Somos Anjos e Mestres!
Todos nós sabemos alguma coisa que alguém, em algum lugar, precisa aprender e, por vezes, nós mesmos recordarmos.

quarta-feira, 20 de março de 2013

"Dom Quixote e a Modernidade"!

Dom Quixote foi escrito pelo escritor espanhol Miguel de Cervantes em 1605.
A mais famosa obra de Cervantes foi o primeiro produto de massa da história da humanidade a acontecer e, atualmente, é o segundo livro mais traduzido do mundo. Para a mentalidade ainda medieval do século XVI, Dom Quixote era cômico.
Em meados de 1800, Dom Quixote era considerado libertário. E, no século XX, comentava-se que ele era lunático. Algo de importante deve ter Dom Quixote, pois o vemos não apenas na literatura como também na história, na filosofia e na arte há 400 anos.
É um personagem revolucionário e fundador e, ao mesmo tempo, universal e eterno.
O personagem de Dom Quixote já faz parte do hall de arquétipos junguianos da humanidade.
O fidalgo era guerreiro, assim como a maioria das pessoas, principalmente, o brasileiro, o é. Ele saiu de sua aldeia e foi para o mundo, assim como fazemos quando deixamos de ser criança para nos aventurar no mundo adulto.
Dom Quixote fugiu da vida real e foi se esconder em suas fantasias, assim como fazem algumas pessoas que preferem não encarar a realidade.
Dom Quixote era um louco lúcido porque enxergava o que os outros não enxergavam, mas também era ingênuo porque a maioria de nós sabe que é impossível mudar o mundo – pode ser que seja possível alguma mudança no bairro em que moramos. O personagem idealista fez uma apologia à amizade, relação na qual aconteceram milhares de sentimentos bons e ruins.
Apesar de opostos, um não podia existir sem o outro, pois eram complementares. Afinal, a humanidade é produto dessa multiplicidade de dualidades.
Assim como hoje, na época de Cervantes coexistiam os que podiam se gabar de suas riquezas infindáveis e os que não tinham onde cair mortos. Dom Quixote tinha o espírito aventureiro de Cervantes – o mesmo, provavelmente, do ser humano. Cervantes fala de liberdade em sua obra, mas não da liberdade de nascer acorrentado a um sistema que em sua época já era capitalista e ditador.
Foi devido à mente altruísta e justa de Cervantes que o espírito da esperança, através do personagem Dom Quixote de La Mancha, permaneceu vivo até hoje e jamais morrerá.
Apesar das dificuldades que a humanidade enfrenta a cada dia, é preciso acreditar que existe uma solução para quase todas as coisas.


Carol Westphalen 

terça-feira, 19 de março de 2013

"Lição Prática de Direito"...

"Uma manhã, quando nosso novo professor de "Introdução ao Direito" entrou na sala, a primeira coisa que fez foi perguntar o nome a um aluno que estava sentado na primeira fila:
- Como te chamas?
- Chamo-me Juan, senhor.
- Saia de minha aula e não quero que voltes nunca mais! gritou o desagradável professor.
Juan estava desconcertado. Quando voltou a si, levantou-se rapidamente, recolheu suas coisas e saiu da sala. Todos estávamos assustados e indignados, porém ninguém falou nada.
- Agora sim! - e perguntou o professor - para que servem as leis? Seguíamos assustados porém pouco a pouco começamos a responder à sua pergunta:
- Para que haja uma ordem em nossa sociedade.
- Não! - respondia o professor.
- Para cumpri-las.
- Não!
- Para que as pessoas erradas paguem por seus atos.
- Não!!
- Será que ninguém sabe responder a esta pergunta?!
- Para que haja justiça - falou timidamente uma garota.
- Até que enfim! É isso... para que haja justiça. E agora, para que serve a justiça?
Todos começávamos a ficar incomodados pela atitude tão grosseira, porém, seguíamos respondendo:
- Para salvaguardar os direitos humanos...
- Bem, que mais? - perguntava o professor.
- Para diferençar o certo do errado... Para premiar a quem faz o bem...
- Ok, não está mal, porém respondam a esta pergunta: agi corretamente ao expulsar Juan da sala de aula? Todos ficamos calados, ninguém respondia.
- Quero uma resposta decidida e unânime!
- Não!! - respondemos todos a uma só voz.
- Poderia dizer-se que cometi uma injustiça?
- Sim!!!
- E por que ninguém fez nada a respeito? Para que queremos leis e regras se não dispomos da vontade necessária para pratica-las? Cada um de vocês tem a obrigação de reclamar quando presenciarem uma injustiça. Todos. Não voltem a ficar calados, nunca mais! Vá buscar o Juan, disse, olhando-me fixamente.
Naquele dia recebi a lição mais prática no meu curso de Direito...
"Quando não defendemos nossos direitos, perdemos a dignidade e a dignidade não se negocia."

Autor Desconhecido

segunda-feira, 18 de março de 2013

"Toda história tem sempre três lados"...

Ah, que saudade... Eu NÃO tenho da época que achava que a minha verdade era absoluta!
Estar cego em um ponto de vista levará você a perder grandes oportunidades, grandes amigos e até mesmo a oportunidade de aprender e evoluir. Somos seres em segunda época que somente com o aprendizado em cada situação vivida e a evolução passaremos à outra dimensão.
Tenho, sim, a humildade de reconhecer que um dia já fui muito diferente do que sou hoje. Possuía enormes defeitos como, por exemplo, não enxergar o outro para atingir um objetivo. Pessoas eram apenas participantes da minha história de vida e nos vai-e-vens me transformei e, hoje, posso dizer que vivo muito mais feliz e em harmonia com o todo.
Aprendi que cada história ou conflito compartilhado tem sempre três lados, o da pessoa que lhe conta a sua versão, a versão do outro e finalmente a verdade, que é justamente a parte da história sem nenhuma potência associada. Como potência associada, posso incluir a raiva que sinto naquele momento, o medo, o peso de histórias passadas, o momento atual em que vivemos, sim! Tudo isso reflete para que você enxergue somente o seu lado e as perdas podem ser irreparáveis e enormes. Ceder e ter a humildade de escutar o outro lado da história, sentir o que o outro sente e se colocar no lugar do outro é, sim, um aprendizado de vida, é um treinamento que requer constância. E no dia em que você conseguir ouvir uma história ou dela ser participante e conseguir se tornar um observador, tenha absoluta certeza que você deu mais um passo na sua trajetória de evolução pessoal.
O termo "ser político" se depreciou ao longo do tempo, mas na melhor das intenções, vou dizer que em muitas situações que vivemos, temos que ser políticos, ou seja, agradar a todos e depois, então, com a cabeça fria e em paz poder interagir com a história do outro e, assim, encontrar o caminho do meio que é realmente o da verdade.
O desafio hoje em dia não é acumular informação e, sim, saber discernir a informação. Conceitos, temos aos montes, mas o verdadeiro aprendizado evolutivo está em aplicar tais conhecimentos adquiridos. A informação é importante quando agregada à prática. O discernimento é igual à proporção entre informação e conhecimento, o resto é desperdiçado.
As experiências negativas são tesouros que alimentam o discernimento. É necessário estudá-las para entendê-las a fim de adquirir informação. Aquele aspecto vivenciado e entendido dará frutos, pois a vivência já existiu, devemos, então, aproveitar os frutos. Só enxergo e percebo no outro aquilo que enxergo e percebo em mim mesmo.
A clareza da decisão depende de como você vê o fato.
Então, para que perder tempo com coisas que lhe fazem mal, para que perder tempo com pensamentos e emoções negativas se a qualidade de sua vida está associada à qualidade que você dá a seu tempo? Se o seu ponto de vista for absolutista em qualquer situação que não seja espiritual o levará ao fracasso e a decepção. Neste caso, cada falha é uma decepção e não uma dificuldade.
No exercício do amor, do dar e receber é que damos oportunidade de desenvolver quatro princípios fundamentais: o amor, o respeito, a dignidade e a simplicidade.
Quem consegue ter esses princípios bem estabelecidos se adequa a qualquer meio. Para desenvolver o princípio do amor é preciso conviver com alguém que tenha esse princípio, para que haja a troca necessária. O princípio do respeito se concretiza quando você reconhece o espaço do outro e o seu em sua mente.
O princípio da dignidade é que dá sustentação à pressão, tão comum nos dias de hoje. O princípio da dignidade reconhece que você é tão digno quanto o outro. Quando eu me sinto digno, eu me posiciono com firmeza. Eu não sou mais pessoa que você, e você não é mais pessoa do que eu.
O princípio da simplicidade é a capacidade de expressar o seu conteúdo na medida da compreensão do outro. Quem tem boa dignidade e simplicidade tem boa estratégia.
Querer ser justo em excesso, na maioria das vezes, leva você a uma exposição desnecessária e muitas vezes à decepção, pois, ser justo é entender que há medidas diferentes do que quer que seja para você e para o outro. Um exemplo característico é o tamanho de cada luva, nem todas as pessoas usam o mesmo tamanho de luva.
Aí, então, caímos na vaidade que é justamente quando não entendemos que todas as histórias têm sempre três lados e enxergamos somente o nosso. A vaidade dá rasteira na justiça, o poder subiu à cabeça e a justiça se perdeu. Somente quando este princípio está bem consolidado é que entendemos que as coisas são relativas e que existe o desigual.
Este desigual consiste no momento de vida em que a pessoa se encontra, no seu grau de evolução, nas histórias e bloqueios que já viveu, nas suas mágoas atuais e no contexto de vida que ela criou como seu mundo de verdades.
Normalmente, julgamos os outros porque temos preguiça de analisar e identificar suas crenças e aprender a gerenciá-las.
Tudo, então, só começa a melhorar quando tomamos consciência de nós mesmos. Enquanto não percebermos que não somos donos da verdade absoluta, ficaremos escravos dela.
Quando a energia do equilíbrio se estabelece e os bloqueios se desfazem, o perdão se concretiza e atingimos outro patamar de realidade, onde não há mais espaço para coisas ruins e a sua qualidade de vida se modifica completamente, pois você passa a atrair somente pessoas e situações que estão na sua mesma sintonia energética, ou seja, de acordo com o seu momento atual.

