Somos Anjos e Mestres!
Todos nós sabemos alguma coisa que alguém, em algum lugar, precisa aprender e, por vezes, nós mesmos recordarmos.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

" Tempo de Rever Trajetórias"

Sempre é tempo de balanço, de rever trajetórias, de refazer escolhas. Fim de ano nos chama especialmente para isso. Em meio à correria das compras, dos encontros, dos comes e bebes, conseguimos um intervalo para a reflexão? Para nos perguntar: afinal, o que estamos fazendo nesta vida? 
Em época de Natal, a sensação é de que há algo a mais na atmosfera. Para uns, é encantamento, elevação.
 Para outros, apenas nervosismo, que se traduz em febre de consumo, excessos alimentares e conflitos interpessoais. Existe lugar para a espiritualidade em meio a tanta agitação?
Em algumas situações, aquilo que chamamos de espírito de Natal" é algo cínico, que agrega os indivíduos em torno de festividades de conveniência. Mas
há muitas pessoas que, independentemente de serem cristãs ou não, têm, nesta época do ano, uma verdadeira experiência do "comemorar".  Gosto dessa palavra porque "comemorar" significa "lembrar junto". E do que nós lembramos? De que estamos vivos, partilhamos a vida, de que a vida não pode ser desertificada.
Há uma pulsão de vida.
Claro que, a todo instante, está colocada também a possibilidade de que a vida cesse. Somos o único animal que sabe que um dia vai morrer. Aquele gato, que dorme ali, vive cada dia como se fosse o único. Nós vivemos cada dia como se fosse o último. Isso significa que você e eu, como humanos, deveríamos ter a tentação de não desperdiçar a vida. Escrevi um livro chamado Qual É a Tua Obra?, que começa com uma frase de Benjamin Disraeli, primeiro-ministro britânico no século 19. Ele disse: "A vida é muito curta para ser pequena".
Como não apequenar a vida?
Dando-lhe sentido. A espiritualidade ou religiosidade é uma das maneiras de fazê-lo. A religiosidade, não necessariamente a religião. Religiosidade que se manifesta como convivência, fraternidade, partilha, agradecimento, homenagem a uma vida que explode de beleza. Isso não significa viver sem dificuldades, problemas, atribulações. Mas, sim, que, apesar disso tudo, vale a pena viver. Meu livro Viver em Paz para Morrer em Paz parte de uma pergunta: "Se você não existisse, que falta faria?" Eu quero fazer falta. Não quero ser esquecido. Diferença entre religiosidade e religião.
Religiosidade é uma manifestação da sacralidade da existência, uma vibração da amorosidade da vida. E também o sentimento que temos da nossa conexão com esse mistério, com essa dádiva. Algumas pessoas canalizam a religiosidade para uma forma institucionalizada, com ritos, livros; a isso se chama religião".  Mas há muita gente com intensa religiosidade que não tem religião. Aliás, em minha trajetória, jamais conheci alguém que não tivesse alguma religiosidade. Digo mais: nunca houve registro na história humana da ausência de religiosidade. Todos os primeiros sinais de humanidade que encontramos estão ligados à religiosidade e à ideia de nossa vinculação com uma obra maior, da qual faríamos parte.
De onde vem essa ideia?
Existe uma grande questão que é trabalhada pela ciência, pela arte, pela filosofia e pela religião. A pergunta mais estridente: "Por que as coisas
existem? Por que existimos? Qual é o sentido da existência?" Para essa pergunta, há quatro grandes caminhos de reposta: o da ciência,  da arte,  da filosofia e o da religião. De maneira geral, a ciência busca os comos". A arte, a filosofia e a religião buscam os "porquês", o sentido. A arte, a filosofia e a religião são uma recusa à ideia de que sejamos apenas o resultado da junção casual de átomos, de que sejamos apenas uma unidade de carbono e de que estejamos aqui só de passagem. Como milhões de pessoas no passado e no presente, acho que seria muito fútil se assim fosse. Eu me recuso a ser apenas algo que passa. Eu desejo que exista entre mim e o resto da vibração da vida uma conexão. Essa conexão é exatamente a construção do sentido: eu existo para fazer a existência vibrar . "E ela vibra em mim, no outro, na natureza, na história".

Mário Sérgio Cortella

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Pensa que é Luz...


O homem que se decide a parar até que as coisas melhorem, verificará, mais tarde, que aquele que não parou e colaborou com o tempo, está tão adiante que jamais poderá ser alcançado.
O amor que se alimenta de presentes tem sempre fome.
Seja otimista! Procure subir e espere que sempre o melhor lhe aconteça.
Embora as aparências sejam contrárias, confie em Deus, que está dentro de você, porque nele existe a solução de todos os seus problemas.
Olhe para o lado certo da vida, para a felicidade e o progresso, e não detenha jamais sua subida. Seja otimista e há de vencer!
Toda indulgência para os culpados revela conivência.
Se você não acredita em cooperação, imagine um trem que perdesse uma de suas rodas.
Cada fracasso ensina ao homem algo que ele necessita aprender.
O homem não pode viver isolado. Lembre-se que cada companheiro de jornada é um amigo que o ajuda e a quem você precisa também ajudar. A cooperação existe entre todas as coisas criadas, procure você também cooperar com tudo e todos, em benefício da própria Terra que o acolhe bondosamente, permitindo sua evolução. Ajude sempre e jamais desanime.
Não me envergonho de me corrigir porque não me envergonho de raciocinar e aprender.
Se todos nós fizéssemos aquilo que somos capazes de fazer, ficaríamos pasmos com nós mesmos.
A treva da meia noite, é a ocasião em que o tempo dá sinal de partida para uma nova alvorada, anunciando um lindo dia.
Assim como a luz, por si mesma resolve o problema da obscuridade, também tu deves resolver todos os problemas que se apresentam em sua vida: PENSA QUE É LUZ... e que todos os problemas são trevas; quando tu os encaras, eles desaparecem como as trevas diante da luz...


