeks se acotovelaram por uma semana, em São Paulo, em uma festa chamada Campus Party. Seis mil!, em um pavilhão de exposições. É tão importante estarem juntos, que um nipo-brasileiro, morando ao lado do local da festa, trocou o conforto de seu quarto, por uma tendinha de campanha, verdadeiro elogio do desconforto.
A presença do outro nos remete ao mais essencial de nós mesmos. Se fôssemos honestos, parodiando Vinícius, jamais diríamos expressões do gênero: “no meu íntimo”. E isso porque o que nos escapa é exatamente o nosso íntimo. Diríamos, melhor, com Lacan: “no meu êxtimo”, sim, porque o meu íntimo me é tão estranho – quem já passou por uma análise sabe bem o que estou descrevendo – que melhor chamá-lo de êxtimo, clara alusão ao estranho e ao externo de si mesmo, que habita cada um.
Podemos nos livrar de muita coisa na vida, mas não da gente mesmo, em especial desse ponto íntimo desconhecido, promotor de nossas paixões, essa força estranha vivida na sensação do “mais forte que eu”. A presença física do amigo, do amado, do familiar, do próximo, nos reconecta com esse ponto fundamental, âncora de nossas existências, ponto transcendente de nossa imanência, se quisermos nos valer do discurso da Academia.
Nesse mundo de aparente tudo pode, e de em tudo estou, não por isso devemos nos assustar que ao lado do aumento dos acessos aos meios virtuais, vejamos crescer em paralelo os lugares de encontro físico, sejam eles campus parties, igrejas, consultórios, bares, cruzeiros. Os motivos são variados e o que neles se realiza, também, mas a necessidade é uma só: estar junto. Na era da pós-modernidade, onde o laço social das identificações é predominantemente horizontal, nos damos conta que o principal afeto, o mais fundamental afeto, é o da amizade. Cada pessoa precisa de alguém que o ajude a chamar o seu êxtimo, de meu íntimo.


Jorge Forbes

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

"Lição De Moral... Carta De Natal À Presidente Do Brasil"

Meu nome é Ary Fontoura, sou brasileiro, tenho 81 anos, e exerço o ofício de ator. Acredito que, por também ser uma figura pública, Vossa Excelência tenha assistido algum dos meus trabalhos, seja no teatro, no cinema, ou na televisão. Visto que vivemos num país onde a liberdade de expressão é primazia, venho solicitar, através desta carta, me utilizando desta rede social, em nome de mais de duzentos milhões de brasileiros, a sua renúncia. Esforço-me, contudo, em explicar o meu pedido e, antes, permita-me algumas considerações.
Já vivi o bastante e ao longo de todos esses anos pude ver um grande número de presidenciáveis que, desde a Proclamação da República, seja por indicação direta das Forças Armadas, por movimentos revolucionários, por Golpe Militar, ou por voto direto, governaram este país. Assim como a Senhora, sobrevivi aos duros Anos de Chumbo e, confesso, fui um admirador dos companheiros, cujos ideais socialistas lutaram contra o Regime Militar. Mas, depois de todo esse tempo, ainda aguardo um grande Presidente para o nosso país. E acrescento que continuaremos sem tê-lo, enquanto houver um “telefone vermelho” entre Brasília e o Guarujá ou São Bernardo do Campo.
Em 24 de agosto de 1954, o Presidente Getúlio Vargas se matou em seu quarto com um tiro no peito. Na carta-testamento ele registrou: “Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada temo. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história”, preferindo o suicídio a se submeter à humilhação que os adversários queriam com a sua renúncia.
Em 1961, o então Presidente Jânio Quadros, alegando “forças ocultas”, renunciou e disse: “Desejei um Brasil para os brasileiros, afrontando, nesse sonho, a corrupção, a mentira e a covardia que subordinam os interesses gerais aos apetites e às ambições de grupos ou de indivíduos, inclusive do exterior.
Sinto-me, porém, esmagado. Forças terríveis levantam-se contra mim e me intrigam ou infamam, até com a desculpa de colaboração”.
No próximo dia 1º, Vossa Excelência subirá a Rampa do Planalto em direção à governança. No entanto, a subida será solitária, ainda que partidária e com bases aliadas. Mas saiba que duzentos milhões de brasileiros, mais uma vez, subirão com a Senhora, na esperança de se desenvolverem como cidadãos, e de ascenderem coletivamente num país melhor. Por isso, reforço o meu pedido inicial de “renúncia”.
Como chefe maior dessa Nação, como Presidente ou Presidenta, renuncie à corrupção, aos corruptores, aos corrompíveis, aos corrompidos; renuncie à roubalheira política, aos escândalos na Petrobras; renuncie à falta de vergonha e aos salários elevados de muitos parlamentares; renuncie aos altos cargos tomados por ladrões; renuncie ao silêncio e ao “eu não sabia”; renuncie aos Mensaleiros; renuncie ao apadrinhamento político, aos parasitas, ao nepotismo; renuncie aos juros altos, aos impostos elevados, à volta da CPMF; renuncie à falta de planejamento, à economia estagnada; renuncie ao assistencialismo social eleitoreiro; renuncie à falta de saúde pública, de educação, de segurança (Unidade de Polícia Pacificadora não é orgulho para ninguém); renuncie ao desemprego; renuncie à miséria, à pobreza e à fome; renuncie aos companheiros políticos do passado, a velha forma de governar e, se necessário, renuncie ao PT.
Dizem que o Natal é uma época de trégua e que em Brasília a guerra só recomeça depois do Ano Novo. Para entrar na história, porém, não será necessário ser extremista como Getúlio e Jânio e renunciar a Presidência da República, mas será necessário não renunciar ao seu país, ao seu povo. Governe com os opositores, governe com autonomia. Faça o seu Natal ser particularmente inspirador e se permita que a sua história futura seja coerente com o seu passado, porque o brasileiro tem o coração cheio de sonhos e alma tomada de esperanças.

Ary Fontoura