Maria IsabelCarapinha

domingo, 17 de março de 2013

"Crianças e Escolas...Futuro ou Passado"?


Quero falar sobre as crianças... As pequenas e as eternas crianças internas que todos nós temos.
Não quero defender a anarquia, pois sei que para um bom desenvolvimento do grupo precisamos de alguns limites. Mas quero, sim, desafiar nossos pensamentos e crenças a respeito de como permitimos que as crianças expressem sua criatividade e talentos naturais no ambiente onde elas passam metade do dia, 5 dias por semana, no mínimo.
Fico chocada com as escolas atuais que se dizem muito antenadas com o que existe de mais moderno na educação, mas ainda limitam o uso de canetas coloridas durante a aula ou pequenos desenhos nos cadernos de "lição".
"Liberdade" de expressão e criatividade, só na hora e lugar certo e do jeito que for permitido!
Ou nos convencendo de quão importante é o uniforme que "uniformiza" os gostos, estilos e cores, obrigando as crianças a seguirem um padrão de vestimenta que depois é revivida nas empresas e grupos, forçando a adaptação para a busca de aceitação. "Adapte-se e seja igual ou dê o fora!"
Que ao invés de feira de ciências, poderíamos ter uma feira de trocas, onde cada um traria o que não quer mais para trocar com um amigo e assim diminuiríamos muito o consumo desenfreado de brinquedos descartáveis que despertam o interesse das crianças apenas por poucos meses (quando tanto).
As notas e avaliações que ensinam e doutrinam a comparação com o outro (aluno) através de um julgamento de um terceiro (professor). Não seria mais lógico ensinarmos às crianças que o seu valor está dentro, e que comparações com o que está fora só nos leva à frustração? Que nada muda sua importância se uma é melhor que matemática do que a outra? E que se uma matéria é um desafio complexo, não muda quem você realmente é. Que o que realmente importa é aprender a gostar de estudar um assunto que realmente instigue e interesse você.
Que gramática não é mais importante que poesia.
Que química não é mais importante que música.
Que historia não é mais importante que desenho.
Onde a sabedoria do corpo (somática) fosse tão valorizada como a sabedoria da mente (cognitiva) e que se trabalhadas em conjunto seriam a melhor referência de sucesso possível.
E que a melhor coisa antes de iniciar uma aula é uma boa ginástica para integração dos hemisférios direito e esquerdo do cérebro através de movimentos corporais e músicas! E que tão importante quanto ficar quietos para assistir uma aula é dar uma boa gargalhada para estimular sinapses cerebrais importantes para o aprendizado.
E que se elas não se comportarem adequadamente, iremos medicá-las com as drogas certas para que se enquadrem no que as escolas consideram correto.
Depois de todo esse esforço para padronizarmos e sufocarmos as nossas crianças queremos que se tornem adultos criativos, multi-tarefas, seguros e com boa autoestima, levem uma vida equilibrada com foco na saúde do corpo e tenham interesse em novos aprendizados para seu autoaperfeiçoamento.
Não posso mudar as escolas. Não é essa minha missão. Mas talvez seja a sua.
O que posso sugerir é que ao encontrarmos crenças como essas por aí, possamos ter a ousadia de questioná-las.
E que também possamos nos permitir um pouco mais de alegria e liberdade no cotidiano. Para as crianças pequenas e as internas.
Que você possa se lembrar do que gostava de fazer quando mais novo (a). Um talento, uma brincadeira, uma comida ou doce favorito, uma música que faz você viajar no tempo, um lugar, um amigo.
E que essas lembranças também possam ocupar um bom lugar na sua vida.


Nathalie Favaron

sábado, 16 de março de 2013

"Poema da Saudade"!!!


Em alguma outra vida,devemos ter feito algo muito grave, para sentirmos tanta saudade...
Trancar o dedo numa porta doí. Bater o queixo no chão doí. Doí morder a língua, cólica doí, doí torcer o tornozelo. Doí bater a cabeça na quina da mesa,carie doí,pedras nos rins também doí.
Mas o que mais doí é a saudade. Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma brincadeira de infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade de nós mesmo,o tempo não perdoá.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se Ama...
Saudade da pele,do cheiro,dos beijos. Saudade da presença,e até da ausência consentida.
Você podia ficar na sala e ele no quarto,sem se verem,mas sabiam-se lá.
Você podia ir para o dentista e ele para a trabalho,mas sabiam-se onde.
Você podia ficar sem vê-lo,e ele sem vê-la,mas sabiam-se amanhã...
Contudo,quando o Amor de um acaba,ou torna-se menor no outro, sobra uma saudade que ninguém sabe como deter. Saudade é basicamente não saber. Não saber se ele continua fungando num ambiente mais frio. Não saber se ele continua sem fazer a barba por causa daquela alergia.
Se aprendeu a entrar na internet,se aprendeu a ter calma no trânsito...
Se continua preferindo cerveja a uísque(e qual a cerveja)...
Se continua sorrindo com aqueles olhos apertados,e que sorriso lindo.
Será que ele continua cantando aquelas mesmas musicas tão bem(ao menos eu admirava)?
Será que ele continua fumando e se continua adorando Mc Donalds?
Será que ele continua não amando os livros,e ela cada vez mais? E continua não gostando de dar longas caminhadas,e ela não assistindo televisão?
Será que ele continua gostando de filmes de ação,e ela de chorar em comédias.
Será que ela continua lendo os livros que já leu? Será que ele continua tossindo cada vez que fuma? Saber é não saber mesmo!!!
Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais longos,não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento. Não saber como frear as lágrimas diante de uma música,não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber se ele está com outra,e ao mesmo tempo querer.
É não saber se ele está feliz,e ao mesmo tempo perguntar a todos os amigos por isso...
É não querer saber se ele está mais magro,se ele está mais belo.
Saudade é nunca mais saber de quem se Ama e ainda assim doer.
Saudade é isso que senti(e sinto) enquanto estive escrevendo e o que você (deveria) provavelmente estar sentido agora depois que acabou de ler.
"Quem inventou a distância nunca sofreu a dor de uma saudadade'!