Pedro Osório

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Por que nosso desempenho melhora quando recebemos um elogio?

Quando alguém nos diz que estamos nos saindo bem em uma tarefa, é comum nos sentirmos motivados a fazer jus ao elogio. Socialmente, não é muito difícil de entender – afinal, gostamos de ser reconhecidos. Contudo, como será que esse fenômeno ocorre em nosso cérebro? Recentemente, uma equipe de pesquisadores do Japão analisou o efeito “cerebral” de um elogio.
Em estudo anterior, eles haviam concluído que o corpo estriado (importante estrutura do cérebro, uma das mais afetadas por demências como doença de  Parkinson ou de Alzheimer) é ativado quando uma pessoa é recompensada com um elogio ou com dinheiro. Desta vez, eles mostraram que essa ativação parece encorajar a pessoa a se esforçar mais em uma tarefa.
Para isso, eles reuniram 48 adultos e os ensinaram a executar uma ação (apertar teclas de um teclado em uma ordem específica o mais rápido possível em 30 segundos). Em seguida, dividiram os participantes em três grupos: o primeiro incluía um avaliador, que elogiaria quem tivesse um bom desempenho; no segundo, alguns participantes observariam outros sendo elogiados; no terceiro, cada voluntário avaliaria o próprio desempenho. No dia seguinte, aqueles que faziam parte do primeiro grupo tiveram um desempenho melhor que o dos demais.
Parece haver uma validade científica por trás da mensagem; louve para encorajar o desenvolvimento, aponta o pesquisador  Norihiro Sadato. "Elogiar
alguém pode se tornar uma estratégia fácil e eficiente na sala de aula e durante uma reabilitação”. Ele acrescenta que, para o cérebro, receber um elogio é uma recompensa social similar a ser pago em dinheiro.



[ScienceDaily]

domingo, 9 de dezembro de 2012

A Vida Não Espera...

A finalidade da vida é o desenvolvimento próprio... É a arte do encontro e da evolução.
Há uma alegria selvagem em estar  vivo...                                  

Uma embriaguez da existência, e um movimento de assimilação...        Onde  progredindo sem cessar suprime todos os obstáculos.
A Vida não espera...
Só compreende a vida quem a viveu...
Só viveu a vida quem a vida sofreu...
Só é teu, o que vivendo e sofrendo. compreendeste...
Só é teu, o que submerge nas profundezas do teu ser...
Só é teu o que vibra nas pulsações do teu coração...
Teu é somente aquilo, que feroz tempestade provou... E não roubou!
Se o ontem teve rosas, teve também espinhos...
Se o hoje tem espinnhos, por que não terá rosas?
A vida é uma grande roseira, cheia de rosas e espinhos...
Se de longe a contemplas, só enxergas um mar de rosas, e espinho algum...
A essência da vida é a criação contínua de desejos e ideais.
Quem  vive a vida como deve...
Vive!... Em toda a sua plenitude.


GotinhaMRL

sábado, 8 de dezembro de 2012

"Geração Colheita Feliz" Um alerta!