Martha Medeiros


sexta-feira, 15 de março de 2013

"Amor Perdido"!



 "Amar o perdido
 deixa confundido
 este coração.

Nada pode o olvido
 contra o sem sentido
 apelo do Não.

As coisas tangíveis
 tornam-se insensíveis
 à palma da mão

Mas as coisas findas
 muito mais que lindas,
 essas ficarão."
 Por Ser Intangível...
Morrerei de Amor Porque Te Quero!

Carlos Drumond de Andrade

quinta-feira, 14 de março de 2013

" O Épico Aquecimento Global"



O épico aquecimento global: da temperatura mais fria a mais quente em um século
De acordo com o climatologista Shaun Marcott, o aquecimento global impulsionou o clima da Terra de uma das suas décadas mais frias desde a última Idade do Gelo para uma de suas décadas mais quentes em apenas um século.
Um pico de calor como esse nunca aconteceu antes, pelo menos não nos últimos 11.300 anos dos quais temos registro. A nova descoberta é um bom indicador de quão rápido a mudança climática causada pelo homem progrediu – um século é um período muito curto de tempo para tal aumento.
A Terra estava muito fria na virada do século 20. A década de 1900-1909 foi mais fria do que 95% dos últimos 11.300 anos. Já na virada do século 21, ocorreu o oposto. Entre 2000 e 2009, o planeta esteve mais quente do que cerca de 75% dos últimos 11.300 anos.
A gama de temperaturas (de frias a quentes) produzida desde a revolução industrial é quase a mesmo que a dos 11.000 anos antes da revolução começar – ou seja, a mudança aconteceu muito mais rapidamente.
Os cientistas da Universidade Estadual do Oregon e da Universidade de Harvard (ambas nos EUA) acreditam que, se não fosse por influências artificiais, a Terra estaria em uma fase muito fria agora, e ficaria ainda mais fria.
Variações na forma como a Terra está inclinada e sua órbita ao redor do sol formam um padrão de fases de aquecimento planetário, seguido de fases de resfriamento através dos milênios.
“Se tivéssemos que prever a temperatura com base em onde estamos em relação à posição do sol e como estamos inclinados, poderíamos prever que estaríamos esfriando mais, mas não estamos”.
Em vez disso, o planeta está aquecendo. Em 2100, a Terra estará mais quente do que nunca. Se as emissões continuarem a aumentar como estão previstas, as temperaturas globais vão subir “bem acima de qualquer coisa que já vimos nos últimos 11.000 anos”.
Para obter uma visão sobre as temperaturas globais de muito tempo atrás, os pesquisadores estudaram 73 amostras de sedimento e gelo polares, tomadas de todo o globo. Produtos químicos encontrados em fósseis nessas amostras abrangem várias épocas e são bons indicadores de temperaturas históricas na Terra.
Os cientistas queriam colocar as tendências da temperatura global em uma perspectiva de longo alcance. Isso porque os críticos das pesquisas sobre mudanças climáticas se queixam de que elas geralmente cobrem os últimos 1.500 a 2.000 anos, e portanto são muito limitadas.
Eles argumentam que estudos mais curtos não levam em conta que o aquecimento que a Terra está vendo hoje poderia ter acontecido naturalmente milhares de anos atrás.
Apesar destes estudos mais curtos se basearem em métodos que são muito diferentes da nova pesquisa, nos dois mil anos em que se sobrepõem, os resultados têm sido basicamente os mesmos.
"Nossos dados mostram que estes estudos [mais curtos] não perderam nada”. E os resultados paralelos corroboram a precisão da nova pesquisa também.
Para chegar a tal conclusão, os cientistas escolheram o período de tempo conhecido como Holoceno para abranger sua pesquisa, porque é a mais recente fase natural quente da história da Terra. Começou no final da última Idade do Gelo, cerca de 11.500 anos atrás, e ainda estamos nele.
O Holoceno foi também a época da realização humana, o início da civilização moderna. Padrões climáticos estáveis ajudaram as pessoas a fazer tudo o que queriam, em parte porque elas não tinham mais que combater o frio de uma Idade do Gelo.
Nesse período, iniciamos a agricultura, que estendeu nossa expectativa de vida e aumentou a população da Terra. Em seguida, construímos cidades e estradas, desenvolvemos a arte, línguas e leis. Formamos impérios e nações. Eventualmente, inventamos máquinas, caindo na era industrializada, impulsionada por motores e turbinas, que são alimentados por combustível. Assim começou os efeitos dos gases (efeito estufa) nas mudanças climáticas causadas pelo homem.
O principal gás culpado é o dióxido de carbono, e seus níveis saltaram nos últimos 100 anos. Nos 11.000 anos anteriores, tais níveis mudaram apenas “muito lentamente”.
Marcott está preocupado com a capacidade das pessoas de se adaptar a um clima talvez drasticamente alterado. A última vez que a Terra esteve tão quente quanto é projetada para estar em 2100 foi antes da última Idade do Gelo começar, mais de 130.000 anos atrás. Esse período está muito longe no tempo para que seja possível recolher dados confiáveis sobre ele.
Por conta disso, Marcott não quis especular sobre como o mundo vai se parecer em 2100 caso o aquecimento global continue. “Mas certamente espero que possamos evitar isso”, concluiu.[CNN]


Natasha Romanzoti 

quarta-feira, 13 de março de 2013

"Loucos e Santos"

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto... Velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.

  Oscar Wilde

terça-feira, 12 de março de 2013

"Com os Olhos da Alma"!


O que aconteceria se todos nós, em nosso cotidiano, saíssemos às ruas com a câmara fotográfica da alma, a máquina filmadora da mente e o microfone do coração?
Isso mesmo. Que tal se todos nos tornássemos repórteres de um jornal imaginário mas importantíssimo: O nosso diário?
Estamos habituados a ler as manchetes jornalísticas que falam da violência, da queda das bolsas de valores, de maldades e tragédias.
Não seria excelente se criássemos um jornal particular de coisas boas, elevadas, sadias? Será que existem?
Dia desses fizemos uma experiência. Saímos em nosso carro,  levando justamente os aparelhos que mencionamos.
Depois de rodar por ruas e esquinas, fomos surpreendidos próximo a uma favela por um movimento diferente. Seria um protesto?
Logo, um homem enorme, de bermuda e camiseta, interrompeu o trânsito. Um grupo de moradores da superfavela pareceu vir em nossa direção. Seria um assalto?
Eram homens, mulheres e crianças com foices e tesouras. Atravessaram a rua carregando carrinhos pequenos e grandes cheios de mato.
Então, ligamos a câmara fotográfica da alma e o microfone do coração para registrar a cena. Eram os moradores da superfavela.
Trabalhadores. Mulheres faxineiras, domésticas e homens habituados ao trabalho braçal, de sol a sol. Era seu dia de folga. As crianças também não tinham aula naquele dia.
Porque o mato do lado da favela já estava a mais de um metro de altura, eles haviam resolvido limpar o terreno que bem poderia servir para os garotos chutarem bola nos finais de semana e feriados.
Os menores, andar de bicicleta e correr. Os bebês, tomarem sol no colo das suas mamães.
Dia de descanso. Dia de limpeza geral. Mutirão da ecologia. Lição de solidariedade. Trabalho conjunto para o bem de todos.
Quando a longa fila terminou de desfilar, o trânsito foi liberado e prosseguimos.
Dia seguinte passamos por uma escola. Hora de aula, mas três garotos, de uniforme, estavam no jardim. Um deles tinha uma mangueira e outros dois estavam com regadores.
Ligamos o microfone do coração e a filmadora da mente para não perder a cena.
As flores balançavam ao vento, agitando suas hastes, felizes pelas gotas d'água que as refrescavam do calor do dia.
Um caco de vidro resmungou: Por isso o Brasil não vai prá frente. Ao invés de estudar, eles ficam molhando plantinhas.
O canteiro, cheio de rosas coloridas, atraiu uma garotinha da primeira série que se aproximou e falou:
Eu gosto desta escola porque tem flores. João, eu posso ajudar?
Descemos do carro, recolhemos o caco de vidro e o jogamos em uma lata de lixo logo adiante. Voltamos para casa com belas fotos, interessantes histórias e imagens maravilhosas de cenas de amor à natureza e aos homens.
Quando cada qual se dispuser a realizar a parte que lhe toca, no concerto do mundo, sem se importar com o que o outro deve fazer, o mundo terá alcançado grande progresso.
As ruas se mostrarão limpas, as calçadas livres de entulhos, as casas bem pintadas, as escolas cheias de flores, os hospitais com belos jardins, para alegrar os que se encontram em recuperação de suas enfermidades.
"Quando todos nos empenharmos em fazer o melhor que pudermos, a nossa parte, por menor que seja, teremos atingido o mundo melhor que todos sonhamos".

Momento Espírita


segunda-feira, 11 de março de 2013

"A Inteireza da Vida"!

Ninguém vive pela metade. O espaço de vida de cada um é o que cada qual tem de inteiro.
Se dura vinte ou cinqüenta  anos, não faz diferença... O que conta é que uma vida é uma vida!
Não existe meio amor, meia felicidade, meia saudade...
Todo sentimento por si só é inteiro!
Ou a gente é feliz, ou não é... Ou ama, ou não ama... Ou quer, ou não quer...
Quando amamos, dúvida não existe... Se queremos realmente, não existe dúvida.
Se somos felizes... Cadê o espaço pra infelicidade, se a felicidade toma conta de tudo?!
Então, se você se sente nesse meio caminho, talvez seja o momento de parar e refletir um pouco na sua existência. A vida é inteira, mas não temos a vida inteira para decidirmos vivê-la intensamente. Temos o agora!
Há quem diga que pelo fato de ser jovem ainda tem tempo. Mas quem, além de Deus, sabe dizer a medida da vida de cada um? Perdemos preciosos minutos no nosso hoje com a idéia que amanhã as coisas acontecerão e que podemos esperar.
Quando começamos a medir e pesar nossos sentimentos, não vamos a lugar nenhum.
Haverá sempre uma luta cerrada entre o coração que quer viver e a razão que mede conseqüências. Medindo dificuldades, não fazemos nada... Se devemos medir alguma coisa, devem ser então as possibilidades. Aí sim estamos no caminho certo.
Para os pessimistas uma pedra é um estorvo... Para os otimistas é um pedacinho do alicerce da própria vida. O segredo está no olhar com que cada um vê as situações.
Só enfrentando os medos e o desconhecido é que conseguiremos viver de forma inteira essa vida que se oferece a nós em pedaços. Ninguém disse que não há riscos...
Mas não é melhor arriscar do que viver o restante dos nossos dias na infelicidade de se perguntar o que teria sido se tivéssemos tentado?
Quando fizer alguma coisa, faça com inteireza de coração...
Ame totalmente, ria totalmente, faça de tudo um todo. A vida é bela demais para ser deixada em suspenso. O amor é bom demais para que possamos vivê-lo em pequenas partes, sem que o tornemos real e possível.
Tente viver com a metade do seu coração e veja se consegue... Difícil ser feliz sem ser completo... Impossível ser completo parado num caminho de indecisões.
O coração talvez não seja o melhor conselheiro. Mas é o que nos mantém vivos e que está sempre junto, sempre ligado a nós...
Deixe, pelo menos uma vez, que ele fale mais alto!


 Letícia Thompson

domingo, 10 de março de 2013

Pare de esperar, porque seu amor nunca vai chegar!

É, essa afirmação parece mesmo o fim da esperança, quase um castigo, um mau agouro...
Mas não se trata disso! A intenção é fazer algumas pessoas perceberem o grave erro que cometem acreditando que devem passar a vida toda esperando por alguém que lhes traga a completude, a felicidade ou o preenchimento de um vazio, de uma solidão, de um buraco.
A única possibilidade de viver um grande amor, um amor de verdade, é cultivando essa qualidade de amor internamente. Não tem outra ordem, outro jeito, um atalho ou uma exceção. Todos nós só nos tornamos capazes de abrir portas para uma história de amor quando já vivenciamos dentro de nós exatamente esse sentimento.
O engano, portanto, nem é o de desejar encontrar alguém com quem se possa experimentar uma das trocas mais sublimes e enriquecedoras que podemos viver...
O engano está no fato de continuar apostando que é o outro quem traz os ingredientes necessários. Como se você fosse a forma e o outro fosse a massa do bolo. Não!
A forma nasce por si só, do encontro entre uma combinação mágica de dois seres diferentes e complementares. Mas cada qual precisa contribuir com sua parte, com suas qualidades, escolhas, atitudes e sentimentos. Como ímã que atrai metal... Não atrai papel, nem plástico. Atrai metal.
Assim é com quem quer viver um relacionamento que valha a pena.
Porém, o que mais vejo acontecendo são pessoas carentes querendo encontrar pessoas seguras. Pessoas cheias de defesas querendo encontrar pessoas que se entregam. Pessoas ciumentas e inseguras querendo encontrar pessoas com autoestima interessante. Pessoas arrogantes e orgulhosas querendo encontrar pessoas maduras e equilibradas.
Ou ainda, pessoas que caem na armadilha dos opostos sem se darem conta de que se trata de um ciclo vicioso e destrutivo...
O bonzinho que atrai o egoísta... O submisso que atrai o dominador... A vítima que atrai o algoz...O tímido que atrai o popular. E por aí vai... Um desastre atrás do outro, minando a crença de que o amor pode dar certo.
Nada a ver! Desacreditar do amor é só mais um dentre tantos equívocos. A questão é: pare de esperar pelo outro! Pare de achar que é o outro quem vai solucionar sua falta. Pare de apostar que um dia, como num conto de fadas, o príncipe ou a princesa irá surgir para lhe tirar dessa vidinha chata e sem graça! É você quem tem de exercitar todos esses papéis.
Transite pelo lugar da gata borralheira, da cinderela, da bruxa, da fada, do príncipe, do sapo, do lobo-mau e de todas as tantas personas que fazem parte de uma história, de uma vida. Experimente, aprenda, cresça e descubra suas medidas, seus tons, seus limites e desejos. Aprenda a se conhecer e a reconhecer quem é você realmente e o que está pronto para viver!
O outro não vem... Ele é atraído! O outro não a descobre... Ele se identifica com quem você é! O outro não a salva,,, Ele entra no seu barco ou não, dependendo do destino que você escolheu seguir.
É você quem decide! Não pelo outro, não por quem ele é, não pelo tempo em que ele vai chegar, não pelo tempo que você sonha com ele, nem pelos anos que você o amou.
Você decide por si! Por quem você é, para onde você vai, pelo seu tempo e o que você faz com ele.
O amor já está aí, assim como todos os outros sentimentos possíveis. Agora, resta saber: o que você tem exercitado? Com que persona você tem encarado o mundo?
Respondendo a essas perguntas, é bem provável que você comece a compreender por que tem atraído essas pessoas, esses relacionamentos e essas histórias para viver.
De uma coisa estou certa: quanto mais autêntico, quanto mais coerente com o que sente, quanto mais perto de sua essência você estiver, mais satisfatória será a sua vida, com ou sem uma história de amor em andamento. Simplesmente no seu caminho, no seu tempo, com a sua verdade!
E, sobretudo, com o amor que sempre foi, é e sempre será seu!