Cientistas dizem que fazer malabarismo com e-mail, celular e outras fontes de informação muda a maneira como as pessoas pensam. Nossa concentração está sendo prejudicada pelo fluxo intenso de informação. Esse fluxo causa um impulso primitivo de resposta a oportunidades ou  ameaças imediatas.  O estímulo provoca excitação, liberação de dopamina que vicia. Na sua ausência, vem o tédio. Enquanto muita gente diz que fazer várias coisas ao mesmo tempo aumenta a produtividade, pesquisas mostram o contrário: As multitarefas dificultam a concentração e a seleção necessárias para ignorar informações irrelevantes. E mesmo depois que a pessoa se desliga, o pensamento fragmentado continua.
Para estudiosos de Stanford, a dificuldade de se concentrar só no que interessa mostra um conflito cerebral, que vem da nossa evolução. Parte do cérebro age como uma torre de controle, ajudando a pessoa a se concentrar nas prioridades. Partes primitivas, como as que processam a visão e o som, querem que ela preste atenção às novas informações, bombardeando a torre de controle.
Funções baixas do cérebro passam por cima de objetivos maiores, como montar uma cabana, para alertar sobre o perigo de um leão por perto. No mundo moderno, o barulho do e-mail chegando passa por cima do objetivo de escrever um plano de negócios ou jogar bola com o filho. Mas outras pesquisas mostram que o cérebro também se adapta. Usuários de internet têm mais atividade cerebral do que não usuários. Eles estão ganhando novos circuitos de neurônios. Em seu novo livro "The Shallows: What the Internet is Doing to Our Brains" o escritor norte-americano Nicholas Carr examina a história da leitura e a ciência de como o uso de diferentes mídias afeta nossa mente. Explorando como a sociedade passou da tradição oral para a palavra escrita e depois para a internet, ele detalha como nosso cérebro se reprograma para se ajustar às novas fontes de informação. Ler na internet mudou fundamentalmente a forma como usamos nosso cérebro.
A quantidade de textos, fotos, vídeos, músicas e links para outras páginas combinada com incessantes interrupções na forma de mensagens de texto, e-mails, atualizações do Facebook, tweets, etc fez com que nossas mentes se acostumassem a catalogar, arquivar e pesquisar informações. Desta forma, desenvolvemos habilidades para tomar decisões rapidamente, especialmente visuais. Por outro lado, cada vez lemos menos livros, ensaios e textos longos  que nos ajudariam a ter foco, concentração, introspecção e contemplação. Ele diz que estamos nos tornando mais bibliotecários aptos a encontrar informações de forma rápida e escolher as melhores partes, do que acadêmicos que podem analisar e interpretar dados.
A ausência de foco obstrui nossa memória de longo prazo e nos torna mais distraídos. "Nós não nos envolvemos com as funções de interpretação de nossos cérebros", diz. Ele ainda afirma que, por séculos, os livros protegeram nossos cérebros de distrações, ao fazer nossas mentes focalizarem um tema por vez.
Com aparelhos como o Kindle e o iPad, que incorporam dispositivos digitais de leitura, tornando-se comuns, Carr prevê que os livros também mudarão.
"Novas formas de leitura requerem novas formas de escrita". Se escritores suprem a necessidade crônica de uma sociedade distraída, eles inevitavelmente evitarão argumentos complexos que requerem atenção prolongada e escreverão de forma concisa e aos pedaços.
Ele inclusive sugere um exercício para aqueles que sentem que a internet os tornou incapazes de se concentrarem: diminuam o ritmo, desliguem a web e pratiquem habilidades de contemplação, introspecção e reflexão.
"É bem claro pelo que já sabemos sobre a ciência do cérebro que, se você não exercita habilidades cognitivas específicas, você acaba as perdendo. Se você se distrai facilmente, não pensará da mesma forma que pensa se você presta atenção".
Abuso de aparelhos eletrônicos provoca conflito cerebral...Concentração e distração...
Ou seja, estamos desenvolvendo uma nova raça humana, diferente na forma de pensar e interagir entre si e com as coisas ao nosso redor. O Homem desenvolve as ferramentas e acaba sendo moldado por elas, e tem sido assim desde a pré-história. Sem habilidade pra INTERPRETAR, ficaremos mais burros. Aliás, já estamos! Basta ver como nossa sociedade está alheia ao mensalão e como isso mal influenciou o resultado das eleições. Num tempo onde só recebemos as informações e estamos muito distraídos pra processá-las, para o Homer Simpson brasileiro o NÚCLEO PRINCIPAL de um partido ser condenado à prisão por fazer uma quadrilha pra desviar dinheiro público e comprar apoio político não significa que o mesmo partido (que inclusive apóia os membros da quadrilha) vá fazer isso uma vez eleito à prefeitura de sua cidade. Esse tipo de raciocínio realmente me impressiona, e me lembra do comercial da Apple em 1984, com a massa dominada de boca aberta em frente a um telão. Hoje não temos mais o domínio da TV, mas as massas continuam passivas, atadas a certas mídias seja por paixão ou manipulação.
Outra coisa que notei é a proliferação dos jogos casuais. Antigamente você tinha de levar seu videogame pra TV da sala (a única na casa), montar a caixinha RF atrás dela e jogar um jogo até o fim sem poder salvá-lo. Exigia tempo, esforço, treino, aperfeiçoamento. Vivíamos sem ver o final de muitos jogos, e sobrevivemos a essa frustração. Hoje podemos pegar o celular na fila do consultório e jogar pelo tempo exato até ser chamado. Com possibilidade de salvar o progresso, com continues infinitos, com uma curva de aprendizado fácil e o próprio jogo dá dicas de como superar as dificuldades. 
Não há comprometimento do jogador com o jogo, e o jogo é que implora por sua atenção, lhe dando itens, ouro, badges e outras bugingangas pra que você se sinta feliz "ganhando". Joguei Draw Something com algumas pessoas no exterior e enquanto estávamos acertando um o desenho do outro tudo ia bem. 10, 20 rounds se passavam com trocas diárias de desenho. Mas bastava perder uma vez e o placar voltar pra zero pra nunca mais ver essa pessoa de novo. Pessoas criadas a leite com pêra, que nunca jogaram River Raid e não suportam o mínimo de frustração.
Essa é a geração - ou melhor, sociedade - "Colheita feliz", cada vez mais reagindo somente a estímulos, com o cão de Pavlov.
E a espiritualidade, como fica? Todos sabemos que o contato interno com o Divino depende da meditação, da introspecção. Será que a verdadeira espiritualidade vai se perder, desta vez não por proibições, mas sim por pura falta de capacidade das pessoas? Ou ficará esquecida num mar de informações irrelevantes?


 Acid

"O Amor e a Loucura"

"Contam que uma vez se reuniram todos os sentimentos e qualidades dos homens em um lugar da terra... Quando o ABORRECIMENTO havia reclamado pela terceira vez, a LOUCURA, como sempre tão louca, lhes propôs:
Vamos brincar de esconde-esconde?
A INTRIGA levantou a sobrancelha intrigada e a CURIOSIDADE sem poder conter-se perguntou:
Esconde-esconde? Como é isso?
É um jogo, explicou a LOUCURA, em que eu fecho os olhos e começo a contar de um a um milhão enquanto vocês se escondem, e quando eu tiver terminado de contar, o primeiro de vocês que eu encontrar ocupará meu lugar para continuar o jogo.
O ENTUSIASMO dançou seguido pela EUFORIA.
A ALEGRIA deu tantos saltos que acabou pôr convencer a DÚVIDA e até mesmo a APATIA, que nunca se interessavam pôr nada. Mas nem todos quiseram participar.
A VERDADE preferiu não esconder-se. "Para que, se no final todos me encontram?
A SOBEDORIA opinou que era um jogo muito tonto (no fundo o que a incomodava era que a idéia não tivesse sido dela).
A COVARDIA preferiu não arriscar-se.
Um, dois, três, quatro... - começou a contar a LOUCURA.
A primeira a esconder-se foi a PRESSA, que como sempre caiu atrás da primeira pedra do caminho.
A FÉ subiu ao céu e a INVEJA se escondeu atrás da sombra do TRIUNFO, que com seu próprio esforço tinha conseguido subir na copa da árvore mais alta.
A GENEROSIDADE quase não consegue esconder-se, pois cada local que encontrava, lhe parecia maravilhoso para algum de seus amigos. Se era um lago cristalino, ideal para a BELEZA. Se era a copa de uma árvore, perfeito para a TIMIDEZ. Se era o voo de uma borboleta, o melhor para a VOLÚPIA. Se era uma rajada de vento, magnífico para a LIBERDADE.
E assim acabou escondendo-se em um raio de sol.
O EGOÍSMO, ao contrário, encontrou um local muito bom desde o início. Ventilado, cómodo, mas apenas para ele.
A MENTIRA escondeu-se no fundo do oceano (mentira, na realidade, escondeu-se atrás do arco-íris). E a PAIXÃO e o DESEJO, no centro dos vulcões.
O ESQUECIMENTO, não recordo-me onde escondeu-se, mas isso não é o mais importante.
Quando a LOUCURA estava lá pelo 999.999, o AMOR ainda não havia encontrado um local para esconder-se, pois todos já estavam ocupados, até que encontrou uma roseira e, carinhosamente, decidiu esconder-se entre suas flores.
A primeira a aparecer foi a PRESSA, apenas a três passos de uma pedra.
Depois, escutou-se a FÉ discutindo com Deus, no céu, sobre zoologia.
Sentiu-se vibrar a PAIXÃO e o DESEJO nos vulcões.
Em um descuido, a LOUCURA encontrou a INVEJA e claro, pôde deduzir onde estava o TRIUNFO. O EGOÍSMO, não teve nem que procurá-lo: ele sozinho saiu disparado de seu esconderijo, que na verdade era um ninho de vespas.
De tanto caminhar, a LOUCURA sentiu sede e ao aproximar-se de um lago, descobriu a BELEZA. A DÚVIDA foi mais fácil ainda, pois a encontrou sentada sobre uma cerca sem decidir de que lado esconder-se.
E assim foi encontrando a todos. O TALENTO entre a erva fresca, a ANGÚSTIA em uma cova escura, a MENTIRA atrás do arco-íris (mentira, estava no fundo do oceano) e até o ESQUECIMENTO, que já havia esquecido que estava brincando de esconde-esconde.
Apenas o AMOR não aparecia em nenhum local.
A LOUCURA procurou atrás de cada árvore, embaixo de cada rocha do planeta e em cima das montanhas. Quando estava a ponto de dar-se pôr vencida, encontrou um roseiral. Pegou uma forquilha e começou a mover os ramos, quando, no mesmo instante, escutou-se um doloroso grito. Os espinhos tinham ferido o AMOR nos olhos.
A LOUCURA não sabia o que fazer para desculpar-se. Chorou, rezou, implorou, pediu perdão e até prometeu ser seu guia."
Desde então, desde que pela primeira vez se brincou de esconde-esconde na terra, o AMOR é cego e a LOUCURA sempre o acompanha."