Rosana Braga

sábado, 9 de março de 2013

“Sobre a coragem de mudar”

Em tempos passados o normal era que um jovem escolhesse uma carreira e permanecesse nela até morrer, ainda que ela não lhe desse felicidade, tal como acontecia também com os casamentos. Para sempre, até que a morte os separe. Uma coisa boa dos tempos em que vivemos, a despeito de todas as suas confusões, é que as pessoas descobriram que é possível mudar a direção do vôo. Nada as obriga a voar sempre na mesma direção até o fim. Eu mudei minhas direções várias vezes e não me arrependo. Meu amigo Jether era um próspero dentista na cidade do Rio de Janeiro. Estava ficando rico. Riqueza dá segurança. Segurança dá tranqüilidade à família. Mas enquanto ele olhava para o mundo delimitado pelos dentes dos seus clientes, a sua alma voava por outros mundos! E foi assim que, num belo dia, ele resolveu voar. Chegou em casa e comunicou à esposa Lucília: “Meu bem, vou vender o consultório”. E assim, com mais de quarenta anos, voltou para a estaca zero e foi se preparar para o vestibular… E ele seguiu um caminho feliz! Está com 82 anos, tem cara de 60, disposição de 40 e leveza de criança! Cada profissão delimita um mundo: há o mundo dos advogados, dos dentistas, dos engenheiros, dos professores, dos médicos, dos músicos, dos artistas, dos palhaços, do teatro. O jovem estudante do filme "Sociedade dos Poetas Mortos" sonhava em ser artista de teatro. Mas seu pai havia mirado seu arco para a medicina… Dezoito ou dezenove anos é muito cedo para definir o que se vai fazer pelo resto da vida. Esse é um tempo de procuras, indefinições, sonhos confusos. É normal que, ao meio do curso universitário, o jovem descubra que tomou o trem errado e se disponha a saltar na próxima estação. É angústia para os pais. Claro, porque o que eles mais desejam é ver o filho formado, empregado, ganhando dinheiro. Isso lhes daria liberdade para viver e permissão para morrer… Mas não seria terrível para ele – ou ela – se, só para não “perder tempo”, “só para não voltar ao início”, continuasse até o fim? Se não quero ir para as montanhas, se quero ir para a praia, por que continuar a dirigir o carro pela estrada que vai para as montanhas? Pais, não fiquem angustiados. Sua angústia é inútil. E nem fiquem com a ilusão de que o diploma dará emprego ao filho. Não dará. Assim é melhor ir devagar seguindo a direção que o coração manda. O difícil, para os pais, será se o filho, no último ano de direito, lhes comunique: “Descobri que não gosto de Direito. Vou estudar para ser palhaço!” Aí posso imaginar o embaraço do pai e da mãe quando, em meio a uma reunião social, quando se fala sobre os filhos, alguém lhes dirija a palavra e diga: “Meu filho está no Itamarati. Vai ser diplomata. E o seu?” Resposta: “O nosso está no circo. Vai ser palhaço…” Cá entre nós: não sei qual profissão dá mais felicidade, se a de diplomata ou se a de palhaço…

Rubem Alves

"O Amor como meio não como fim"...



É hora de substituir o ideal romântico do amor que basta em si mesmo (por isso não dura) por uma relação que traga crescimento individual.
Há algo de errado na forma como temos vivido nossas relações amorosas. Isso é fácil de ser constatado, pois temos sofrido muito por amor. Se o que anda bem tem que nos fazer felizes, o sofrimento só pode significar que estamos numa rota equivocada. Desde crianças, aprendemos que o amor não deve ser objeto de reflexão e de entendimento racional; que deve ser apenas vivenciado, como uma mágica fascinante que nos faz sentir completos e aconchegados quando estamos ao lado daquela pessoa que se tornou única e especial. Aprendemos que a mágica do amor não pode ser perturbada pela razão, que devemos evitar esse tipo de contaminação para podermos usufruir integralmente as delícias dessa emoção – só que não tem dado certo. Vamos tentar, então, o caminho inverso: vamos pensar sobre o tema com sinceridade e coragem. Conclusões novas, quem sabe, nos tragam melhores resultados.
Vamos nos deter em apenas uma das idéias que governam nossa visão do amor. Imaginamos sempre que um bom vínculo afetivo significa o fim de todos os nossos problemas. Nosso ideal romântico é assim: duas pessoas se encontram, se encantam uma com a outra, compõem um forte elo, de grande dependência, sentem-se preenchidas e completas e sonham em largar tudo o que fazem para se refugiar em algum oásis e viver inteiramente uma para a outra usufruindo o aconchego de ter achado sua metade da laranja. Nada parece lhes faltar. Tudo o que antes valorizavam – dinheiro, aparência física, trabalho, posição social etc. – parece não ter mais a menor importância. Tudo o que não diz respeito ao amor se transforma em banalidade, algo supérfluo que agora pode ser descartado sem o menor problema.
Sabemos que quem quis levar essas fantasias para a vida prática se deu mal. Com o passar do tempo, percebe-se que uma vida reclusa, sem novos estímulos, somente voltada para a relação amorosa, muito depressa se torna tediosa e desinteressante. Podemos sonhar com o paraíso perdido ou com a volta ao útero, mas não podemos fugir ao fato de que estamos habituados a viver com certos riscos, certos desafios. Sabemos que eles nos deixam em alerta e intrigados; que nos fazem muito bem.
De certa forma, a realização do ideal romântico corresponde à negação da vida. Visto por esse ângulo, o amor é a antivida, pois em nome dele abandonamos tudo aquilo que até então era a nossa vida. No primeiro momento até podemos achar que estamos fazendo uma boa troca, mas rapidamente nos aborrecemos com o vazio deixado por essa renúncia à vida. A partir daí, começa a irritação com o ser amado, agora entendido como o causador do tédio, como uma pessoa pouco criativa e desinteressante. O resultado todos conhecemos: o casal rompe e cada um volta à sua vida anterior, levando consigo a impressão de ter falido em seus ideais de vida.
Os doentes acham que a saúde é tudo. Os pobres imaginam que o dinheiro lhes traria toda a felicidade sonhada. Os carentes – isto é, todos nós – acham que o amor é a mágica que dá significado à vida. O que nos falta aparece sempre idealizado, como o elixir da longa vida e da eterna felicidade.
Diariamente, porém, a realidade nos mostra que as coisas não são assim, e acho importante aprendermos com ela. Nossas concepções têm de se basear em fatos, nossos projetos têm que estar de acordo com aquilo que costuma dar certo no mundo real. Fantasias e sonhos, ao contrário, têm origem em processos psíquicos ligados à lembranças e frustrações do passado. É importante percebermos que o que poderia ser uma ótima solução aos seis meses de idade, como voltar ao útero materno, será ineficaz e intolerável aos 30 anos. A bicicleta que eu não tive aos 7 anos, por exemplo, não irá resolver nenhum dos meus problemas atuais. É preciso parar de sonhar com soluções que já não nos satisfazem a adaptar nossos sonhos à realidade da condição de vida adulta.
Se é verdade, então, que o amor nos enche de alegria, vitalidade e coragem – e isso ninguém contesta –, por que não direcionar essa nova energia para ativar ainda mais os projetos nos quais estamos empenhados? Quando amamos e nos sentimos amados por alguém que admiramos e valorizamos, nossa auto-estima cresce, nos sentimos dignos e fortes. Tornamo-nos ousados e capazes de tentar coisas novas, tanto em relação ao mundo exterior como na compreensão da nossa subjetividade. Em vez de ser um fim em si mesmo, o amor deveria funcionar como um meio para o aprimoramento individual, nos curando das frustrações do passado e nos impulsionando para o futuro. Casais que conseguem vivê-lo dessa maneira crescem e evoluem, e sob essa condição seu amor se renova e se revitaliza.

Flávio Gikovate

sexta-feira, 8 de março de 2013

"Um Universo de Mulheres"!



Existe um Universo de Mulheres!
Mulheres que curam com a força do seu amor...
Mulheres que aliviam dores com a sua compaixão...
Mulheres que se consagram por seus feitos...
Mulheres que cantam o que a gente sente...
Mulheres que escrevem o que a gente sente...
Mulheres glamourosas... Mulheres maravilhosas...
Mulheres que nos fazem rir...Mulheres batalhadoras...
Mulheres talentosas...Mulheres sonhadoras.
O Mundo também é feito por outros tipos de mulheres...
Aquelas que não são conhecidas ou famosas...
Mulheres que deixam para trás tudo o que têm...
Em busca de uma vida nova...
Mulheres que todos os dias...
Encontram-se diante de um novo começo...
Mullheres que acreditam... Mulheres que conquistam...
Mulheres que se doam...
Mulheres que amam eternamente...
Mulheres que carregam no presente...
As sombras daquele amor do passado...
Mulheres que se submetem a duras regras...
Mulheres que se perguntam qual será o seu destino...
Mulheres que sofrem diante de perdas inexplicáveis...
Mulheres que sofrem diante das injustiças...
Mulheres que lutam, defendem, consolam, abrigam...
Mães amorosas... Avós carinhosas...
Mulheres que têm estampado na face... Cada dia de suas vidas..
TODAS!... Mulheres Especiais...
Mulheres Anjos...
Tão bonitas quanto qualquer Estrela...
Que labutam diariamente para fazer do Mundo...
Um lugar melhor para se viver.
GotinhaMRL

quinta-feira, 7 de março de 2013

"Pedaço de Vida"...


“Se por um instante Deus se esquecesse de que sou uma marioneta de trapos e me presenteasse com mais um pedaço de vida, eu aproveitaria esse tempo o mais que pudesse...
Possivelmente não diria tudo o que penso, mas definitivamente pensaria tudo o que digo.
Daria valor às coisas, não por aquilo que valem,mas pelo que significam.
Dormiria pouco, sonharia mais, porque entendo que por cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz.
Andaria quando os demais se detivessem,acordaria quando os demais dormissem.
Se Deus me presenteasse com um pedaço de vida, deitava-me ao sol, deixando a descoberto, não somente o meu corpo, como também a minha alma.
Aos homens, eu provaria quão equivocados estão ao pensar que deixam de se enamorar quando envelhecem, sem saberem que envelhecem quando deixam de se enamorar...
A um menino eu daria-lhe asas, apenas lhe pediria que aprendesse a voar.
Aos velhos ensinaria que a morte não chega com o fim da vida, mas sim com o esquecimento.
Tantas coisas aprendi com Vós homens…. Aprendi que todo o mundo quer viver no cimo da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpa.
Aprendi que quando um recém nascido aperta com a sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo do seu pai, agarrou-o para sempre.
Aprendi que um homem só tem direito a olhar o outro de cima para baixo, quando está a ajudá-lo a levantar-se.
São tantas as coisas que pude aprender com Vocês, mas agora, realmente de pouco me irão servir, porque quando me guardarem dentro dessa caixa, infelizmente estarei morrendo.
Sempre diz o que sentes e faz o que pensas.
Supondo que hoje seria a última vez que te vou ver dormir, te abraçaria fortemente e rezaria ao Senhor para poder ser o guardião da tua alma.
Supondo que estes são os últimos minutos que te vejo, diria-te “Amo-te” e não assumiria, loucamente, que já o sabes.
Sempre existe um amanhã em que a vida nos dá outra oportunidade para fazermos as coisas bem, mas pensando que hoje é tudo o que nos resta, gostaria de dizer-te o quanto te quero, que nunca te esquecerei.
O amanhã não está assegurado a ninguém, jovens ou velhos.
Hoje pode ser a última vez que vejas aqueles que amas. Por isso, não esperes mais, fá-lo hoje, porque o amanhã pode nunca chegar. Senão, lamentarás o dia em que não tiveste tempo para um sorriso, um abraço, um beijo e o teres estado muito ocupado para atenderes esse último desejo.
Mantém os que amas junto de ti, diz-lhes ao ouvido o muito que precisas deles, o quanto lhes queres e trata-os bem, aproveita para lhes dizer, “perdoa-me”, “por favor”, “obrigado” e todas as palavras de amor que conheces.
Não serás recordado pelos teus pensamentos secretos. Pede ao Senhor a força e a sabedoria para os expressar.
Demonstra aos teus amigos e seres queridos o quanto são importantes para ti”.

 Gabriel Garcia Marques

segunda-feira, 4 de março de 2013

"Celular pode desligar relacionamentos"?


Smartphones podem ser viciantes, e tem gente que gasta mais tempo com esses aparelhos do que com seu parceiro, mesmo em encontros românticos. Ao mesmo tempo em que a tecnologia permite que estejamos conectados constantemente com o mundo, ela também pode nos tornar mais desconectados uns dos outros.
Pesquisadores da Universidade de Essex descobriram que as pessoas relataram um relacionamento pobre e pouca confiança no seu parceiro se havia um celular próximo durante uma discussão, mesmo que ele não estivesse em uso. Também acharam que seu parceiro tinha menos empatia pelos seus problemas.
Outros estudos apontam que os celulares podem distrair nossa atenção do momento presente, e isto é um problema, se considerarmos que três de cada cinco proprietários de smartphones nos EUA não conseguem ficar uma hora inteira sem checar seus aparelhinhos.
Mais ainda: a tecnologia pode separar casais e terminar relacionamentos. Estar conectado com os colegas e a satisfação imediata nestes relacionamentos virtuais podem fazer com que se gaste mais energia fantasiando conexões em vez investi-la em nosso parceiro ou parceira. Eles podem até mesmo abrir caminho para a infidelidade emocional.
Não dá para se livrar dos aparelhinhos, principalmente para quem os usa para trabalhar, mas a tecnologia deve ser usada com sabedoria, dizem os cientistas.
Deixe de lado...
Em um encontro, o melhor a se fazer é deixar o celular fora de vista e fora da mente. Desligue-o e coloque-o em uma bolsa ou bolso enquanto estiver no encontro. O mundo não vai acabar se você não verificar seu e-mail uma hora ou duas.
À noite, também é uma boa ideia desligar fones, tablet e laptops, ou pelo menos deixá-los fora do quarto. Eles podem interferir com a sua capacidade de relaxar e se desligar, e também podem distrair você. Melhor dar atenção para quem está ao seu lado.
Repense a mídia social...
Não é uma boa ideia conectar-se com seus ou suas “ex” online, e pode ser uma boa ideia também não fazer o mesmo com seu parceiro atual. Saber todos aspectos mais mundanos do dia-a-dia de sua cara metade, como o que comeu, e quais filmes quer ver, pelo Facebook, acaba com todo o senso de mistério, e diminui a necessidade de descobrir isto cara-a-cara, com uma conversa sincera.
Se você quer se conectar online com seu/sua parceiro/a atual, considere algum serviço que ajude a aproximar o casal. Programas como o Between e TwoCup tem sido chamados de espaços íntimos online, e por um bom motivo: eles permitem compartilhar memórias, mensagens, e fotos – e sem ninguém mais se meter ou mesmo ver.
Crie uma conexão sexy...
A tecnologia não é de todo ruim; ela pode até mesmo ajudar a aumentar a intimidade e apimentar as preliminares.
Use seu smartphone para mandar para sua cara metade e-mails, mensagens de texto ou de voz sexys. Você pode até mesmo descrever uma fantasia ou seus planos para mais tarde com ele ou ela. E que tal um pouco de flerte no Skype ou FaceTime, principalmente se um dos dois estiver fora da cidade? Apenas lembre de usar uma conta particular, não da empresa para qual você trabalha, por exemplo.
Smartphones e outros aparelhos podem ter um impacto negativo no seu relacionamento, mas não precisa ser sempre assim. Aprenda a usá-los sabiamente e você pode começar a se sentir mais conectado com sua cara metade. 

 Cesar Grossmann

domingo, 3 de março de 2013

"Aquilo que me falta"...



Na verdade...
Não sinto falta das formas da minha juventude...
Nem do brilho que meus olhos possuía.
Sequer reclamo dos fios prateados...
Que tentam pintar meus cabelos...
Ou das marcas que o tempo desenhou...
Nos traços do meu rosto.

Talvez eu busque um amanhecer...
Mais azul do que o habitual...
Uma fatia de lua cintilante especial...
Um sopro de brisa que embale...
Pequenos cachos de flores coloridas.

Um bando de pássaros voando...
Em direção às encostas floridas...
Uma canção que faça meu coração bater descompassado...
Uma emoção que mantenha meu sonho acordado...
Uma inesgotável vontade de fazer acontecer...

Não ...
Não é a juventude o que me falta agora !
É qualquer coisa de meu...
Que em algum ponto do caminho...
Eu deixei fugir do coração, e ir embora.