Autor Desconhecido

Afinal... O que é o Amor?


Essa energia que movimenta toda a humanidade, muito mais preciosa que o ouro, e de cuja existência às vezes se duvida. É procurada nos outros, em nós mesmos, nos livros e, quando não é encontrada, leva à dolorosa sensação de solidão.
Comecemos nossa reflexão vendo o que “não é amor”. Há uma confusão muito grande entre o amor verdadeiro e um produto similar, chamado ‘amor de troca’, uma conduta usada como moeda, para dar direito a cobrar determinados comportamentos dos companheiros. Exemplo típico disso é a eterna cobrança: “Eu sempre cuidei de você, agora que preciso não o tenho comigo”.
O amor é uma energia que cresce dentro de nós e nos convida a estar com o outro. Quando estamos em estado de amor, torna-se inevitável agirmos de forma amorosa...  O outro, no fundo, faz-nos um favor ao se deixar amar por nós.
O amor não é um convite à infelicidade. 
Quando, numa relação, as pessoas se sentem amarguradas, convém refletir cuidadosamente, pois o amor é uma energia que impulsiona para a vida. Quando estamos amando alguém, sentimo-nos vivos e em sintonia com o Universo.
Amar não é viver assustado, procurando adivinhar o que o parceiro quer, para obter sua aprovação, ou temendo o seu mau humor. O sentimento do amor nos dignifica e nos dá a verdadeira dimensão do nosso valor; faz-nos sentir que pertencemos à raça humana e que não somos simplesmente meros complementos um do outro.
Amar não é ficar parado, como um rei, esperando que o outro, pelo fato de estar sendo amado, sinta-se devedor de nosso sentimento O amor nos proporciona uma sensação de gratidão para com a existência; um sentimento de ser abençoado pela dádiva divina. E, em retribuição, somos levados a cuidar desse amor.
Amar não é simplesmente ter desejo sexual que, apesar de ser algo incrível, não é o único elemento do amor. As pessoas que vêem o amor como algo puramente genital geralmente acabam por empobrecê-lo.
Amar é uma viagem a ser feita com alguém, na qual, ao mesmo tempo em que desfrutamos dessa entrega, desvendamos os mistérios que ela nos apresenta a cada momento.
O amor é uma força que nos leva a enfrentar todos os nossos medos, criados desde as primeiras experiências dolorosas de aproximação. Torna-nos corajosos e ousados, prontos a desafiar o tédio e o comodismo, a enfrentar o desafio do cotidiano, sem deixá-lo transformar-se em rotina. Proporciona-nos uma postura de aprendiz, concedendo-nos a suprema compreensão de que, quando somos levados pelo impulso do amor, realizamos algo. No amor, não estamos nos submetendo ao outro, mas sim obedecendo às ordens do sábio que existe dentro de nossos corações.
O amor nos dá coragem para enfrentarmos todas as mensagens negativas ouvidas na infância, do tipo “homem não presta”, “mulher é complicada”, “casamento só traz sofrimento”, que poluem nossos pensamentos. Não podemos exigir a perfeição do ser amado, pois, como diz Aristóteles: “O amor é o sentimento dos seres imperfeitos, posto que a função do amor é levar o ser humano à perfeição”.
O amor é um convite a estar com o outro... “É um estado nascente de um movimento a dois; é um querer estar compartilhando alegrias e dores, problemas e soluções com o ser amado”.
O amor leva-nos a respeitar a nossa própria individualidade e a do outro... “Viver é como o ciclo respiratório. Na inspiração entra-se em contato consigo próprio, é o estar só, é o momento em que se carrega o coração de energia, é a maturação do feto, a preparação do botão de rosa. E na expiração dá-se o encontro, o desabrochar do amor, o renascimento com o outro, o ‘ser’ com o outro. A respiração não é possível sem os dois movimentos. Precisamos da inspiração tanto quanto da expiração.”
O amor é a força que nos torna guerreiros, sem revolta... “Amar é comprometer-se sem garantias; entregar-se completamente, com a esperança de que o nosso amor produza amor na pessoa amada”.
O amor é uma viagem para dentro de nós, na busca de respostas que nos revelem o que não está certo conosco, mesmo que o outro esteja sendo desleixado com nosso amor... “O amor é o processo em que você me mostra o caminho de retorno a mim mesmo”.
A palavra amor é muito limitada para expressar a totalidade do seu significado e, por isso, ao procurarmos conceituar o sentimento, é inevitável que o limitemos.
O amor é muito mais que o encontro de dois corpos, muito mais que a união entre duas pessoas. É a própria consciência da Existência: a crença nas forças divinas, que cuidam de todo o universo e que nos levam um ao outro, com a mesma fluidez com que aproximam uma nuvem de uma montanha, que nos proporcionam uma força sobre-humana, que dão energia ao vento, ao mar e à chuva e que nos tornam grandes como pinheiros gigantescos.
No amor seguimos um caminho, realizando uma história, cujo final, apesar de todo nosso conhecimento, só vamos saber quando a completarmos.
A única certeza que temos é a de que o amor é uma condição inerente ao ser humano. Assim como a flor emana o seu perfume, o homem e a mulher naturalmente exalam o amor. Isso é tão inevitável quanto é impossível proibir a terra molhada de desprender o seu cheiro.

  Roberto T. Shinyashiki


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Fendas no Coração


Quando nascemos nosso coração é inteiro. Fechado, envolto, é aos pouquinhos que vai se abrindo e aprendendo o que é o amor e a dor. Com o passar dos anos vamos nos entregando às paixoes, às esperanças, às expectativas de encontrar a felicidade. E as decepções chegam... e o fechamos! Nosso erro é fechá-lo com mágoas por dentro, com as feridas que, sem ar, sem a possibilidade de carinho que entre, possam cicatrizar. Por isso pessoas amarguradas podem ficar assim até a morte. É preciso deixar uma fenda onde as tristezas possam se evacuar, onde elas liberem lugar para que o amor entre novamente. Só que é preciso ter o cuidado para não deixar uma fenda grande demais!...
Um coração cansado e carente é uma presa fácil. Pessoas que vivem desgastadas por uma vida inteira onde os sonhos parecem já não mais existir, podem
confundir com amor a necessidade de sentir de novo emoção e paixão. Pessoas que encontram a sua alma-gêmea no momento exato que se sentem fragilizadas precisam ter o cuidado para não cair nessa armadilha.
Sei que é difícil ser objetivo nessas horas. A monotonia do nosso dia pode fazer com que vejamos as coisas de fora bem mais bonitas do que são realmente. Há um momento onde queremos voltar no tempo da adolescência e sonhar de novo com um grande amor, queremos paixão, queremos sentir de novo o coração batendo mais forte, queremos a dor no estômago da espera de um encontro marcado, a felicidade misturada com ansiedade ou não sei o quê.
Nessas horas deixamos uma fenda grande demais no coração e um pouco de atenção, uma palavra carinhosa ou um gesto gentil podem entrar e tomar forma de amor, que na realidade amor nao é: é necessidade! Necessidade de reviver. Sei como dói ouvir coisas assim, porque então tudo parece ainda mais sem sentido. Só nós sabemos o que vai por dentro do nosso peito, portanto...deixe o tempo passar... a pessoa perfeita já não será assim tão perfeita, o grande amor que chegou já não vai parecer assim tão grande. Quando estamos nos afogando é fácil segurar a primeira tábua que nos cai nas mãos, mas isso pode ser apenas um meio da gente nadar até a praia para ver novos horizontes.
Uma vida mal resolvida não encontra soluções mágicas em um amor que acabou de chegar. Cada coisa no seu tempo. 

Antes de deixar entrar alguém pela fenda do seu coração, jogue fora sua infelicidade.
Faça faxina interna, coloque ordem, resolva sua vida. 
Depois siga em frente... um amor verdadeiro talvez te espere do outro lado, mas então você vai saber que não o tem por carência, mas porque a vida resolveu te dar uma segunda chance.
 

Letícia Thompson

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O Filho do Homem...

Apareceu um homem, entre milhões de habitantes terrestres...
E esse homem veio tornar-se o centro da história da humanidade.
Não fez descobertas nem invenções, não derrotou exércitos nem escreveu livros, esse homem singular.
Não fez nada daquilo que a outros homens garante imortalidade entre os mortais, o que havia de maior era ele mesmo...
Pelo ano do seu nascimento datam todos os povos cultos a sua cronologia.
Possuia esse homem exímios dotes de inteligência, e infinita delicadeza de coração.
A sua vida se resume numa epopéia de divino poder e num poema de humano amor.
Havia na vida desse homem uma pátria e uma família, mas também exílio e uma solidão.
Havia inocentes com o sorriso nos lábios, e doentes com as lágrimas nos olhos.
Havia apóstolos e apóstatas...
Brincava nos caminhos desse homem a mais bela das primaveras, e espreitava-lhe os passos a mais negra das mortes.
Esse homem vivia no mundo, mas não era do mundo...
Quando chegou, "não havia lugar para ele na estalagem", e quando partiu, só havia lugar numa cruz, entre o céu e a terra.
Esse homem não mendingava amor, mas todas as almas boas o amavam...
Era amigo do silêncio e da solidão, mas não conseguia fugir do tumulto da sociedade, porque "todos o procuravam"...
Irresistível era o fascínio da sua personalidade, inaudita a potência das suas palavras...
Todos sentiam o envolvente mistério da sua presença, mas ninguém sabia definir  esse estranho magnetismo...
Era uma luminosa escuridão, esse homem...
Não bajulava a nenhum poderoso, e não espezinhava nenhum miserável...
Diáfano como um cristal era o  seu caráter, e, no entanto, é ele o maior mistério de todos os séculos...
Poeta algum conseguiu atingir-lhe as excelsitudes, filósofo algum valeu exaurir-lhe as profundezas...
Esse homem não repudiava Madalenas nem apedrejava adúlteras, mas lançava às penitentes palavras de perdão e de vida...
Não abandonava ovelhas desgarradas nem filhos pródigos, mas cingia nos braços a estes, e levava aos ombros aquelas...
Esse homem não discutia, falava simplemente...
Não esmiuçava palavras nem contava sílabas e letras, como os rabis do seu tempo, mas rasgava imensas perspectivas de verdade e beatitude...
Por isso diziam os homens, felizes e estupefatos: "Nunca ninguém falou como esse homem fala!"...
Para ele, não era o esquife o ponto final da existência, mas o berço para a vida verdadeira...
Por isto, vivem por ele e para ele os melhores dentre os filhos dos homens, porque adoram nesse homem o homem ideal, o homem-Deus...