 Autor Desconhecido

sábado, 2 de março de 2013

"Canção do Outono"



Perdoa-me, folha seca...
Não posso cuidar de ti.
 Vim para amar neste mundo... 
E até do amor me perdi.

De que serviu tecer flores...
 Pelas areias do chão...
Se havia gente dormindo...
 Sobre o própro coração...
E não pude levantá-la!

 Choro pelo que não fiz...
 E pela minha fraqueza...
 É que sou triste e infeliz..
 Perdoa-me, folha seca!
 Meus olhos sem força estão...
 Velando e rogando áqueles...
 Que não se levantarão!

 Tu és a folha de outono... 
Voante pelo jardim...
 Deixo-te a minha saudade...
  A melhor parte de mim...
 Certa de que tudo é vão...
 Que tudo é menos que o vento...
 Menos que as folhas do chão!

 Cecília Meireles

sexta-feira, 1 de março de 2013

"Pega Nada"!



Estamos vivendo a época do "Pega Nada".
Esse sentimento do "Pega Nada" vem de longa data, para ser mais preciso desde as. atividades ultramarinas dos nossos colonizadores.
Eles não implantaram e sim plantaram aqui o dito "Jeitinho" que depois de algumas gerações assumimos como nosso, ou seja, o "Jeitinho brasileiro".
Com tantos mandos e desmandos passamos por várias formas governamentais; -Monarquia,Democracia,Totalitarismo,Ditadura e o retorno para essa pseudodemocracia.
Pseudo sim porque fica claro que o país não é para todos.
Temos uma Constituição que no momento não alcança a todos e o pior não é para um país como o nosso e sim para um povo com melhor qualidade de educação. Pois um país que só faz Lei e Lei pra tudo já prova que tudo tem que ser coercitivo, mais ou menos na base do castigo. Se houvesse investimento básico na "Educação" o povo saberia seus limites. Mas anos a fio as famílias vem se distanciando, os valores morais ou seja os poucos que existiam foram sendo esquecidos. Mas no tempo da Terra Brasilis o que importava era o contrabando de nossas riquezas minerais e quem era pego era executado e claramente os nossos monarcas e fidalgos tinham também suas prerrogativas e pau no povão. Indios, mamelucos, cafuzos, caboclos e brancos pobres. Mas o "Pega Nada" já era o lema de conduta e infestava nossa Administração Publica ou escaninhos como preferir.
A microcriminalidade que vivemos atualmente com tantas mortes é produto sim da Macrocriminalidade ( seja nas esferas municipais, estaduais e federais). Quantos mensalões existem pelo Brasil a fora ou melhor a dentro? Já nem mais estarrecidos ficamos.
O "Pega Nada" está incutido na cabeça de nossos jovens e adolescentes e por conta disso estamos diante de nosso faroeste caboclo.
É lógico que sociologicamente falando sobre o tema "Crime" esse sempre existiu uns de pequena monta outros hediondos mas eram casos esporádicos e deve existir para que uma sociedade fique sempre atenta. Hoje ao lado da microcriminalidade estão as drogas e essa é a principal causa da violência cotidiana, pois ela alucina e juntamente com a cultura do "Pega Nada" deixa cada um de nós refém dessa situação.
O brasileiro segue a Lei de Gerson e só pensa em si. Quantos hoje vive apenas pela aparência (não interessa quem sou, como vivo ou o que tenho e sim o que pensam de mim). Aparência!!!
 E também tem a palavra "Perdão", que funciona como uma tecla DEL, ou num passado não tão distante como uma borracha. Ou seja, as pessoas erram cometem atrocidades e apenas falando "Perdão" se sentem renovadas para poder fazer novamente.
 A cultura do ninguém é de ninguém, essa então é como se fosse um autorizamento discriciónario para poder fazer o que quiser sem respeitar ninguém.
"Pega Nada", "Ninguém é de ninguém" , "Perdão"... E com isso quantas gerações não foram perdidas e continuarão a se perder.
Tudo parece acontecer com os outros... Ledo engano!
Poderia estar tudo melhor, mas é melhor criticar e jogar a culpa nos outros ao invés de trabalharmos e fiscalizarmos. Olhar para a janela do vizinho e falar que esta suja.
Mas deixa prá lá mesmo... "Não pega nada".


 Vander Herrera Baptista

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

" Um Povo Sofrido...Os Índios Guaranis"!