Huberto Rohden

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

"Filhos"...

Decidir ter um filho é algo de extrema importância: é decidir ter o coração, para sempre, andando fora do corpo.
Os que não tem filhos, não podem julgar se a paternidade é uma fonte de alegrias ou dores, pois lhes é desconhecida, eles escapam de muitas angústias... Mas daqueles que vêem crescer em suas casas esses tenros descendentes, que preocupação lhes rói a vida inteira!
Poderão educá-los bem? Deixarão algum meio de subsistência?

E depois, é para naturezas perversas ou honestas que tomam tanto trabalho?
Os filhos são educados como se fossem ficar toda a vida filhos, sem nunca pensar que, um dia se tornarão pais. Nunca ocorre a um garoto que um dia, ele será tão careta quanto seu pai.
O fato é que, durante seu crescimento, o filho se liberta da autoridade dos pais e essa liberdade é um dos efeitos mais necessários, mas também o mais doloroso do desenvolvimento.
O ato de desobediência nos filhos, como ato de liberdade, é o começo da razão. Essa liberdade, implica em ser responsável para consigo mesmo... Não é agir arbitrariamente, mas ser capaz de fazê-lo sensatamente.
A mais bela herança que podemos deixar a um filho é  permitir-lhe que trace inteiramente seu caminho, por seus próprios pés.
Esse tão célebre pensamento de Kalil Gibran, resume em poucas palavras o que é ter filhos... "Teus filhos não são teus filhos...
São filhos e filhas da vida, anelando por si própria.
Vem através de ti, mas não de ti, e embora estejam contigo, a ti não pertencem.
Podes dar-lhes amor mas não teus pensamentos, pois que eles tem seus pensamentos próprios.
Podes abrigar seus corpos, mas não suas almas, pois que suas almas residem na casa do amanhã, que não podes visitar se quer em sonhos. Podes esforçar-te por te parecer com eles, mas não procureis fazei-los semelhante a ti... Pois a vida não recua, não se retarda no ontem.
Tú és o arco do qual teus filhos, como flechas vivas, são disparados... Que a tua inclinação na mão do Arqueiro seja para alegria".

O objetivo que devemos nos propor na educação dos filhos, é o de formar-lhe... O coração, o juízo e o espírito.


GotinhaMRL

A Paz é a Mulher!

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                      
A Paz e a Mulher são da mesma natureza até em gênero gramatical.
São perseguidas pela vileza, sofrem do mesmo mal.
Raramente compreendidas,  frequentemente ofendidas. 
Frequentemente almejadas, raramente valorizadas.
Ambas carregam vidas... 
A Mulher em seu útero mergulhada, cujas dores são sentidas.
Da Paz, às costas, açoitada.
Lutam por um mesmo destino, que o homem, em seu desatino, evite a dor e decepção, da natureza e amor a destruição.
Ocupa-se a Mulher com denodo de preservar a vida, mas como se fosse um engodo, padece de dor sentida: é desprezada em seu intento de evitar sofrimento...
É única em compreender de forma assaz o mal que causa a falta da Paz. 
A Paz da Mulher carece, pois é dela efeito essencial, eis que nela floresce, toda a energia vital, que desfralda o pendão do amor, que transcende qualquer tipo de dor.
Mulher como mãe é só coração... Como Mulher, pura emoção.Paz e a Mulher são consortes carregam ideais de lutas. 
Os seus anseios são fortes, os motivos de grandes disputas.
Não creio que todo universo possa subsistir, é incontroverso, sem a Mulher para amar.


L.E.Dinardi

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A Amizade...


Não há solidão mais triste que a de um homem sem amizades. A falta de amigos, faz com que o mundo pareça um deserto. Certamente é o melhor bálsamo para as angústias da decepção amorosa, das perdas dolorosas, dos momentos de solidão, é também uma poção mágica nas horas de alegria. É  uma inteligência acima da linguagem, ela não é feita de palavras, mas de significados.
Desenvolve-se a partir do afeto humano, não do dinheiro ou do poder. É mais fácil ver uma amizade absoluta, do que um amor perfeito, ela é mais prudente, pois dispensa os juramentos.
O amor passa, a amizade volta, mesmo depois de ter adormecido um certo tempo.
O sentimento da amizade torna as pessoas extremamente gentis. De todas as coisas que nos oferece a sabedoria para a felicidade, a maior aquisição é a amizade. Não temos tanta necessidade da ajuda dos amigos, mas temos a confiança na sua ajuda.
Um irmão pode não ser amigo, mas um amigo será sempre um irmão. É aquele que sabe tudo sobre você e ainda assim lhe quer bem. É a criatura que escuta todas as coisas, sem aquela cara que parece estar dizendo:- " E eu com isso"?
A felicidade de ter um amigo deleita-nos... Enriquece-nos... Não nos tira nada.
Verdadeiros amigos tem tudo em comum, e a amizade é igualdade.


"Amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito... Dentro do coração!"


GotinhaMRL

domingo, 2 de dezembro de 2012

O Destaque Social e a Vaidade!

“A busca de destaque social através do sucesso em alguma área de atividade (que é a forma usual da manifestação adulta do exibicionismo e que chamamos de vaidade) teria por finalidade atenuar a sensação de desamparo, solidão e insignificância, sensações geradoras de brutal desespero, especialmente para aquelas pessoas que, em virtude de sua inteligência, são mais conscientes destas propriedades da condição humana.
Apenas algumas observações serão suficientes para demonstrar que este caminho não leva a parte alguma, a não ser uma relativa neutralização da sensação de insignificância que, ainda assim, necessita permanentemente de reforços derivados de novos feitos, capazes de chamar a atenção das outras pessoas.
Se a intenção inicial das pessoas que buscam o destaque é, através dos seus desempenhos, acima da média, obter admiração e o amor dos que lhe são próximos, o resultado na prática é bastante diverso deste. O sentir-se amado pode efetivamente representar uma importante atenuação do desamparo original, sendo um remédio eficaz para o desespero que deriva da consciência da solidão, de modo que seria legítimo buscar esta solução, ainda mais que ela estaria na mesma direção da que determina o prazer erótico ligado ao sucesso. O que perturba esta solução, aparentemente muito boa porque resolve os dois anseios – afetivo e erótico –, é que a admiração determina o surgimento da inveja e não do amor.
Amor e inveja derivam da mesma fonte: a admiração. Porém, na prática, a inveja é a emoção que mais frequentemente se manifesta, especialmente quando as diferenças entre as pessoas são mais marcadas. Para que a admiração resultasse em amor seria necessário que as pessoas em geral estivessem relativamente bem consigo mesmas, de modo a não se sentirem humilhadas, agredidas, pelas competências especiais das outras.
Acredito que a maioria das pessoas que buscam o destaque social só percebem muito tardiamente que seu sucesso desperta muito mais frequentemente a inveja do que o amor; e, mais, que vive esta constatação surpreendente como profundamente decepcionante e geradora de uma grave crise íntima. 
Não é fácil aceitar que o resultado de tanto esforço e dedicação a uma causa qualquer – desde as mais nobres até o simples sucesso material – seja a hostilidade sutil, manifestada principalmente pelas pessoas mais chegadas, amigos e familiares. E agora o que fazer? Abandonar tudo e iniciar uma nova vida? Com que forças? E para onde dirigir essas energias, se o resultado de uma mudança de rota pode ser o mesmo, ou seja, a inveja?
Na maior parte das vezes, não há mais como haver uma reversão do processo, principalmente porque as pessoas já estão muito habituadas às gratificações eróticas derivadas do sucesso social. A vaidade funciona, nestes casos, como um vício qualquer: o indivíduo percebe que ela lhe é nociva – por causa da inveja que sua condição desperta – mas não consegue mais abrir mão dos prazeres que dela advém.
O sentir-se hostilizado agrava a sensação de solidão e desamparo, o que costuma determinar um agravamento do desespero, agora acrescido de revolta contra as pessoas invejosas.
O desespero e a revolta geram uma energia ainda maior, que é usada na direção de se obter um destaque mais acentuado, que agrava a solidão. A inveja é um sinal da admiração e do destaque obtido, de modo que passa a ser buscada ativamente, apesar da mágoa íntima que possa causar. Para continuar a ser admirado e destacado, terá que se comportar cada vez mais de acordo com o que o grupo social valoriza – ainda que já tenha percebido seu caráter absolutamente ilusório e, na prática, insatisfatório. Desta forma o grau de liberdade individual se torna mínimo, ao mesmo tempo que o indivíduo fica cada vez mais sozinho, apenas se gratificando – em doses cada vez maiores, como em qualquer vício – dos prazeres eróticos ligados ao exibicionismo.”


Flávio Gikovate

O Rouxinol e a Rosa


Era uma vez, um Rouxinol que vivia em um jardim.
No jardim havia uma casa, cuja janela se abria todas as manhãs. Na janela, um jovem, comia pão, olhando as belezas do jardim. Sempre deixava cair farelos de pão, sobre a janela. O Rouxinol, comia os farelos, acreditando que o jovem os deixava de propósito para ele. Assim criou um grande afeto, pelo jovem que se importava em alimentá-lo, mesmo com migalhas.
O jovem um dia se apaixonou.
Ao se declarar a sua amada, ela disse que só aceitaria seu amor,se como  prova, ele desse a ela, na manhã seguinte, uma rosa vermelha.
O jovem, percorreu todas as floriculturas da cidade, sua busca foi em vão,
Não encontrou nenhuma rosa vermelha para ofertar a sua amada.
Triste, desolado, o jovem foi falar com o jardineiro da casa onde vivia.

O  jardineiro explicou a ele, que poderia presenteá-la com Petúnias, Violetas, Cravos, menos Rosas.
Elas estavam fora de época, era impossível conseguí-las, naquela estação.
O Rouxinol, que escutara a conversa, ficou penalizado pela desolação do  jovem, teria que fazer algo para ajudar seu amigo a conseguir a flor. Assim, a ave procurou o Deus dos pássaros que assim falou:
- Na verdade, você pode conseguir uma Rosa Vermelha para teu amigo, mas o sacrifício é grande, e pode custar-lhe a vida!
  - Não importa respondeu a ave. O que devo fazer?
- Bem, você terá que se emaranhar em uma roseira, e ali cantar a noite toda,  sem parar, o esforço é muito grande, seu peito pode não agüentar. - Assim farei, respondeu a ave, é para a felicidade de um amigo!
Quando escureceu, o Rouxinol, se emaranhou em meio a uma roseira, que ficava  frente a janela do jovem.

Ali, se pôs a cantar, seu canto mais alegre, precisava caprichar na formação da flor.
Um grande espinho, começou a entrar no peito do Rouxinol, quanto mais ele cantava, mais o espinho entrava em seu peito.
O rouxinol não parou, continuou seu canto, pela felicidade de um amigo, um canto que simbolizava gratidão, amizade. Um canto de doação, mesmo que fosse da própria vida!
Do peito da pobre ave, começou a escorrer sangue, que foi se acumulando sobre o galho da roseira, mas ela não se deteve nem se entristeceu.
Pela manhã, ao abrir a janela, o jovem se viu  diante da mais linda Rosa vermelha, formada pelo sangue da ave, nem questionou o milagre, apenas colheu a Rosa.
Ao olhar o corpo inerte da pobre ave, o jovem disse:
- Que ave estúpida! Tendo tantas árvores para cantar, foi se enfiar
justamente em meio a roseira que tem espinhos... 