O Povo Guarani é um dos maiores povos indígenas do Brasil.
Atualmente somam cerca de trinta mil pessoas, distribuídos em vários Estados nas Regiões Oeste, Leste e Sul do Brasil. Os países vizinhos ao Brasil, como Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia possuem também, essa tão espiritualizada etnia indígena.
Nos séculos XVII e XVIII somavam para mais de dois milhões de indígenas, só no Brasil.
Os indígenas Guarani de todos esses países possuem cultura milenar, baseada em sua ancestralidade histórica, política e organizativa: "ñanderekó, nanderekó, arandu" é sua visão de mundo, sua cosmologia, seu jeito de ser.
Dotados de extrema espiritualidade, usufruem dela como sua autêntica religião que séculos e séculos, o sistema político por um lado, e jesuítico por outro, tentou deflagrar, apesar das boas intenções. Povo "combativo e guerreiro", nas suas convicções culturais, detém conhecimentos ancestrais da mais elevada categoria, baseados na língua indígena, também chamada Guarani, preservada até os dias de hoje, após sofrer milhares de pressões, políticas, econômicas e ético-culturais.
O Guarani tem como essência de vida, isto é, sua marca étnica, a grande prática do "caminhar" que significa em língua guarani "guata". O caminhar significa também evoluir e fortalecer-se espiritualmente. Essa prática do caminhar, faz parte do movimento migratório dos guarani desde o tempo da colonização. Esse caminhar constante é justificado pelo yvý opa, a busca da terra sem males, que aqui definimos como uma terra que os permita viver com dignidade, sem interferências paternalistas, enfim, um paraíso mítico de sua ascendência. Esse caminhar cobre uma grande extensão, que vai do norte da Argentina (no caso do sub-grupo Mbyá) e da Serra de Mbaracaju (no caso do sub-grupo Xiriá ou Nhandeva) até o litoral do Estado do Espírito Santo, passando por todos os Estados citados no início do texto.
Sepé Tiaraju, uma das maiores lideranças do século XVIII, foi assassinado por um português pela frente e um espanhol pelas costas, simultaneamente, na batalha de 7 de fevereiro de 1756, em Bagé, no Rio grande do Sul, Brasil, depois de CAMINHAR com seus guerreiros, dias, meses e anos a pé, fazendo negociações entre os países que cobriam as Bacias dos Rios Paraguai, Paraná e Uruguai, objetivando os Direitos Indígenas daquele povo que estava sendo massacrado, pela escravidão, pela imposição de uma política européia que já vivia desde o século XVI, a decadência moral, política e econômica, principalmente Portugal e Espanha que impuseram o Tratado de Tordesilhas (1494) e o Tratado de Madri (1750),Tratados esses que dividia e entregava o Brasil entre eles e que só trouxe, durante um século e meio, o desrespeito à cultura Guarani.
Tanto no passado, quanto no presente vemos ainda as mesmas denúncias que afetam a cosmologia dos povos indígenas tais como: "Quando o branco chegou na nossa terra, índio pensava que branco era do lado de Deus, índio pensava que Deus tinha vindo visitar".
De fato, branco tem tudo e índio não tem nada: branco tem arame farpado, nós não temos; branco tem livro, nós não temos; branco tem machado de ferro, nós não temos; branco tem carro, nós não temos; branco tem avião, nós não temos (...). Mas branco veio e roubou as nossas terras e índio não podia mais caçar. Falou que as terras boas eram dele, falou que os peixes dos rios e dos lagos eram deles. Depois trouxe as doenças. Depois se aproveitou de nossas mulheres. E o índio se revoltou. Então o branco matou os nossos avós, matou-os, massacrou-os muito e o índio fugia tão rápido como a coisa mais rápida. Então o índio entendeu que o Deus do branco era ruim ". UM CHEFE DA NAÇÃO MACUXI, Jornal do Brasil, 10/07/1980".
De dois milhões que eram os guarani, hoje somam 30 mil pessoas. Realmente foram exterminados, mas ficaram filhos e filhas de líderes assassinados na atualidade como Marçal Tupã-y, o pequeno DEUS (líder indígena Guarani assassinado em 25 de novembro de 1983, por defender o seu povo), que pensava como o Chefe Maxuxi e que, como outros, criaram consciência para as próximas gerações: " Já não podemos nós, os guarani, calar-nos agora, diante dos estrangeiros"(Marçal Tupã-Y /1982);"Eu não fico quieto não, eu reclamo... Eu falo... Eu denuncio...; " A bomba atômica é uma ameaça constante. Quem a programou? Quem deseja realmente a paz mundial? Porque os covardes ameaçam com seus aparatos bélicos": E nós éramos...E nós somos ainda uma nação espoliada, explorada;esfolada"( Marçal Tupã-Y/discurso em reunião do movimento indígena brasileiro nas Ruínas de S.Miguel, no Estado do Rio Grande do Sul, aldeamento indígena criado pelos jesuítas para apoiar o povo de Sepé Tiaraju, destruído no período da colonização. De uns anos para cá a consciência indígena guarani tem-se sobre-elevado e sua auto-estima começa a despontar como a ponta de um iceberg, assim como para mais de 400 mil indígenas que ressurgiram _ COMO QUE UM SONHO_ dos cantões das cidades, justamente como índios desaldeados, da maneira como revelou o CENSO do IBGE, em pesquisa feita em 2000. Surgirão muito mais, neste século, os índios descendentes, com caras e histórias de índios e índias e ignorados pela ciência burguesa, pois esse contingente indígena nunca mais terá vergonha e medo de assumir sua identidade indígena por sofrer a discriminação social, racial e a intolerância cultural e religiosa sobre sua cosmovisão de vida.
Menos de 50% das terras Guarani estão demarcadas e asseguradas juridicamente e muitas delas estão ameaçadas pela sobreposição de Unidades de Conservação Ambiental em seu território, projetos governamentais planejados sem passar pela consulta aos guarani.
Os Guarani desde o passado, quando o Projeto Jesuítico chamado de "REPÚBLICA DOS GUARANI", foi implantado como um projeto assistencial, de defesa e de desenvolvimento aos moldes da Igreja católica contra os colonizadores chamados de "Entradas e Bandeiras" , _ até hoje, plantam a erva-mate, que constitui-se numa planta que produz um chá bem quente denominado chimarrão ou um chá bem frio, denominado tererê, e que ficou como marca cultural de todo o povo não indígena do Sul do Brasil, nos dias atuais.
Utilizam a agricultura de subsistência (mel do mato, palmito, banana, mandioca, milho e feijão) e a conservam de forma tradicional, assim como sua língua, religião, educação e organização social. Utilizam com muita ênfase a prática da medicina tradicional e a valorização dos cânticos e dos pajés. Produzem e vendem artesanatos, cerâmicas, tecelagens, arcos e flechas para a caça e pesca.
Os guarani do passado junto com o padre alemão Sepp, no século XVII, no citado Projeto República Guarani, descobriram o ferro e passaram a produzir sinos para Igrejas e aldeamentos, com mão-de-obra indígena, assim como centenas de atividades faziam parte do cotidiano daqueles guarani, como aprendizagem de línguas estrangeiras, matemática, astrologia, artes, etc. Depois do massacre imposto pelo Marquês de Pombal, grande parte da população guarani foi exterminada e conduzida à escravidão. Quando iam pra lavoura, cabisbaixos realizavam suas tarefas com muita dor, muitos se suicidavam. E a melancolia surgia como uma centelha de esperança para um novo momento. A luta dos guaranis foi muito sacrificada ardorosa, mas hoje esse povo canta a alegria de sua identidade e dignidade reconstruídas. As crianças e adolescentes guarani já têm um patrimônio cultural registrado mecanicamente, através de CDs, para a posteridade.
As orações dos guarani consideradas demoníacas para os jesuítas, eram na realidade o que são hoje, a verdadeira expressão das crenças e espiritualidades indígenas. As orações são dirigidas ao sol, ao criador, aos espíritos, aos ancestrais. A alma é universal e Deus é supremo, um grande ancestral. Nas danças, embebidos pela erva-mate ou uma bebida tradicional oriunda do Kurupá que causa uma excitação, divertem-se e entram em contato com os espíritos. O pajé, costumeiramente, toma bebida para prever o futuro ou curar. Os espíritos dos mortos permanecem por algum tempo em suas moradas. Esses espíritos têm grande poder sobre os vivos. Esse povo desconhece castigos, punições ou coações às crianças ou ao seu semelhante.
 A Organização Social, Política e Econômica dos guarani do passado, segundo o Dr. Bevilaqua no Congresso de História Nacional (1915), os guarani antes da colonização estrangeira possuíam organização política definida. Se havia defeitos, vícios, deve-se ao fato de o domínio guarani ser extenso demais e também deve-se relevar as diferenças climáticas, os meios distintos, as diferentes necessidades de cada grupo.
Aos Guarani não se cabia o termo "clãs" e sim nações, pátrias, como é o conceito atual do Movimento Indígena Internacional, termo esse designado ""Povos Indígenas", conquistado nas lutas em várias instâncias para que tal termo fosse efetivamente substituído na Declaração Universal dos Direitos Indígenas, Declaração essa que foi trabalhada durante vinte anos, pelos PRÓPRIOS POVOS INDÍGENAS, ao lado dos governos, no Grupo de Trabalho sobre Povos Indígenas, na Sub-Comissão contra a Discriminação e Proteção de Minorias, na Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas (ONU), de 1981 até 2001, culminando na vitória da constituição de um Fórum Permanente para Povos Indígenas, ocupados por indígenas dentro do Sistema da ONU.
O passado Guarani significava total liberdade de ação e pensamentos. Eram independentes e autônomos. A liberdade individual de cada um era por demais respeitada e se não estavam satisfeitos com a sua organização tinham a total liberdade de emigrar. Reinava o interesse comum e a igualdade absoluta dos direitos. Desconheciam a disciplina convencional. Existia o diálogo e respeito mútuo e possuíam forma de falar direta, sem rodeios. Não havia poder central, devido a independência individual. Caciques, líderes, anciãos não eram posições que denotavam poder. Esses elementos formavam sim, um CONSELHO , onde discutiam as questões sociais e políticas e deliberavam juntos em uníssono a resolução de um determinado assunto. Davam títulos ás leis de organização: "TEKOMONÃNGAVA", literalmente significa " o que faz a vida ".
Lamentavelmente os livros do passado e do presente não registram as formas de vida do povo Guarani. Temos muitos conceitos determinados pelos antropólogos, estudiosos da questão, dos padres, mas conceitos dos próprios guarani tem sido difícil encontrar, designados pelos próprios guarani, com exceção de Bertoni, um dos primeiros antropólogos indígenas e guarani que escreveu sobre a mulher indígena, verdadeiramente colocando-a num patamar muito digno, onde o matriarcado predominava. Esse estudioso, autêntico sociólogo guarani, pesquisou durante vinte anos a cultura de seu povo e criticou veementemente a maioria dos estudos feitos pelos cientistas que se dedicaram ao estudo desse povo. O índio guarani e sociólogo Bertoni acreditou que os antropólogos distanciavam-se demais da realidade guarani, por não poder, na prática, internalizar a identidade indígena. Só um índio Guarani ou uma outra pessoa indígena detém esse conhecimento tradicional até ancestral por ter uma visão cosmológica real oriunda de sua própria história, tradições e cultura.

Eliana Potiguara
Nota:-Ainda hoje, o povo índigena contínua sendo massacrado pela ganância de fazendeiros e pelas leis arcaicas do nosso país, como aconteceu com o adolescente Guarani-Kaiowá, brutalmente assassinado por um fazendeiro no dia 13/02/2003..(MRLopes)