 " Cada um, dá o que tem no coração... Cada um recebe com o coração que tem!

Oscar Wild

sábado, 1 de dezembro de 2012

O Humano nas Relações


Relações humanas é um assunto atual. Nunca se falou tanto, nunca se debateu tanto e nunca, provavelmente, as pessoas estiveram tão perdidas nesse mesmo assunto, onde cada qual busca a satisfação e engrandecimento pessoal em desfavor do que está ao seu lado.
As pessoas querem crescer, evoluir, provar a si e aos outros que podem, que são, que chegarão a algum lugar e para muitos pouco importa o preço.
Todos querem construir... mas esquecem-se que nada se constrói sozinho e que o fator humano não só é importante, mas é essencial na fundação de qualquer obra.
A distância física, intelectual ou financeira não separa tanto as pessoas quanto as barreiras emocionais, essas mesmas que fazem com que as pessoas sintam-se gigantes ou minúsculas.
Nas empresas, a pirâmide serve não só para mostrar quem está em nível mais elevado, mas, sobretudo, os que estão nas mais baixas escalas. Porém, quando se trata da parte emocional, não existe pirâmide. O respeito ao ser humano não depende de grau de inteligência, idade ou diplomas obtidos. Nessa área, todos encontram-se na mesma linha, sempre horizontal.
As empresas, entidades, grupos ou sociedades que compreenderam isso, vêem a produtividade aumentar, pois a satisfação gera a motivação. As pessoas que não precisam gastar suas energias com sentimento de desvalorização, ocupam essas mesmas energias para o progresso. Todo mundo ganha com isso.
As pessoas grandes abrem-se e não têm medo de perder, por que dar de si é também estar aberto a receber.
É importante sentir-se bem em qualquer ambiente. É importante sentir-se gente, ser outra coisa além de uma profissão, uma máquina que gera lucro. É importante cuidar das pessoas com mais carinho do que se cuida de objetos.

É muito importante, para um mundo mais humano, ser mais humano nas relações.


Letícia Thompson

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Corações cansados precisam de férias!

Corações cansados precisam tirar férias antes de viver um novo amor.
Pressa de viver as paixões, precário conhecimento dos parceiros e idealizações causam frequentes tropeços na vida amorosa, que machucam e desgastam. Nessa hora, em lugar de sair por aí à caça de mais uma relação equivocada, o melhor é relaxar, perdoar e esquecer os “ex”, repensar a própria história e ficar sozinho por um tempo, assimilando as lições das experiências passadas.
A busca do amor não é um percurso sem armadilhas e descaminhos. O sofrimento está sempre à espreita. Isso porque há, entre os seres humanos, muito mais desejo e amor irrefletido do que a preocupação em conhecer a pessoa que despertou esses sentimentos. 
E o desconhecimento, sabemos, é um perigo. Claro que as delícias afetivas e sexuais muitas vezes compensam os riscos e eventuais dissabores a serem enfrentados com um estranho. Mas às vezes os desencontros são tantos que o coração fica exaurido e sem esperanças,  implorando por férias! Cá entre nós, esta pode realmente ser uma boa ideia. 
Relaxar um pouco, repensar a própria história, curtir a vida de forma independente, exercer a solteirice e a disponibilidade são boas maneiras de curar uma desilusão.
Além disso, conseguir ficar sozinho e bem durante algum tempo pode ser uma indicação tanto de saúde quanto de maturidade.
O fato é que o amor também pode maltratar. Sigmund Freud (1856-1939), o fundador da ciência do inconsciente, dizia que nunca estamos tão desprotegidos contra o sofrimento do que quando amamos, e que nunca nos sentimos tão infelizes do que quando perdemos o amor. Mas quem vai trocar uma paixão, mesmo que insensata, para seguir a sabedoria dos grandes pensadores? 
O coração é mais forte do que a mente, e esta dificilmente o pode controlar.
Há, naturalmente, aqueles que acertam nas escolhas. Algumas pessoas têm um incrível talento para conjugar amor e bom senso. Porém nem todos são tão felizes. 
Com frequência, a paixão “queima a partida” e sai na frente do conhecimento. É como se o “Messias” surgisse subitamente na pele daquele gato ou daquela gata, com a promessa de acabar com todas as carências e inaugurar um tempo de amor e felicidade.
Até mesmo quando as relações dão certo, há armadilhas a enfrentar. Como somos todos viúvos de relações imaginadas como perfeitas, as satisfações reais nunca parecerão completas. Essas fantasias de perfeição em nosso inconsciente estão na raiz da inconstância e da procura incessante pelo amor. Pior: a ideia do amor ideal não está só em nossa cabeça. Ela é vendida no mundo atual tanto pela televisão, quanto pelo cinema e pela publicidade. 
Tudo isso contribui para a intolerância e a insatisfação com os relacionamentos reais (às vezes, convém lembrar, eles são mesmo insustentáveis e é insensato tentar mantê-los).
É por todos esses fatores, e muitos outros, que o coração — velho de guerra! — às vezes quer um descanso! Mas não é fácil dar a ele as merecidas férias.
Importante também dizer que essas férias de que falamos não podem significar um mergulho na vulgaridade dos tempos “líquidos” atuais, uma viagem ao reino das “periguetes” ou dos “perigueteiros”. A boa pausa é para meditação, não para a libertinagem.
Quem realmente quer conceder uma folga ao coração precisa perdoar e esquecer os “ex”, aprender com a experiência, dela extraindo uma lição — quem sabe? —, que pode ser o prelúdio de um novo e exitoso amor.

Paulo Sternick